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Um desabafo sobre Eliana Tranchesi

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Um desabafo sobre Eliana Tranchesi

É impressionante como uma notícia pode gerar tantos e distintos sentimentos.

Hoje, ao ler que Eliana Tranchesi havia falecido, fiquei triste. Lembrei imediatamente das vezes que estive perto dela. A primeira e mais marcante foi quando fui procurar um vestido branco para minha irmã usar em seu casamento. Cheguei tarde a Daslu pois havia pego muito trânsito. Para minha surpresa, ela em pessoa me atendeu durante toda visita a loja.

Outras pessoas não sentiram ou sentirão sua perda. O que choca mesmo são as atitudes e depoimentos como “Bem feito! Foi tarde! Bandida! Deveria ter morrido na cadeia!”. Essas afirmações me preocupam muito.

Uma das coisas que as pessoas negativas tendem a esquecer  é que Eliana Tranchesi foi o principal rosto de um time empreendedor que levou um negócio de família iniciado informalmente a um dos maiores casos de negócios brasileiro – um império de luxo chamado Daslu. Poucos sabem ou se lembram, mas a Daslu foi pioneira em trazer e disseminar marcas de luxo no Brasil.

Foi Eliana Tranchesi e seu time que pediram, e até mesmo imploraram pelo voto de confiança no mercado e público brasileiro, comprovando a potencialidade de clientes daqui. Quando o Brasil possuía uma barreira tarifária e de impostos maiores do que as atuais e um protecionismo com os produtos internos… foi a Daslu que se empenhou para que isso fosse, aos poucos, revertido.

Outro fato que comprova o pequeno grau de observação analítica dos fatos pela maioria negativa, foi a Operação Narciso de 2006. Aquele esquema cinematográfico, midiático e hilário de policiais federais para prender quatro pessoas? O que a Eliana e os condenados fariam? Fugiriam com o helicóptero suspenso da loja? Engraçado é que para traficantes de armas e/ou drogas, comerciantes de artigos falsificados e políticos corruptos… esse esquema é inédito até hoje.

Alguém se recorda dos escândalos políticos do Mensalão e dos Sanguessugas? Coincidentemente aconteciam na mesma semana em que Eliana e seu time fora detido. Pergunto: alguém, além de mim, tem a certeza absoluta de que a operação cinematográfica chamada Narciso contra a Daslu foi somente algo para reverter a atenção e abafar um pouco a operação do Mensalão e dos Sanguessugas? Isso ninguém se lembra. Na semana seguinte, o Mensalão e o Sanguessugas não eram mais mencionados na mídia.

Um desabafo sobre Eliana Tranchesi

A Daslu e seus responsáveis receberam a penalidade que lhes cabiam e a justiça foi feita. Receberam suas sentenças pelos crimes atribuídos pela loja. Se respondem em regime de Hábeas Corpus ou não, em prisão domiciliar, isso é um problema da justiça que concede essa possibilidade. Não concorda com isso? Vire jurista e mude a lei. Qualquer advogado que faz jus às atribuições da lei consegue o mesmo. Não culpem os bons advogados.

Alguns ainda vão pensar: “Ela deveria pagar pelo crime que cometeu. Bandida!”. Com a maior calma do mundo eu replicaria: ela e os envolvidos pagaram – e ainda estão pagando – por sua sentença. Nenhum cliente era obrigado a comprar na Daslu. Então se você era ou ainda é consumidor da loja e se sentiu lesado em qualquer momento… lamento.

Chocam-me os comentários de ódio. De verdade. É uma falta de humanidade muito grande. Seis anos de batalha contra o câncer não foram fáceis para ela, para os familiares e amigos. É uma doença muito séria, avassaladora, triste e que deve ser vista com compaixão por todos. O mesmo diria de uma mãe que deixa três filhos.

Defendo a empresária, mãe, entusiasta e singular brasileira. Se não a respeitam como profissional, respeitem-na como ser humano, mãe, amiga e mulher.

Sinto pelo seu falecimento. Meu sincero apoio para os familiares e amigos que ela deixou. Fique com Deus, Eliana, e finalmente descanse com a paz que lhe é devida.

Um desabafo sobre Eliana Tranchesi

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Daslu em números

Fotos: Veja

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Fábio Lemes-Coimbra é Internacionalista e Empresário. Possui MBA em Gestão de Negócios, Comércio e Operações Internacionais pela Fundação Instituto Administração – FIA – USP e MA em Negócios Internacionais pela Université Pierre Mendès, na França. O interesse pela moda é hereditário: é filho de mãe estilista e colecionadora de moda. Escola São Paulo, Ecole Lesage, Central St. Martins são instituições de ensino por onde já passou. Presta consultorias nas áreas de exportação e desenvolvimento de produto para marcas de moda e acessórios. Possui paixão por culturas internacionais, fotografia e moda como arte.