Armani abre loja própria de sua grife mais “baratinha”
O empresário André Brett repete o lema: “Meu negócio é grana, não é fama.” Uma atitude pragmática, mesmo quando a empreitada com marcas de luxo exige tanto glamour. Depois de dois anos de negociação, ele e Michelle Nasser, por meio da holding Comelle da qual ambos são sócios, trazem para o país a Armani Exchange (A/X). É, digamos, a marca mais jovem e “baratinha” do grupo italiano, onde o jeans top sai por R$ 490.
Serão dez lojas em três anos, com investimento próprio. A primeira abre em 24 de novembro, no shopping Morumbi, em São Paulo, e a segunda, cinco dias depois, no shopping Leblon, no Rio. ” Isto se não der a louca no ’seu’ André e ele abrir o dobro”, diz Patrícia Gaia, diretora-executiva de Armani e D&G no Brasil. Chegou a hora de ganhar volume. (…)
“A A/X entra para brigar, em especial, com as marcas nacionais”, diz Patrícia Gaia. Morde, por exemplo, Zoomp, Forum, Iódice, Osklen e, porque não, Zara. “A Zara é bonita, bacana e acessível. A A/X é tudo isso e tem a grife Armani”, diz Patrícia. “Ela aumenta a base, como um luxo acessível, e sem competir com as demais marcas do grupo”, diz Viviane Suhet que assume a diretoria comercial da A/X, depois de passar pela Chocolate, Cori e Paramount.
Giorgio Armani criou a A/X em 1991, nos Estados Unidos, para ampliar a base de consumo e competir com a Gap e Banana Republic. Lá as lojas ficam em endereços inusitados. Uma delas, por exemplo, está próxima ao Rockfeller Center- área bem turística- e não na avenida Madison, região mais nobre.
Aqui também será assim. A A/X não vai estar num ponto sofisticado como o shopping Iguatemi, mas num centro de bastante tráfego, como o Morumbi. A próxima loja em São Paulo será no shopping Pátio Higienópolis, em março. Depois, será num shopping da Barra da Tijuca, no Rio, no segundo semestre de 2007. Em 2008, virão shopping Paulista, e outros pontos em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e interior de São Paulo. Nada de multimarcas. Como no resto do mundo, a A/X só é vendidas nas lojas A/X. (…)
Mas para a base crescer, Giorgio Armani precisou fortalecer o topo da pirâmide. É necessário que novos clientes cheguem, sem perder os amantes do luxo, que sustentam a aura da grife. Foi por isso que ele entrou pela primeira vez na alta-costura no ano passado, com sua linha Armani Privé. E é por isso que no segundo semestre de 2007, chega ao Brasil outra loja do grupo, a Armani Collezioni. Uma grife “menos” que Giorgio Armani, mas “mais” que Emporio Armani. “Deve ser uma loja de rua, em São Paulo”, diz Patrícia.
Não pense, portanto, que Brett e Michelle investiram na A/X, a mais “humilde” do grupo, porque as demais operações andam mais ou menos. As duas lojas Giorgio Armani, mesmo com a tormenta na Daslu, cresceram 15% em faturamento em dólar em um ano. A Emporio Armani, com três lojas, aumentou em 28% seu resultado de janeiro a setembro deste ano.
A expectativa é que em três anos, as dez lojas A/X possam responder por 40% do faturamento do grupo no Brasil. Emporio Armani e a Armani Jeans por outros 40% e Giorgio e Collezioni por 20%. Sem falar na D&G, que também é da holding de Brett, mas não do guarda-chuva Armani. Ela vai tão bem, segundo Patrícia, que novas lojas já estão em estudo. É grana mesmo.
Leia o artigo completo no Valor Online (Angela Klinke, 19/10/2006)


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