Desde pequena já notávamos sua ambição e capacidade de negociar para conseguir a coisa mais importante para sua vida… naquele momento!
Quando criança tudo o que precisava era uma boneca Barbie. Isto é, uma coleção interminável da boneca incluindo amigos, casas, carros, spas. Mas todos podiam compreender o porquê de realizar este desejo – era a coisa mais importante da sua vida.
Já crescidinha, ficamos muito felizes em perceber seu bom gosto e inclinação para o mundo da moda, MAS seu desejo não saciava nunca. Precisava também de uma Melissinha, vestidos Petistil, celular infantil, a coleção das Garotas Super-Poderosas, mochila da Kipling. Ela era tão bem informada – “Que gracinha!”, todos diziam – já conhecia inclusive o Wii da Nintendo. E dizia: “por favor, isto é muito importante para mim; se eu o tiver vou ser a criança mais feliz do mundo”.
Logo vieram os mini-notebooks, perfumes, ipod… e um dia, um pouco mais crescida, com muito jeito, nos disse que a coisa mais importante da vida não eram todos aqueles objetos de consumo. Ficamos aliviados, até ouvir que o mais importante de tudo era ir para Disney. Como não atender a só mais este pedido? Claro que após a grande festa de 15 anos, com direito a vestido longo – prêt-à-porter e um colarzinho de ouro da Tiffany’s,
Já era uma moça, e não poderia viver sem seu ipod (itouch) e neste momento o Mac book Air da Apple passou a ser o que havia de mais importante na vida. Como era antenada, sabia também dos artigos que Nike havia adaptado para acomodar aquela coisinha linda da Apple, cheia de músicas, fotos e mais.
Depois que ela fez intercâmbio na Europa, juramos não mais ceder à sua sedução, até encontra-la tão triste na véspera de seu aniversário. Aflita, ela tinha um guarda-roupa cheio de roupas, mas nada para vestir. Não poderíamos negar que a coisa mais importante de sua vida seria renovar seu guarda-roupa com algo mais fashion como a nova calça Diesel, a bolsa lançamento da Gucci, um par de sapatos Prada, uma camisa Dolce&Gabana e um casaquinho Chanel. Ela realmente sempre teve muito bom gosto!
Hoje, ela já formada nos Estados Unidos e muito mais amadurecida, mora em um apartamento simples de 450 metros quadrados e depois de viajar por vários lugares do mundo decidiu tirar um tempo para refletir porque anda tão triste e insatisfeita com a vida.
Neste momento de sua vida o que poderia ser a coisa mais importante de sua vida – uma temporada numa estação de esqui na Suíça, ou um retiro espiritual em templo budista no Tibet.
Por que é tão difícil ser feliz?
[Carlos Silva]
- A Filosofia da Qualidade de Vida
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- A liderança e o mundo da idéias. E quem as executa?
- A Arquitetura das Marcas de Luxo
- São Paulo x Cruzeiro ou seria Sanduba de Pernil x Tropeiro na Marmita



Oi Carlos,
Ha mensagens, livros, textos etc que devemos ler mais de uma vez na vida e em momentos diferentes. Este seu texto eh um deles. Acabei de ler e foi como uma “chaqualada” que levei, pois com dois filhos pequenos, a Audrey com apenas 2,5 anos, jah sei o que eh querer fazer todas as vontades e “coitadinha, a Barbie (na verdade a Dora) eh tudo de mais importante para ela e nao custa quase nada…”
O seu texto mostra o quanto pode custar no decorrer de uma vida. Estou jah mudando de atitude e vou deixar meus filhinhos quererem mais do que terem – - afinal de contas, querer algo e sonhar com o objeto de desejo que nao necessariamente venhamos a obter tambem eh saudavel. Seu texto mostra que ter tudo leva a nao querer nada na realidade.
Se eu tivesse lido seu texto num outro momento da minha vida, com certeza concordaria com voce, mas nao refletiriria tanto como agora com dois filhos para criar.
Um abraco,
Andrea
Os comentários são amostra fiel do perfil dos leitores de qualquer publicação. Alguns não conseguem enxergar COMO alguém que tem tudo e não passa por privações pode se dar o luxo de não ser feliz. Outro acredita que não passa de mais um batido clichê da “pobre menina rica”, mas que também poderia ser do “menino pobre em sua jornada na favela”, tanto faz.
Quando li o texto fiquei imaginando a função da sedução do personagem tentando conseguir o básico para sua necessidade, reparo que ele não faz a menor idéia de qual necessidade é esta. Esta personagem assemelha-se como o sobrinho do dono que foi alçado a uma função privilegiada dentro da empresa e não sabe o que fazer com isso. Também imaginei o desespero deste pai/mãe que tenta a qualquer custo satisfazer o filho lhe dando o que há de mais caro e exclusivo em mais uma tentativa frustrada de atender a tal necessidade.
Qual a função que a crônica deve exercer? Quem escreve quer surpreender com uma idéia totalmente nova e revolucionária, quer encontrar pessoas que compartilham do mesmo dilema, quer criar polêmica ou levar o leitor a reflexão.
Acho que conseguiu! Parabéns pelo texto.
Achei esse texto clichê! Desde que me entendo por gente já vejo esse tipo de relato: “tem tudo e não tem nada!” O eterno relato critico sobre a futilidade, sobre o consumismo… Se esse post tivesse sido escrito em um blog de pseudo-esquerdistas, ou de algum estudade de jornalismo de alguma faculdade bege tipo Mackenzie eu além de achar meramente clichê não me surpreenderia nada, pois seria esse tipo de pensamento óbvio que espararia dessas pessoas… Mas é um blog de moda, e é um mercado estigmatizado pela sociedade onde ao pensarem em moda pensam em peruas fúteis viciadas em calmante e anfetaminas… O mínimo esperado seria um debate de como mudar essa mentalidade, e não um reforço de velhas e antiquadas idéias.
Esta garota é ultra mimada… Tem as coisas de bandeja e não dá valor ao que tem, está triste porque é uma idiota.