Resignificando o consumo3 comentários

Por Sergio Lage
Publicado em 02 Dec 2008 at 12:36pm

Nos últimos séculos, a sociedade moderna transformou pessoas em indivíduos, depois as colocou na condição de cidadãos e hoje, os diferenciam ou identificam como consumidores ou clientes. O ato de ter acesso ao mercado e ‘ir às compras’, de certa forma, se tornou mais democrático.

A pós-modernidade gerou uma sociedade de hiper consumo, gerou simulações, excessos e fragmentações, mas também gerou mesmices comerciais e modismos coletivos.

A comunicação publicitária insidiosa e sedutora tornava o ato individualizado da experiência de compra, em uma repetição do sempre igual. A moda cumpria seu papel de tornar uma coisa comum, e a condição comercial do industrialismo de escala gerava a ditadura do mesmo. Um rígido excesso de massificação.

Mas, na verdade, o que nos diferencia não é o ato livre da escolha. Ninguém pode garantir que um objeto ou roupa não seja reproduzido e copiado. A criatividade está na forma inovadora como usamos os produtos e os transformamos em objetos pessoais, únicos e originais.

Não precisamos fazer compras e escolhas para nos afirmarmos como diferença, temos que exercer nosso livre arbítrio e usar, refuncionalizar e resignificar os ambientes e momentos, objetos e coisas em nossas vidas.

A moda precisa retomar seu outro lado: permitir um jogo de aparências, apropriações e interferências pessoais, viver cenários e personagens e usos criativos e múltiplos.

A riqueza de se estudar a experiência do consumo está na forma que as pessoas usam, vestem e semantizam o que compram. Consumir não significa ir às compras com carrinhos e cartões de crédito na carteira. Significa um ato criativo de criar e se apossar de um sentido, uma experiência e criar uma história e uma intimidade particular com as coisas “possuídas”. Mesmo que tenhamos uma coisa única, ela pode ser ricamente transformada em uma imensidão e nos levar a diferentes direções e sentidos.

Articulando

Este vídeo foi  feito em cima da monografia de Aline Ma na Universidade Estadual de Londrina.

Aline Ma (ou Martinez Santos) é formada em Design de Moda pela UEL (Universidade Estadual de Londrina). Especializanda em Gestão em Moda pelo SENAI, estuda texturização têxtil e moulage como suporte construtivo.

Vale muito a pena ver e escutar o que ela tem a dizer sobre a roupa e a condição humana, das novas propostas e inter relações sobre moda e consumo nos dias atuais.

Por Sérgio Lage

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3 comentários

  1. Olá pessoal, que sucesso esse vídeo da Aline, ficou um sucesso!!!
    sucesso p/ vc sergio e p/ aline tb!
    Bjosss

  2. Marcella Pasquini

    Olá!
    Tbm sou estudante de moda, estou no 3º ano, ano que vem tbm faço TCC.

    Semestre passado no interdisciplinar fiz roupas que viravam acessórios.

    Achei IN-CRI-VÉÉÉL!!! este trabalho! O mais imprecionante é como 1, única peça de roupa se trasnforma em inumeras possibilidades!

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