Bubbles in the City – Fio dental
Têm dias que eu me sinto tão, mas tããããoooo feliz que eu quase não me agüento. Dá vontade de sair gritando. De dançar loucamente. De beijar. De abraçar. De rir sem parar.
Mas tem dias que… Putz, eu não esperava por isso, mas recebi uma notícia triste. Da mais besta, a mais séria. Sempre me quebra as pernas. Quando é besta, menos mal. Se uma amiga levou um pé na bunda, se meu carro quebrou, se o dente tá doendo, se fiz merda na firrrrma… Okey. Dá-se um jeito.
Mas, tem dias que eu sinto a maior dor do mundo – e ela é doidamente real. Um tapa na cara. Não me importaria se ela fosse fisicamente minha. Já estive muito mais pra lá, do que pra cá. E voltei muito mal, sem eira, nem beira. Apesar de família e amigos terem sofrido comigo, a “doença” era minha, no meu corpo, no meu organismo. E com isso eu soube lidar – e, contrariando a medicina “moderna”, estou vivinha da silva, muito bem, obrigada.
Agora, quando a história é com outra pessoa, que eu posso até não conhecer, mas que é próxima… Aí, me quebram as pernas.
Fico sem ter o que fazer. Meus olhos “verde-cinza-azuis”, minhas roupas “da moda”, minhas unhas mega-bem-feitas, meu cargo na firrrma, meus textos no Fashion Bubbles, minha (sub) genialidade, minhas sacadas bem humoradas…. Nada, nada, n-a-d-a serve ou importa. Parece tudo bobagem. Estou absolutamente impotente.
Não tenho o que fazer, a não ser… Sim: rezar. Tive uma educação católica e minha mãe é tããããooooo religiosa que merece ser canonizada. Mas, eu sou uma vira-lata. Quase nunca rezo. Ando com um terço na bolsa, ao lado de uma “mezuzá”, achando que ambos me protegem de sei lá o quê… De tudo que é ruim, provavelmente.
Mas a vida acontece. Uma hora, batata: chega uma notícia triste, que eu não esperava, muito menos queria. E eu simplesmente não estava pronta.
Num egoísmo que beira o vexame, graças a Deus, não foi com ninguém da minha família. E, por família, digo: mãe-pai-dois-irmãos-e-um-obrinho. Mais mãe do que os demais, sorry. Se algum dia minha mãe estiver em real apuro, vou logo avisando: enlouquecerei.
Mas, sei lá, sou um tanto quanto besta. Forte quando o troço é comigo. Mas uma total panaca quando é com os outros. Tomo pra mim as dores de todos – amigos, irmão-dos-amigos, filho-pai-mãe-namorado-dos-amigos. É provável que eu chore uma noite toda porque o filho do porteiro está com dor de barriga.
Nesses dias, sinto todas as dores do mundo. E fico pensando que a vida pode ser bem cruel. E vai ser, inevitavelmente. E o que me resta, ainda que vira-lata, é rezar.
Rezo para que minhas dores sejam sempre, sempre de dente. Dos meus e de quem eu amo. Porque dente a gente vive sem. Com vergonha e dentadura, mas vive sem. Por favor, Deus. De todas as dores, deixe pra mim só as de dente. Prometo usar fio dental três vezes ao dia.
PS: Fátima, hang on!
Por Mila Brito



Jun 30th, 2008 at 10:01 am
Emi, inacreditável! Ontem visitei uma amiga que está muito doente. Há alguns anos ela vem lutando contra a doença. Estou num momento de compaixão por ela, como ela mesma me disse. Me segurei pra não chorar diante dela. Embora ela saiba das dificuldades pra ganhar a batalha, jura que não se entregará porque seus pais e irmãos não merecem que ela desista, pois a amam muito. Seu texto é verdade absoluta! Rezar pelo próximo é uma atitude no mínimo humana e agradecer pela saúde que temos é obrigação!
Bjs
Léo
Jun 27th, 2008 at 7:35 pm
God bless you!
=**
Jun 27th, 2008 at 5:42 pm
Mila, como todos os seus textos, na saúde e na doença, achei este muito bom e muito real. É muito tocante, e me faz lembrar o que o psicanalista Fabio Hermann (ex-presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo falecido o ano passado) disse: “Há dias que não sabemos em que idade acordamos”, pois nosso inconsciente é atenporal e não sabemos muito bem a razão de um estado de humor mais eufórico e efusivo a outros que nos revelam o oposto. Melaine Klein, sucessora de Freud nos deixou um legado importante para entender a psiquê: Ora estamos na posição esquizoparanóide e vemos o mundo de forma parcial, nos sentimos fortes, poderosos (uma Deusa, uma Louca, uma Feiticeira); ora estamos na posição Depressiva e nos deparamos com nossas limitações, impotências, castrações e nos sentimos como Nietzsche descreve em “Humano demasiado Humano”.
É bom dividir com seus leitores algo tão seu, tão meu, tão nosso – sentimento da humanidade!!!
Acho seu texto mais para “Por um fio…” do que para Fio dental.