A matemática nos jogos da vida

A matemática nos jogos da vida

Role dois dados, qual resultado você gostaria de sortear? Seis-seis?

Sempre apostamos no maior, esta é a combinação que mais agrada aos olhos. O resultado que é desafiador e mais difícil. Quantas vezes é preciso lançar os dados para chegar no perseguido seis-seis?

Lance uma, duas, três,… vinte vezes. Quantas jogadas serão necessárias para conseguir o resultado esperado? Todas as outras vezes com resultado insatisfatório são dispensáveis? Nada valeram? Sem manipulação é impossível que todos os lançamentos sejam iguais, portanto, cada tentativa – ainda que lhe tenha parecido “dispensável” – foi o caminho para completar o intervalo necessário e atingir o almejado seis-seis.

Na nossa vida para chegarmos à compreensão ou somente a percepção, também jogamos dados em busca de um resultado melhor. Os dados, neste caso, são mais complexos e tem muito mais lados do que um cubo e por isso o número de vezes que os lançamos – ou que lançam para nós – tem um intervalo mais longo, até o resultado esperado.

É o caso de escutarmos a mesma ladainha por centenas de vezes, até decoramos o discurso. Escutamos, mas não ouvimos. Pode ser um pedido para deixar de beber, para ser mais ambicioso, dar mais atenção, ser mais romântico, fazer uma manutenção no imóvel…

Neste “dado” multifacetado não seria normal um número realmente grande de lançamentos até atingir o resultado ideal?
Quais seriam as chances verdadeiras de numa primeira jogada acertar? Da mesma forma, qual seria a chance de lhe propor uma mudança, seja ela qual for e você incorporar sem questioná-la? Será possível agregar uma mudança significativa em sua vida, sem ponderar o novo ponto de vista? Será que não é, no mínimo bom senso, avaliar a nova proposta?

O problema é que por algum motivo você faz o que faz ou age de tal forma, porque aprendeu desta forma e no seu aprendizado, a forma que você faz é a maneira correta. Como desacreditar desta crença de uma hora para outra e passar a fazer diferente?

É uma questão de ousadia, de coragem e principalmente de desconforto. Pode-se  partir do desejo genuíno de querer mudar o resultado ou para aliviar o saco-cheio de tanto ouvir. A questão é que você quer retomar aquilo que hoje está desgastado e se arrastando, por aquilo que um dia já foi bom. É possível? Queremos que seja. É a esperança que nos faz jogar o dado mais uma vez, mais uma vez e mais uma vez… Uma perfeita dízima periódica.

Para tornar tudo mais complexo, relacionamentos não são ciências exatas, por isso torna-se difícil elaborar uma fórmula perfeita para resolvê-los. Uma coisa é certa. Podemos pensar em algumas situações de forma igual a que resolveríamos as questões matemáticas. Estou falando de elaborar nossos anseios em forma de equação. Com algumas variáveis de um lado que devem ser igualadas com um resultado do outro lado, ou o tal valor do “X”.

Na matemática 2+2=4 qualquer resultado diferente deste, está errado. Nos relacionamentos o que seria “dois” + “dois” que equivaleriam ao resultado “quatro”? Proponho elaborar da seguinte maneira: começar pelo resultado, em vez do “quatro”, qual o resultado que você quer?

Divertir-se? Ter segurança? Uma família harmoniosa? Um marido ou mulher importante? Não importa sua resposta, seja ela qual for, o importante é que será o resultado da adição. Em outras palavras: X + X = sua resposta.

Como você tem montado a equação da sua vida?

Ele (a) é pouco ambicioso, não tem iniciativa? É maravilhoso e compreensivo? É desleixado e não asseado? É zeloso com a família e carinhoso? É excessivamente ciumento e não se preocupa com seu prazer? É preguiçoso e irresponsável? É divertido e amável? É distante e pouco sociável? É incentivador e parceiro? Não aceita sugestões para o programa de fim de semana e prefere a televisão? É educado e inteligente?

Como se vê, cada “Xis” pode assumir um sem-número de variáveis. Substitua as variáveis pelos “Xis” da equação e veja se o resultado será igual a sua resposta:
Carinhoso + Companheiro + Sincero =  Bom marido.
O “jogar dados” tem uma função fundamental: atingir um resultado que seja ideal e para isso se precisa de persistência e não de teimosia. É sem dúvida, um jogo árduo e muitas vezes longo. A equação não fica simples assim… Quem dera ficasse! Será que pode ficar desta forma?

Trabalhador + Bom pai + Divertido (-) Infiel (-) Mentiroso (-) Mal Amante = Seu parceiro atual.
Será desesperador quando as variáveis negativas são tantas que simplesmente o resultado fica o oposto daquilo que se espera de um companheiro (a), apesar do amor. Mas como saber quanto vale cada “X”, tanto os positivos, quanto os negativos? Como colocar um valor para cada item? Qual seria um resultado aceitável?

Em tudo isso só tem um probleminha… Quando você estipular os valores para cada item, lembre-se de que eles também podem ser variáveis. Depois de uma briga ou por outro motivo qualquer, o negativo pode ser potencializado de forma injusta. Desta forma como atribuiria os maiores valores? O que pesaria mais? Os itens positivos ou negativos?
E assim vamos rolando os dados… Se ainda vale a pena jogá-los, é porque há algo que continua valendo o risco de viver este intervalo necessário. Vamos resolvendo as equações, afinal, faz parte do processo de evolução ajustar as variáveis, até chegar no objetivo final. Seja nos jogos da vida ou na matemática!

A matemática nos jogos da vida

Por Vinícius Moura (vncsmoura@gmail.com )

Publicação: 15 de março de 2008

AUTOR

Vinicius é empresário do setor de auto-peças.

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