Convite à 29ª Bienal – Um universo de olhares

Convite à 29ª Bienal – Um universo de olhares

O meu olhar – Será arte…

A Bienal não deve ser vista em fotografias. Uma Bienal é para ser consumida pacientemente, navegando entre seus quadros, sons, sensações  e olhares. É ficar imerso nas emoções e expressões, de outro, isto é, do artista.

Ir andando pelas salas, duvidando surpreso que sejam urubus de verdade. Brincar com os objetos, sentar, sentir o cheiro de erva cidreira na almofada, descobrir esta almofada.

Descobrir a própria Bienal. Sair do lugar comum, tendo coragem de experimentar, ouvir, tocar, percebendo o que se passa em você. O objetivo desta exposição não é fora, mas sim uma intervenção mais profunda, que acontece dentro da gente.

Alargar fronteiras e se despir de preconceito e medo, vagando por essa overdose estética, achando feio ou bonito. Sentir aflição e até mesmo se perguntar: será arte?

As fotos não transmitem a experiência de estar lá. Não trazem as músicas, os sons nem mesmo a vergonha de interagir. Elas não passam a sensação de angústia e desespero de entrar em uma sala escura com enormes vídeos com imagens de pedintes e mendigos. O que te causa?  Um arrepio, um frio? Em mim causa medo, desespero!

As fotos também não trazem a magia de entrar num túnel de madeira como se fosse a seiva das árvores. Ou a corrente sanguínea…

A gente chega e fica perdido, não sabe bem para onde olhar, mas já começou…

Odiar algumas instalações como se estivesse odiando algo em você sem ter conhecimento, sim, porque a arte é como espelho de narciso e revela aquilo que  está na sua essência.

Vá a Bienal nem que seja para se rebelar. Se revoltar com aquela sensação de que a arte contemporânea não é arte.  Mas tenha certeza que ela já estará acontecendo, dentro de você.

Este é o meu olhar. Qual será o seu?

Convite à 29ª Bienal – Um universo de olhares
“Há sempre um copo de mar para um homem navegar” – verso do poeta Jorge de Lima

 

Bienal 2010 em Diversos Olhares

  • Olívio Guedes do MuBE (onde está acontecendo a exposição da Bienal do Graffiti). Sobre a Bienal: Chegando aqui encontrei o Agnaldo Farias que é um grande colega,  realmente um grande profissional e como ele mesmo falou, ele conseguiu, junto com a equipe, em um ano fazer o que fizeram. Ou seja, estão de parabéns.  Realmente uma Bienal fantástica, internacional. Não é à toa que estamos em segundo lugar do mundo, primeiro a de Veneza e agora, somos nós. Então é realmente uma Bienal espetacular. Agora gostei principalmente da questão da educação, essa curadoria está importando muito com a questão educacional. Aqui ficam meus parabéns à questão educacional da Bienal, parabéns para eles!
  • Valdemar tem uma esposa artista, freqüenta diversos eventos de arte. Sobre a Bienal. “É muita informação, você leva um choque de várias culturas o que te conduz a uma reflexão em diferentes aspectos. O Gil Vicente trouxe uma polêmica muito legal, já que estamos vivendo um momento de bastante dúvida. Ele está expressando um sentimento que parte da população, que tem dúvida em relação a tudo isso que está acontecendo no mundo e no Brasil.

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  • Eneida Solano do Pólo Cultural de Educação e Arte. “ A Arte no Brasil é uma batalha. Aqui no Brasil tem algumas políticas para cultura, como a Lei Rouanet, mas ainda é muito aquém da necessidade do artista brasileiro.  Sobre a iniciativa do Itaú de patrocinar a Bienal. Acho incrível, excelente. Acho que o  Itaú cultural dá uma colaboração importante dentro da cultura dessa cidade e desse estado. É um espaço onde acontecem muitas coisas interessantes, acabamos de fazer uma palestra sobre direito autoral. O artista, nestes tempos de internet, não  está preocupado com a pessoa que baixa e passa para os amigos , ele gostaria que as grandes empresas,  como as de telefonia, ajudassem a  pagar parte desses direitos autorais. Sobre a Bienal – Está muito interessante, é preciso vir com mais tempo, ela coloca muitos conceitos, mas vamos ver o andamento dela.

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  • Eduardo Petry – Formado em Belas Artes e se dedica exclusivamente a pintura “ Estou com uma exposição, no Shopping Villa Lobos na galeria do Marcelo Neves & Barion, onde podem ser vistos os últimos trabalhos.  No Brasil há muitos artistas bons que se destacam com trabalhos bons. Mas falta oportunidade para mostrar, falta espaço para ele expor esses trabalhos”. Sobre a Bienal . É interessante conhecer um pouco mais da proposta do texto, da proposta da exposição, não dá simplesmente para você visitar uma obra. É interessante saber um pouco mais sobre o artista, o que ele quis dizer. Essa é a parte difícil da Bienal, mas  está muito bem monitorada. Você precisa somar informações para fazer a leitura desta obra.
  • André  Leal –  Sobre a Bienal. A exposição está muito coesa, coerente, não sei se com a temática proposta, mas entre as obras, tem um conjunto muito claro apesar da heterogeneidade e diversidade. A curadoria foi muito incisiva em procurar obras que dialogassem e estabelecessem relação entre si. Para mim é inevitável destacar Bandeira Branca do Nuno Ramos que é um grande resumo da Bienal.

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  • José Roberto – Essa Bienal está muito mais solta, mais leve, você tem trabalhos em que tem a estesia do trabalho, você para e olha, acha feio, acha bonito, são trabalhos imediatos. O que eu acho legal é a junção de grandes nomes históricos, elaborados de uma forma mais apetitosa para o público em geral. As pessoas conseguem captar alguma coisa a mais. O que mais gostei foi o trabalho do Grupo Rex Time, da documentação do grupo, inclusive Wesley Duke Lee, um dos seus personagens morreu, é triste ver, mas é bonito o resgate do tema.

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  • Vera  D. Paginski, sou brasileira, não moro no Brasil, sou gaúcha, saí de Porto Alegre , já há quarenta anos e sou Artista Plástica, faço restauração e tenho uma filha galerista em Portugal . Minha relação com a Bienal: Estou completamente enamorada, muito lindo. E uma das obras mais lindas foi de um menino chamado [Henrique] Oliveira que fez algo no último andar que chama o Terceiro Mundo. Achei tudo muito bonito, mas este especialmente me conquistou.

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  • Luis Arena, arquiteto, leiloeiro e marchand. É muito difícil em poucas palavras tentar conceituar ou contextualizar a Bienal, porque na realidade é difícil você chegar a qualquer comentário que consiga abarcar, tão diferentes tentativas de arte e tão diferentes manifestações. Você tem desde pintura propriamente dita, esculturas, mas o que aparentemente  domina esta Bienal são as instalações, muito uso de imagem projetada e muito conceitual. Ela quase precisa de uma bula para ser lida e essa bula é complicada, porque para cada artista você tem uma leitura, para cada visão tem um contexto de realidade. É difícil exercer uma crítica, seja ela qual for, com uma discrepância tão grande entre trabalhos. Eu acho que o trabalho do Nuno Ramos chama atenção, o trabalho do chinês Ai Weiwei , é muito impressionante, a cabeça dos bichos, que inclusive é um trabalho contextual dentro da cultura chinesa.  Os latino-americanos também estão bem.
    A arte no Brasil e no mundo ficou um pouco fechada a determinados circuitos de interpretação e acho que ela está também muito ligada a questão da mídia, de como a mídia valoriza ou não determinados trabalhos.

“A 29ª Bienal de São Paulo está ancorada na ideia de que é impossível separar a arte da política. Essa impossibilidade se expressa no fato de que a arte, por meios que lhes são próprios, é capaz de interromper as coordenadas sensoriais com que entendemos e habitamos o mundo, inserindo nele temas e atitudes que ali não cabiam e tornando-o, assim, diferente e mais largo.

A 29ª Bienal de São Paulo pretende ser, assim, simultaneamente, uma celebração do fazer artístico e uma afirmação de sua responsabilidade perante a vida; momento de desconcerto dos sentidos e, ao mesmo tempo, de geração de conhecimento que não se encontra em nenhuma outra parte. Pretende, por tudo isso, envolver o público na experiência sensível que a trama das obras expostas promove, e também na capacidade destas de refletir criticamente o mundo em que estão inscritas. Enfim, oferecer exemplos de como a arte tece, entranhada nela mesma, uma política.” (Portal  da Bienal de São Paulo)

Fomos ao coquetel de abertura da Bienal 2010 a convite do Itaú.  Este é o primeiro ano que o Itaú patrocina a Bienal de São Paulo. O evento condiz totalmente com o posicionamento do banco em apoiar a cultura, a educação e o esporte para ajudar a concretizar o sonho de um país melhor.

 

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Por Denise Pitta de Almeida

Publicação: 24 de setembro de 2010

AUTOR

Denise Pitta é digital Influencer e é editora do Fashion Bubbles. Estilista, formada em Moda e Artes Plásticas, atuou em diversas confecções e teve marca própria de lingeries, a Lility. Começou o blog em 2006 e está entre as primeiras blogueiras brasileiras da moda. Também desenvolve pesquisas sobre História e Identidade Brasileira na Moda e Psicologia Analítica. É apaixonada por filosofia, física quântica, psicanálise e política. Siga Denise no Instagram: @denisepitta e @fashionbubblesoficial

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