Parte de Amy era minha também

Parte de Amy era minha também

Ainda com preguiça, consegui sair da cama na manhã do sábado passado. Liguei a TV e, em direção ao banheiro, escutara que Amy Winehouse havia sido encontrada morta em Londres. Voltei estarrecido sentei-me na cama. Choque. Havia perdido um ídolo da minha geração.

Meu primeiro contato com Amy Winehouse foi em 2004, em Londres. Estávamos eu e minha irmã num café quando ouvi uma cantora de voz forte, marcante e penetrante. Perguntei quem era e minha irmã respondeu com brilho no olhar: Amy Winehouse. Ela já conhecia e era fã. Foi então que no mesmo dia fomos a uma loja comprar um CD para mim.

Amy Winehouse interpretava músicas sobre temas polêmicos, com toques de baladinha e tons engraçados, como Stronger Than Me e Amy Amy Amy. Talvez qualquer outro intérprete do mesmo estilo musical teria colocado um peso até depressivo sob suas músicas, caso as interpretassem… mas Amy, não. Ela era diferente.

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Foto: 9dades

Gostava daquela imagem de garota-mulher. Era mais encorpada, usava seus cabelos soltos com volume, não tinha tatuagens, suas roupas eram justas, curtas, coloridas e divertidas. Até então, sua vida pessoal não era muito relevante. Apenas a música importava – e ela dava motivos para isso.

Só em 2006 ela lançou um novo álbum. À primeira vista não percebi as mudanças de Amy Winehouse no encarte do cd. Algo em sua feição estava diferente, mas sua música continuara a mesma: divertida, forte, animada, autobiográfica, dançante e comovente.

Como dito, sua estética mudara drasticamente. O visual Pin-up havia sido adotado. Emagreceu. Tatuagens adornavam seu corpo. No palco, vestidos femininos e saltos altos; no dia a dia, calças justas, regatas e sapatilhas de balé. Independentemente de estar no palco ou não, Amy sempre se apresentava com a signature-eye-makeup e o cabelo montadíssimo.

Seu comportamento ficara mais exposto assim como sua vida pessoal. Sob o holofote da mídia, seu namoro com Blake Fielder-Civil rendia muitas noticias, assim como seu comportamento lady-rebelion. Aí consegui enxergar que Black to Black era praticamente uma autobiografia do cotidiano da cantora em diversas situações familiares, amizades e de seu conturbado e dicotômico relacionamento com Blake.

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Foto: Agência de Internet

Noite após noite, bar após bar, escândalo após escândalo… os acontecimentos da sórdida e, porque não, triste vida de Amy se pronunciavam. Era normal vê-la bebendo durante os shows. Uma taça de vinho ao longo dos anos se tornou duas, três, quatro garrafas durante uma apresentação. O poder de sua voz era contraposto por murmúrios. Suas dancinhas se tornavam estáticas. Suas produções passaram de vestidinhos para shorts jeans e regata suja. A conversa com o público passou de brincadeiras para ofensas. Na mídia era somente Amy bêbada, drogada, viciada, esquelética, escandalosa…

Para alguns, o comportamento de Amy era legal! Mais fantástico do que suas músicas em si. A cantora que canta doidona de tudo que é ilícito. Ela fazia apologia às drogas? Acho que não, mas todos sabiam o que ela usava e achávamos aquilo tudo admissível.

Nunca se ouviu falar dos fãs pedindo e intervindo para que ela ficasse sóbria e voltasse aos seus dias de glória. Pelo contrário, a maioria queria ver Amy alterada. Não me esqueço de que quando ela veio ao Brasil, todos estavam ansiosos para o show. No dia seguinte, como previsto por alguns, protesto geral: “Amy drogada, quero meu dinheiro de volta! Show de mer…Não cantou nada! 12 músicas? 12 músicas? Cadê a simpatia? Cadê a voz dela? Me arrependi total! Essa ai já não esta mais entre nós”, e por aí vai.

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Foto: Boyish ‘n Girly

Longe de mim pregar o discurso “coitada dela”, como muitos estão fazendo, até mesmo porque ela era inteligente, tinha família, pessoas próximas que se importavam com ela e sabia muito bem das consequências de seus atos. Esse luto generalizado, essa pena repentina é querelante, já que em vida muitos não davam muito valor a uma cantora de talento ímpar. Porque o fariam depois da morte? Comoção piegas cansa.

E as comparações? “Quem a substituirá? Adele?”. Quanta besteira junta! Ninguém substitui ninguém e muito menos a Amy Winehouse. Cada artista tem seu espaço.

E a causa de sua morte? A essa altura essa informação faz alguma diferença? Não faz e não fará.

Por que a morte de Amy tocou tantas pessoas? Talvez pelo fato de que, apesar das inúmeras diferenças, todos passamos por situações parecidas: somos da mesma geração, na qual drogas e bebidas são extremamente acessíveis, temos relacionamentos conturbados, corações partidos, família super-protetora, amigos problemáticos e um porção de outras temáticas.

Se já sentíamos falta de Amy Winehouse em seus dias de glória… agora, então, nem se fala.

Finalmente, fique em paz.

Por Fábio Lemes-Coimbra

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Foto: 9dades

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Fotos: Na cara e Blog do Dito

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Foto: Webs

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Foto: 9dades

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Fotos: O minuto do saber e Miscelânea

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Foto: 9dades

Discografia

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CD Frank – Amy Winehouse via Submarino

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CD Amy Winehouse – Back to Black via Submarino e Top Joy

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DVD Amy Winehouse – I Told You I Was Trouble – via Submarino. Amy Winehouse: Biografia, via Submarino e Amy, Amy, Amy: A História de Amy Winehouse

Foto de abertura: Amy Winehouse

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Publicação: 28 de julho de 2011

AUTOR

Fábio Lemes-Coimbra é Internacionalista e Empresário. Possui MBA em Gestão de Negócios, Comércio e Operações Internacionais pela Fundação Instituto Administração – FIA – USP e MA em Negócios Internacionais pela Université Pierre Mendès, na França. O interesse pela moda é hereditário: é filho de mãe estilista e colecionadora de moda. Escola São Paulo, Ecole Lesage, Central St. Martins são instituições de ensino por onde já passou. Presta consultorias nas áreas de exportação e desenvolvimento de produto para marcas de moda e acessórios. Possui paixão por culturas internacionais, fotografia e moda como arte.

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