O pensamento capitalista, o futuro do consumo e o equilíbrio entre desejo e necessidade - Parte 1/2
Um perfume pode durar em média dois anos para ser criado: seis meses para definir o conceito, um ano para elaborar, selecionar e testar a fragrância, definir o design do vidro e embalagem, fabricar e testar o produto e mais seis meses para construir um plano de comunicação e testar a campanha. Muitas vezes o ciclo de vida do produto é menor que seu tempo de pesquisa e desenvolvimento, uma novidade persegue e substitui a outra e esta política de obsolescência programada determina a própria lógica do luxo e da moda.
A indústria criou inúmeros bens que facilitaram a vida das pessoas e solucionaram problemas da vida cotidiana. O que seria de nós sem as benesses da tecnologia e dos bens de consumo? O consumo não gera felicidade, mas com certeza está na base do hedonismo e da satisfação pessoal do mundo moderno.
Mas, neste momento o consumo passa por uma revisão ética e a necessidade de sermos mais responsáveis nas nossas decisões de compra e consumo é urgente. Não vamos deixar de produzir, comprar e consumir, mas certamente iremos mudar muitas de nossas atitudes e hábitos. A indústria ainda produz muita parafernália e ainda compramos muito por compulsão ou impulso.
Consome-se muita coisa de forma desnecessária e se ‘subconsome’ muito mais, desperdiçando ou jogando fora antes mesmo de consumir.
Como entender esta febre pelo consumo de bens supérfluos? Por que nos especializamos em produzir artigos de reconhecida excelência qualitativa e esmerada construção conceitual e estética, e que parecem, na verdade, totalmente desnecessários? E por que estes objetos, tão caros e valorizados, são tão rapidamente substituídos e parecem perder sua aura diante das mais recentes inovações e lançamentos? Por que compramos e muitas vezes não consumimos?
A utilidade de muitos produtos, novidades de mercado, parecem estar na relação diametralmente oposta a de seu significado. Seu conceito e imagem são mais importantes que suas funções. Grande parte dos novos produtos são objetos de redesign e de reconceitualização contínuas, embora suas utilidades ou funcionalidades permaneçam as mesmas, sem aparente mudanças.
Um perfume, por exemplo, pode durar em média dois anos para ser criado: seis meses para definir o conceito, um ano para elaborar, selecionar e testar a fragrância, definir o design do vidro e embalagem, fabricar e testar o produto e mais seis meses para construir um plano de comunicação e testar a campanha. Muitas vezes o ciclo de vida do produto é menor que seu tempo de pesquisa e desenvolvimento, uma novidade persegue e substitui a outra e esta política de obsolescência programada determina a própria lógica do luxo-moda.
leia também O pensamento capitalista, o futuro do consumo e o equilíbrio entre desejo e necessidade - Parte 2/2.
Por Sérgio Lage
(Sérgio Lage é mestre em Sociologia e Publicidade e Marketing pela USP.
Professor Universitário nas áreas de Antropologia do Consumo e Cultura Material, Tendências, Comportamento e Consumo, Posicionamento Estrátégico de Marca e Consumidores. Sérgio tem ainda uma consultoria na área de Comportamento e Tendências chamada What´Z´on - estudos e idéias. Nas horas vagas, adora escrever textos e crônicas sobre a vida moderna nos blogs Tendências, Comportamento e Consumo, Posicionamento Estrátégico de Marca e Consumidores. Sérgio tem ainda uma consultoria na área de Comportamento e Tendências chamada What´Z´on - estudos e idéias. Nas horas vagas, adora escrever textos e crônicas sobre a vida moderna nos blogs Tendências, Comportamento e Consumo, Posicionamento Estrátégico de Marca e Consumidores. Sérgio tem ainda uma consultoria na área de Comportamento e Tendências chamada What´Z´on - estudos e idéias. Nas horas vagas, adora escrever textos e crônicas sobre a vida moderna nos blogs Alto Valor Agregado e Vidas no Singular. E-mail: sergiolagesp@gmail.com .)




Aug 5th, 2008 at 3:50 pm
Quem é você para dizer isso. isso é asneira, desculpe mas não gostei foi até ofensa.
Jun 25th, 2008 at 10:26 am
A ecologia industrial já demonstrou tb q os produtos já nascem para durar menos do q poderiam.
O q vem primeiro?
Penso q a indústria (empresas) precisa refletir tb sobre sua responsabilidade social.
Responsabilidade social está distante de ser ‘esmola social’.
Jun 25th, 2008 at 8:55 am
Excelente artigo. O comportamento de compra atualmente é muito influenciado pelo caráter simbólico e decidido por impulso em função das necessidades psicológicas (e sociais) do público. Valeria a pena um artigo específico sobre o aspectos psicológicos envolvidos no consumo.