As grandes Estilistas da Moda Européia (Parte 3 - Gabrielle Chanel / 1883 – 1971)

Por Queila Ferraz

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Gabrielle Bonheur Chanel nasceu em 1883, ficou órfã de mãe e foi abandonada pelo pai aos seis anos de idade. Foi para um pensionato da cidade francesa de Auvergne, para onde foi levada de Saumur, sua cidade natal.

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A ligação de Chanel com o mundo da moda começou em 1910, em Deauville, onde passou a trabalhar em uma loja de chapéus. Coco, maneira como era chamada pelos - poucos - amigos, criou os alicerces de uma elegância feminina única, ao longo de uma vida em que o trabalho sempre ocupou o lugar principal.

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O estilo do século 20, no que teve de mais funcional, feminino sem os exageros que o conceito costuma trazer e no que teve de absolutamente, irremediavelmente elegante, levou a assinatura de Chanel.

Em quatro anos, já era dona de duas lojas do gênero, uma na mesma cidade de Deauville, outra em Paris. Além dos chapéus, as primeiras roupas concebidas por ela começavam a aparecer, desde o início revelando aqueles que seriam os traços marcantes em todas as suas criações: a simplicidade e o conforto. Assim, foram surgindo vestidos chemisiers soltos, amplos cardigãs, peças em jérsei - tecido que até então só era utilizado na confecção de roupas íntimas - e twinsets que o tempo se encarregaria de tornar clássicos.

Sem qualquer preconceito, Chanel adotou o suéter masculino usado sobre saias lisas e retas e, em 1920, deu um de seus golpes mais ousados, lançando calças masculinas para mulheres, inspiradas nas calças de boca largas usadas por marinheiros.

Suas inovações, de fato, retocaram toda a silhueta feminina. O novo comprimento de suas saias mostrou os tornozelos das mulheres, cujos pés passaram a contar com sapatos confortáveis de bicos arredondados. Pérolas em especial, e bijuterias em geral, ganharam lugar de destaque entre os acessórios, cachecóis enrolaram-se com classe nos pescoços das mulheres e seu corte de cabelo tornou-se simétrico, reto, mostrando a nuca - o eterno corte Chanel.

chanel-n5.jpgTambém eternos tornaram-se o “pretinho”, vestido reto, simples, num bom tecido de cor preta que, como ensinou Chanel, é a elegância em qualquer situação, e seu Chanel nº 5, até hoje o perfume mais vendido em todo o mundo. E ninguém pode esquecer das práticas bolsas a tiracolo, pura inspiração Chanel, ainda mais nos modelos em matelassê, com correntes douradas.

A mulher que incansavelmente criava estilo e elegância para outras mulheres era, antes de tudo, uma perfeccionista. Falando muito, com uma tesoura nas mãos, era capaz de passar até dez horas seguidas em busca do exato efeito de um modelo - e era capaz de recomeçá-lo tantas vezes quantas fossem necessárias, até atingir o ponto que considerava ideal.

Ela era a própria figura da garçonne - mulher magra, de cabelos curtos lembrando os de um menino -, e seu sucesso decolou definitivamente ao longo da década de 20. Em 1929, Chanel criava em Paris uma butique especial para a venda de seus acessórios. Um ano depois ia para os Estados Unidos, onde desenhou roupas para diversos filmes da United Artists. De volta à França, dedicou-se basicamente à sua confecção, até 1939.

Com o início da 2ª Guerra Mundial, porém, Chanel decidiu fechar seu salão parisiense, que só seria reaberto em 1954. Ela estava, então, com 71 anos, e o prestígio intocado. Suas criações continuavam a ser uma direção segura para a elegância da melhor qualidade. Dando ênfase à criação de acessórios, visualizando o futuro de sua linha de perfumes e cosméticos, insistindo sempre no corte impecável de suas roupas e em suas cores básicas - o cinza, o azul-marinho e o bege, além do predileto preto - Chanel foi uma figura presente em sua Maison até sua morte, aos 88 anos, e é, até hoje, a inspiração dos que continuam a manter sua marca em plena atividade.

Verdadeira lenda, Chanel mantém milhões de fiéis seguidoras em todo o mundo, mulheres que não deixam de reconhecer nas criações que levam seu nome, atualmente criadas pelo estilista alemão Karl Lagerfeld, uma classe inigualável.

Avaliação que ela certamente aprovaria: só, apesar de alguns amores ao longo da vida e de um grande amor, Boy Capel, sem filhos, o estilo que criou foi sua maior paixão. Adorava ser copiada, chegava a abraçar os camelôs de Paris que vendiam o “falso Chanel” pelas esquinas, era uma incorrigível mentirosa, e entre as muitas frases que, do salão da Rue Cambon e do hotel Ritz, onde morava, ganharam o mundo, há uma que é certamente sua própria definição:

“Foi a solidão que temperou meu caráter, que é mau, bronzeou minha alma, que é orgulhosa, e também meu corpo, que é sólido”.

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Leia também:

  1. Jeanne Lanvin /1867 – 1946
  2. Madeleine Vionnet / 1876 – 1975
  3. Gabrielle Chanel / 1883 – 1971
  4. lsa Schiaparelli /1890 – 1973
  5. Vivienne Westwood /1941

Queila Ferraz Monteiro é estudiosa de História da Moda, é consultora de design e gestão industrial para confecção e Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção dos cursos de moda da Faculdade Belas Artes, Senac Moda e Universidade Anhembi Morumbi.

queilamoda@yahoo.com.br

Bibliografia:

BAUDOT, François. Moda do Século. São Paulo, Cosac & Naify Edições, 2000.

Enciclopédia da Moda : De 1840 à década de 80. São Paulo, Companhia das Letras, 1992.

SEELING, Charlotte. Moda : O Século dos Estilistas : 1900 – 1999. Portugal, Konemann, 2000.

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Webgrafia:
http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Poiret
http://informefashionbrasil.terra.com.br/arquivos
http://spazioinwind.libero.it
http://www2.uol.com.br/modabrasil/london_link
http://www1.folha.uol.com.br/folha/almanaque
http://www.chanel.com
http://www.fashionteen.hpg.ig.com.br/historiadaaltacostura.html
http://www.google.com.br
http://www.vionnet.com/home.htm
http://www.viviennewestwood.com

Queila Ferraz

queila
Queila é estudiosa de História da Moda, consultora de design e gestão industrial para confecção e Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção em diversas Universidades e de pós-graduação no Senac Moda - SP. queilamoda@yahoo.com.br

3 Responses to “As grandes Estilistas da Moda Européia (Parte 3 - Gabrielle Chanel / 1883 – 1971)”

  1. salut!!!
    Nous sommes un groupe d´élèves de Français au Portugal. Nous sommes en train de faire un travail sur la mode française. Nous aimerions recevoir des informations sur Chanel. Merci!!!

  2. nos anos 40 o nylon e a seda faltavam fazendo com que as meias finas desaparecessem do mercado,elas foram trocadas pelasa meias soquetes ou pelas pernas nuas muitas vezes com uma pintura falsa na parte de tras imitando as costuras.

  3. estou afaxer um trabalho sobre a evoluçao da moda francesa …maix uma colega …ando no 8 ano …tenho 13 anox …ate axo intrexxante…max tou um bokado dexiludida poix n exkontro nada de expexial…daqkilo k keria …porvafor alguma koixa de jeito…please!!!!!!!!!!!!!!!lol

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