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Exposição relembra obra radical de Genilson Soares: inovador antes e agora

Exposição relembra obra radical de Genilson Soares: inovador antes e agora

Galeria Jaqueline Martins relembra a obra radical de um pioneiro das instalações no Brasil e apresenta um provocador conjunto de novos trabalhos do artista

  Há momentos que não apenas contribuem de modo decisivo para a identidade de uma época como abrem caminho para férteis desdobramentos na criação artística. Foi isso que aconteceu com a obra “Uma Prancha Encostada na Parede”, de Genilson Soares, apresentada na Bienal de São Paulo de 1973. Embora ainda não existisse a palavra instalação, que a define com precisão na atualidade. Essa obra, acompanhada de um conjunto enxuto e potente de instalações e imagens digitais realizadas recentemente por Genilson, constitui a exposição individual do artista, sob curadoria da crítica de artes Angélica de Moraes, que a Galeria Jaqueline Martins apresenta a partir do dia 22 de outubro.

A exposição, conforme esclarece sua curadora, “visa estabelecer os nexos históricos entre os trabalhos realizados por Genilson Soares nos anos 1970 e sua produção atual, para evidenciar ao público a enorme coerência de propósitos desse artista em plena atividade, que está sempre a propor a subversão do nosso modo de ver as coisas ao nosso redor”. Assim, “o espaço expositivo foi apropriado pelo artista de modo a estabelecer interação entre as peças e, destas, com nossa capacidade de perceber os sutis jogos de planos que ele cria e que costuram todo o percurso da mostra”.

Nos anos 1970, esclarece Angélica, “Genilson criou poderosos instrumentos perceptivos que estabeleciam ilusões de ótica à partir de formas geométricas reais ou virtuais. Essas armadilhas ao nosso olhar ocorriam tanto no ambiente controlado dos espaços expositivos convencionais quanto ao ar livre, em exatas projeções de perspectiva que erguiam sólidos geométricos no ar a partir de linhas traçadas no plano. Na atualidade, o artista produz planos ilusórios a partir de imagens digitais manipuladas eletronicamente”.

As imagens digitais da exposição, que Genilson Soares denomina de “Foto-grafias” para frisar o caráter gráfico de sua intervenção nas imagens, demonstram que seu autor “é um artista sempre ligado na experimentação, atitude que soube traduzir e estender aos recursos expressivos que os meios eletrônicos atualmente oferecem à criação artística”, analisa a curadora.

A série “Foto-grafias”, relata Genilson, nasceu de uma experiência traumática. “No final de 2009, um incêndio no meu estúdio atingiu grande parte dos meus arquivos e obras; o caos que se estabeleceu naquele espaço foi, paradoxalmente, o detonador de uma série de novos trabalhos”. As imagens foram construídas, conta o artista, “a partir de registros fotográficos digitais de pequenas intervenções espaciais e manipulações de peças do local, marcadas pelo grafismo da fuligem nas paredes, que destaquei com edição digital”.

O resultado obtido em “Foto-grafias”, observa a curadora, “é uma forte estrutura gráfica que mantém a sugestão de planos ilusórios, característica do artista, aliada a uma rica exploração de possibilidades de leituras pictóricas”.

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Genilson Soares nasceu em João Pessoa (PB) em 1940. É artista visual com presença na cena artística brasileira à partir da década de 1970, quando protagonizou o experimentalismo que teve na Bienal de São Paulo e no Museu de Arte Contemporânea (MAC-SP, então sob liderança de Walter Zanini) seus pontos irradiadores. Diversos críticos de prestígio, entre eles Vilém Flusser, produziram textos sobre sua obra. Integrou, com Francisco Iñarra e Lydia Okumura, o Grupo Três, autor de performances e instalações efêmeras que figuram na história da então denominada arte de vanguarda e estão documentadas nos acervos do MAC-SP e Museu de Arte Moderna de São Paulo, entre outros. Radicado na capital paulistana desde 1966, Genilson realizou exposições em galerias e instituições como MAM SP e RJ, Paço das Artes (SP), MAC/USP e Pinacoteca do Estado, além de mostras na Alemanha, França e Estados Unidos. Participou de quatro Bienais de São Paulo (1973, 1977, 1981 e 1989) e de duas edições do Panorama da Arte Atual Brasileira (1980 e 1985). Em 2003, sua obra e do Grupo Três foram homenageadas com exposição no Centro Maria Antonia (Universidade de São Paulo).

Serviço

  • Galeria Jaqueline Martins – exposição individual
  • Abertura: 22 de outubro, sábado, 12h
  • Visitação: 22 a 26 de novembro de 2011
  • Horário de Funcionamento:Segunda a sexta, das 11h30/19h; sábados, das 11h30/17h
  • Endereço: Rua Doutor Virgilio de Carvalho Pinto, 74 – Pinheiros/SP
  • Contato: (11) 2628.1943/jaquelinemartinsgaleria@gmail.com
  • Entrada Franca

 

Fonte: Vicente Negrão Assessoria

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