Marcas brasileiras de moda adotam gestão profissional

Aquela velha estrutura de filho cria, papai administra e mamãe vende parece estar com os dias contados na indústria do vestuário. O ano de 2006 comprovou isso. O mercado de moda brasileiro viu empresas de vestuário como Zoomp, Forum e Rosa Chá partirem para gestões profissionais, cada uma ao seu modo, para corrigir cursos, sanear as contas ou simplesmente crescer com mais velocidade.

Em julho, a Zoomp anunciou a entrada de dois sócios investidores no negócio: Conrado Will e Enzo Monzani. A Rosa Chá passou a ser gerida pelo grupo Marisol. “Sem uma gestão profissional, não há como sobreviver no mercado hoje”, afirma Alexandre Brett, presidente do grupo BR Labels, que reúne as marcas nacionais VR Menswear e Mandi, além da americana Calvin Klein, no Brasil. “Estávamos acostumados a ver estilistas que também administram. Não dá mais pra ser assim”, diz. “Nós criamos sonhos, mas fazemos negócio.”

A mais nova grife a apostar na gestão profissional é a feminina Les Filós. A marca, fundada em 1980, passou por mudanças profundas este ano com a saída do empresário Márcio Zemel (filho da fundadora da grife, Regina Zemel) e de sua esposa, a estilista Cláudia Zemel, do negócio. A empresa passou a ser comandada por Regina. A The Brands Company (TBC), empresa especializada em gestão de marcas, foi contratada há dois meses. O objetivo é fazer a grife ganhar mercado fora de São Paulo, principalmente via multimarcas.

“A Les Filós atuava apenas em São Paulo”, diz Elizabeth Tenani, gerente de marcas TBC, que pretende fazer a grife crescer fora do Estado. Além disso, a empresa fica responsável pela gerência de produto, marketing, vendas e produção. “O investimento em marketing é de R$ 1 milhão”, afirma Elizabeth. Até o final do ano, a Les Filós deverá estar em 300 multimarcas, no Brasil. Com cinco anos de funcionamento, A TBC é gestora, no Brasil, das grifes americanas Ecko e Sean John.

O empresário Eduardo Rabinovich, ex-sócio da Vicunha, abriu a ER há seis meses. A empresa é especializada não apenas em gerir, mas também em investir em marcas com potencial de crescimento. A ER estreou no mercado financiando a grife de sapatos Zeferino, que abriu duas lojas em São Paulo há cerca de dois meses. “Empresas sem gestão profissional sofrem mais com a concorrência”, diz Rabinovich.

Também trabalhando como gestora e financiadora, a BR Labels, de Alexandre Brett, conseguiu expandir a grife masculina Mandi, fundada em 2002 pelo empresário Marcelo Loureiro junto com Marcos de Moraes, que saiu do negócio dois anos depois. Há um ano, quando a BR Labels entrou como sócia do negócio, a Mandi tinha três lojas. Hoje são nove. “Houve um crescimento de 80% no faturamento”, diz Brett.

No ano passado Brett ganhou a concorrência para gerir os negócios da Calvin Klein no Brasil. A BR Labels é hoje responsável pelas divisões Calvin Klein Jeans e Calvin Klein Underwear, que já estão no mercado brasileiro. Em abril, a empresa abrirá o primeiro ponto de venda da linha Collection da grife - o prêt-à-porter, que é desenhada atualmente pela brasileiro Francisco Costa, que substituiu o próprio Calvin Klein no posto de designer da marca.

Fonte: Valor Online - Vanessa Barone
21/12/2006

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