Uma reflexão sobre a Páscoa nos encontros e desencontros das tradições

Uma reflexão sobre a Páscoa nos encontros e desencontros das tradições

Vamos nos debruçar nas tradições e saber mais sobre as convergências do simbolismo da páscoa. Esta semana celebraremos com um pedaço de Matzot e também com ovo de Páscoa uma antiga tradição Judaico-Cristã, cujo significado é “transformação”, a passagem para uma nova vida.

Pessach

Pessach, a Páscoa para os Judeus, nos remete há mais de 3000 anos, quando o povo escolhido foi escravizado no Egito pelo faraó Ramsés II. Moisés, um simples pastor judeu ungido por D’us (Deus), teve a missão de pedir ao faraó que libertasse seu povo. Moisés não teve êxito nesta missão, então D’us lançou 10 pragas sobre o Egito.

O faraó somente concordou libertar o povo de D’us após a 10a praga diretamente: “morte ao primogênito” – que significava que o primeiro filho nascido de cada família seria morto. Os Judeus foram instruídos a marcar suas casas com sangue de cordeiro sacrificado, como forma de distinguir onde a praga seria lançada. Esse ato ficou conhecido em hebraico como “Pessach”, que significa passagem – para que a praga passasse pela casa dos judeus e seus primogênitos não fossem mortos.

Uma reflexão sobre a Páscoa nos encontros e desencontros das tradições
Foto: sfgate

Quando finalmente o faraó concordou em liberar os judeus, os mesmos fugiram tão rapidamente que esqueceram de levar o fermento para fazer pão. Ainda que tenha concordado em liberar os judeus, Ramsés ordenou que seus soldados os perseguissem em sua fuga. Moisés os guiava e quando chegaram ao Mar Vermelho, todos acharam que seriam capturados, mas Moisés em sua incansável fé, ordenou que o Mar se abrisse, permitindo que os judeus atravessassem sem nenhum risco. O Mar Vermelho fechou-se em seguida, impedindo a passagem dos soldados de Ramsés. Durante o tempo em fuga, guiados por Moisés, os judeus comiam pão assado ao sol, sem fermento. Esse pão conhecido como Matzot (pão azimo).

Os judeus passaram então a celebrar essa parte de sua história chamando-a de Pessach (Páscoa) como forma de lembrar sua passagem, ou transformação, da vida escrava à libertação. Entre outras coisas, durante a semana de Páscoa judaica os seguidores dessa cultura comem pão assado sem fermento, o Marzot, como uma forma simbólica de relembrar esse momento.

Uma reflexão sobre a Páscoa nos encontros e desencontros das tradições
Foto: Rydeng’s Blog

Uma reflexão sobre a Páscoa nos encontros e desencontros das tradições

Foto: Fist News

Páscoa Cristã

Há 2000 anos, Jesus de Nazaré entrou em Jerusalém montado em um burrico e acompanhado de um grupo de homens e mulheres que traziam ramos de palmeiras como forma de saudá-lo. Esse dia ficou conhecido como Domingo de Ramos. Aquele domingo foi o primeiro dia da semana de celebração do Pessach, a grande festa judaica, em Jerusalém. Jesus entrou em Jerusalém após passar 40 dias no deserto jejuando, período que ficou conhecido como Quaresma e representa um período de observância, retiro e reflexão sobre si mesmo e sobre seus atos com os outros.

A semana que Jesus passou em Jerusalém ficou conhecida como Semana Santa e marca a paixão de Cristo. Naquela semana Jesus expulsou os vendilhões do templo como forma de marcar o lugar como sagrado para orações e reflexões e não para se fazer comércio. Jesus ceou com seus discípulos na principal noite do Pessach e, em um ato de humildade, lavou-lhes os pés. Naquela mesma noite, hoje conhecida como quinta-feira santa, Jesus foi preso e, na sexta-feira, crucificado e morto. No terceiro dia após sua morte, Jesus ressuscitou e juntou-se mais uma vez aos seus discípulos, reafirmando a mensagem de amor por todos.

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Fotos: Idiamante e Secretariado Musica

Amor ao próximo – essa é a mensagem que pautou sua existência. O Domingo da ressurreição passou a ser conhecido como a Páscoa Cristã e marca a passagem, ou transformação, da morte à vida eterna. Os cristãos celebram a esperança por uma vida repleta de paz após a morte.

Há muito tempo existe uma tradição entre os cristãos na qual ovos de chocolate são oferecidos aos seus familiares e amigos no domingo de Páscoa Cristã. A tradição dos ovos carrega muitas versões, uma delas é que dentro do ovo há uma nova vida, sendo que a vida é o mais precioso presente de Deus. Ressuscitando para uma vida nova, Jesus revela a promessa de um futuro cheio de alegria e felicidade para que os que têm fé e esperança. Daí a associação do ovo à Páscoa: a Ressurreição de Jesus.

Com o espírito de amor e generosidade, e respeitando as tradições independentemente de nossas crenças, gostaríamos de celebrar com cada leitor a Passagem e Transformação de nossas vidas que depende fundamentalmente de nós mesmo. Precisamos estar dispostos a morrer simbolicamente para renascer e este processo não acontece em 40 anos, 40 dias ou em uma semana – mas a cada dia que nos propomos a amar e ser protagonista da própria vida.

Uma reflexão sobre a Páscoa nos encontros e desencontros das tradições
Foto: iFree Wallpaper

Foto de abertura: Camelia de Pedra

 

Publicação: 4 de abril de 2012

AUTOR

Psicanalista e economista, com pós-graduação em Administração pela USP e Marketing pela ESPM. Tem MBA em Gestão Internacional pela Thunderbird School of Global Management‚ Arizona‚ USA e formação nas áreas de Psicologia e Filosofia.

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