Filosofia in the City

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Reflexões sobre a matéria Será uma questão de desejar??? do Vinícius Moura.

Pois não é que o Fashion Bubbles endoidou de vez? Veja você: logo o Vinícius Moura, o mais centrado dos autores deste site de moda - e a moda não é justamente o monumento ao efêmero? - resolve dar uma de Sócrates, Platão, Aristóteles e outros habitantes da acrópole e se esquece da gestão, do pé no chão e se volta para o ego interior e lá do fundo desse poço sem fundo vem com um questionamento acerca do desejo? Mas não qualquer desejo, alguma coisinha reles, barata e fácil, como ter um carro do ano ou uma coberturazinha com vista deslumbrante. Não! Esses são desejos factíveis (olha o vocabulário), possíveis (em tese), portanto num momento de revelação transcendental desses, são colocados na coluna dos desejinhos.

O verdadeiro desejo com D maiúsculo é outra coisa, é aquela ânsia por algo maior, desconhecido, pleno, algo realmente grande e arrebatador, que vai preencher totalmente o coração humano, que sacode a plenitude do dia a dia e faz a alma se tornar inquieta, na busca desse algo fascinante e fugidio, que se entremostra, mas não se revela plenamente e nos faz continuar buscando-o em vão, nos faz tremer quando nos julgamos prestes a alcançá-lo e, mesmo sem o poder tocar, ter alento para continuar buscando.

É isso aí, Vinícius, mas que outra coisa o Fashion Bubbles é, para vocês, jovens que o fazem, senão esse lugar privilegiado de reflexão - seja sobre a moda, a administração, os costumes, acontecimentos etc. - que, aos poucos vai levando-os à interiorização, ao mergulho no próprio eu! Nosso mundo trepidante não convida à reflexão, mas vocês estão fazendo justamente isso, e logo você, tão centrado, tão conhecedor das técnicas administrativas, não mais que de repente, sem perceber fez a passagem e se viu em outro território, muito mais complexo e misterioso, questionando a essência do desejo.

Na verdade, Vinícius, questionado a essência do homem. Sim, porque a ânsia por algo mais, pela superação, pela transcendência é o que nos diferencia dos animais, é a nossa glória e a nossa desgraça. É o que origina o progresso, a cura das doenças, a escalada do monte Everest… Pense em seu conterrâneo, o paulista Santos Dumont, inventando o avião: primeiro, claro, surgiu em sua mente o desejo, e logo ele foi lançado à realização, que lhe consumiu estudos, projetos, organização muito dinheiro, até chegar a se concretizar. Pode haver um feito maior?! Mas… Por que mesmo Santos Dumont se suicidou?

É o mistério, profundo mistério do ser humano, que muitos, principalmente no nosso tempo confundem com a busca apenas do dinheiro, do poder, da fama, da velocidade, da criação de algo inédito… Ou, desgraça suprema, tantos vivem num turbilhão tão vertiginoso que nem chegam a buscar alguma coisa. Pois o homem precisa de uns minutos por dia de solidão e de silêncio para buscar algo, o que, no fundo mesmo é a busca de si próprio, podendo chegar a vislumbrar esse abismo incompreensível, esse vazio existencial, esse desejo de algo desconhecido.

Você chegou, via Fashion Bubbles, ao início e ao fim da magia, do encantamento, da angústia e da plenitude de ser humano: quem sabe essa busca é uma centelha do divino que faiscou diante de seus olhos?

E como dizia Lacan: “O desejo é sempre de outra coisa”.

zodiaco

Tudo de bom.
Ignez Pitta

10 Responses to “Filosofia in the City”

  1. VIXI, APERTEI O SEND SEM QUERER, SORRY!
    então, como eu ia dizendo… EU PROTESTO!
    1- posso trocar a faxina pelo jantar? Posso cozinhar e, depois, lavar a louça???
    2- Mamis, ok, não vai me adotar, né? Belê… Mas vou continuar na sua cola mesmo assim! Vingaaaançaaaaa!!!!
    Falando sério, me sinto parte da família Fashion Bubbles. Tenho orgulho - de verdade - de fazer parte dessa gangue de gente “jovem”, pensadora, antenada. Compartilho dos ideais de jogar na rede o que a gente tem de bom, convidando os internautas a refletirem com a gente. O site é hoje, pra mim, uma grande fonte de informação - sempre tem coisa interessante pra ler. E nessa internet cheia de bullshit, isso é muito bom!
    Ah, e adorei a idéia do mel cor de rosa, indicado para lua-de-mel!!!! hahahaha MUITO BOA!!!
    Bubblebeijos!

  2. Bem, começando do começo… Vini, pô, eu gostava tanto da quarta-feira!!! Agora esse é meu dia de fazer faxina… E vcs deixam tudo a maior zona, na terça, só pra me verem

  3. Oi, Emi, você é original e única, veja seu interesse na refelexão iniciada pelo Vinícius, sobre o desejo, que é, na verdade, a essência do homem. Pode ser chamado de busca interior, insatisfação existencial e mil nomes, pois não é cada cabeça, cada sentença?

    Veja um cachorro, animal considerado inteligentíssimo, com órgãos dos sentidos muitíssimo mais aguçados do que os nossos: se ele come, é abrigado e recebe certo grau de atenção do dono, pronto: está satisfeito!

    Ele não vai buscar mais nada, não vai correr risco de até morrer tentando escalar o Aconcágua ou torrar os miolos querendo achar solução para o caótico trânsito de São Paulo… E a abelha, então? desde que o mundo é mundo, ela faz a sua colméia, com os favos de forma geométrica, para conter esse milagre da química abelhal, que é o mel. Mas, pô… que monotonia, hem?

    Por que uma delas não decide fazer evoluir a colméia, mudar, quem sabe, visando ao custo-benefício, o formato dos favos, introduzir novos sabores, cores e cheiros no mel: Não seria fantástico? Mel cor-de-rosa, com cheiro e gosto de rosa… indicado para lua de mel… mel amarelo, com cheiro e gosto de cravo-de-defunto, para ser oferecido aos participantes de velórios… mel furta-cor, para deputados…
    Não seria legal? Só que isso é humano, jamais partiria de uma abelha, por mais expert em colméias que ela seja.

    Por isso, cada um de nós tem que viver sua busca, na frustração, na agonia e na glória de procurar sem saber bem o quê… E se o artigo a tocou tão fundo, é porque você é você mesma, com sua herança genética e seu meio cultural, e está correndo atrás da sua Passárgada pessoal, tentando ir embora para lá, só falta mesmo saber onde é e achar o caminho.

    E que privilégio, no meio de tantas distrações contemporâneas, poder existir um lugarzinho mágico, onde
    esse grupo de jovens autores do Fashion Bubbles possam reunir-se para tentar encontrar o santo graal, o eldorado, a terra do nunca, enfim, que nome tenha a ânsia por algo mais, pela perfeição, a plenitude que nos faz ser humanos e não nos deixa ficar satisfeitos com o que já realizamos.

    Não quero adotá-la, Emi, não devo, não posso… você tem sua próprias ânsias, seus propósitos de realização, de superação e eles são seus, totalmente seus e enriquecem o Fashion Bubbles justamente pela diversidade. Já pensou, se descobrir o caminho de Pasárgada e dividir com a gente?

    Beijos, Ignez

  4. Vinicius, o que me chamou a atenção no seu artigo sobre o desejo, foi haver sido esse tema o primeiro que estudei na disciplina Filosofia, lá naquele tempo em que eu cursava o 1º ano do 2º grau, no Rio de Janeiro. Até a comparação com o cachorro (mandei em e-mail para Denise) estava lá no texto.

    E com toda a reflexão que vem fazendo, você chegou a ele sozinho! A utopia (ut = nenhum, nada; topos = lugar) é isso mesmo: criarmos um lugar maravilhoso, um sonho tão espetacular, que não é possível alcançá-lo.

    E vive insatisfeito com o que se tem, com o que se consegue realizar.) Infeliz do homem que não deseja algo mais, pobre humanidade se não ansiasse pela plenitude! Mas daí vem também a ambição desmedida, a desonestidade, o crime.

    Foi uma grata surpresa vê-lo realizando “a passagem” para a caverna insondável da busca pela essência humana. Parabéns.
    Da minha parte, é que não foi nada demais: repeti apenas o que estudei, ao responder a seu artigo.
    Continue buscando!
    Ignez

  5. Emi, dentre os talentos de minha mãe está o de desmistificar o conhecimento - ela adora ensinar, tem enorme prazer em transmitir sua imensa bagagem cultural ( e bota imensa nisso!!!!) . Fomos criados em meio a uma infinidade de livros, cada um tinha a assinatura de uma revista; fazendo gincanas da memória e pela proteção dos rios, quando ainda ninguém nem falava de ecologia… Essa é a semente do Fashion Bubbles que lá do interior da Bahia veio brotar em Sampa!

    Ahhh, está adotada e também fazendo história no Fashion Bubbles, pois foi vc quem deixou este blog mais pessoal e comentado!!!

    Do Vini nem vou falar, ele adora escrever e adotou o Fashion Bubbles desde o comecinho, ainda na era dos Bastidores da Moda.

    E quem diria, essa família, cada dia que passa, está maior!!!!

    Bjão , De

  6. Emi quer ser adotada?

    Deixa ver como ficaria…

    Emi Brito Pitta

    É fica bom!!

    Está adotada!
    Mas, como toda família tem regras… Hoje que é quarta-feira é seu dia de fazer a faxina.

    Ass.
    Procurador da família Pitta de Almeida rsrs

  7. Mila,
    Mamis foi na contra-mão da nossa cultura latina, em que a tradição da difusão oral é muito mais forte do que a da escrita (por isso achamos mais fácil entender quando alguém no explica do que quando lemos), ensinando-nos desde cedo que escrever é fácil, gostoso e o meio mais direto de divulgarmos nossas idéias.

    O Fashion Bubbbles é, de certa forma, herdeiro dessa educação!

    E ela também tem o site dela (tá pensando o quê??): História de Barreiras.

    Bubblebeijos,
    eddie

  8. Ahhhh, seus tranqueiras!!! Quer dizer que a “mamis” Ignez é a mamis do Ed e da De? Eita familhinha, hein???? ME ADOTEM!!!!!!!

    Mas, falando sério… O texto do Vini é do cara&¨&&*lho. E você, “mamis”, complementou tudo.

    Ô getinha inteligente. Vou ser que nem vcs qdo. eu crescer (pros lados, pq na minha idade, é o que me resta. Mas, Deus me livre!!!!)

    Adooooro este site. E dorei os textos.

    Bubblebeijos.

  9. Ignês, uau! Que mulher é essa?
    Fabuloso texto.

    Veja só que coisa! Eu aqui me descabelo pensando em coisas inéditas e acabo descobrindo que teve alguém que já me plagiou antecipadamente (Aristóteles, Platão… Quem me dera ter chegado lá…).

    Eu tenho me atrevido a escrever sobre alguns temas profundos porque esta tem sido minha “aventura”, no desconhecido eu.
    Quero compartilhar esta aventura com as pessoas que estão nesta mesma peregrinação. É esta minha motivação. Tomara que esteja incentivando alguém.

    Sobre o Santos Dumont, ele não se suicidou por saber que estavam usando seu invento para a guerra?

    Neste seu texto só o Aurélio salva:
    Vocabulário rico:

    Efêmero: De pouca duração; passageiro, transitório.
    Factível: Que pode ser feito; fazível, exeqüível.
    Fugidio: Propenso a fugas; acostumado a fugir.

  10. Mãe!!!!

    Arrasou! Que linda resposta e que reflexões mais profundas…

    Bjão, Denise

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