Aparelhos eletrônicos e a Terceira Revolução Industrial – Saiba como tudo isso pode interferir em sua vida

Aparelhos eletrônicos e a Terceira Revolução Industrial   Saiba como tudo isso pode interferir em sua vida

Reflexões sobre a era da Informação e a relação entre o homem e suas fábricas baseado no filósofo Vilém Flusser, no livro O Mundo Codificado. Segundo ele vivemos a terceira Revolução Industrial que vem resultando na “Sociedade da informação”. Entenda estas transformações tecnológicas através de breve história da humanidade pela perspectiva da produção dos seus objetos e bens de consumo e sua influência na construção da sociedade contemporânea.

Passamos por uma transformação tão grande no século 21 que equivale a uma nova Revolução Industrial, só baseada em tecnologia e conhecimento.

Para o filósofo contemporâneo Vilém Flusser, no livro O Mundo Codificado, o homem pertence àquelas espécies de antropoides que fabricam algo, designados por ele Homo faber. Quando encontram resquícios de hominídeos, geralmente nas proximidades encontram também algum local de produção de artefatos (fábrica) exercida por esse hominídeo. Pode-se reconhecer o homem por suas fábricas. Para investigar como vivia, pensava, sentia e sofria o homem do neolítico, não há nada mais adequado que estudar detalhadamente as fábricas de cerâmica. Assim, se pesquisa as fábricas para identificar o homem.

Se considerarmos então a história da humanidade como uma história de fabricação, torna-se possível distinguir, os seguintes períodos: o das mãos, o das ferramentas, o das máquinas e o dos aparelhos eletrônicos.

Uma vez que as mãos humanas, assim como a dos primatas, são órgãos próprios para girar, podemos considerar que esses artefatos produzidos pelo homem são como imitações das mãos, como próteses que prolongam seu alcance, ampliando informações herdadas geneticamente graças às informações culturais, adquiridas. Portanto, as fábricas são lugares onde aquilo que é dado, é convertido em algo feito. As fábricas são lugares em que os homens se tornam cada vez menos naturais e cada vez mais artificiais.

Um sapateiro não faz unicamente sapatos de couro, mas também, por meio de sua atividade, faz de si mesmo um sapateiro.  Assim as fábricas também  são lugares onde são produzidas novas formas de homens: primeiro, o homem-mão, o homem-feramenta, em seguida, o homem-máquina e, finalmente, o homem-aparelhos-eletrônicos que dará origem ao homem-conectado. Essa é a história da humanidade!

Na primeira Revolução Industrial, o homem substitui a mão pela ferramenta. Rodeado de machados, pontas de flecha, facas, agulhas, resumindo, de cultura, já não se encontra no mundo como em sua própria casa. Ele está alienado do mundo, protegido e aprisionado pela cultura.

A segunda Revolução Industrial, em que substituiu a ferramenta pela máquina, ocorreu a pouco mais de duzentos. As máquinas são ferramentas projetadas e fabricadas a partir de teorias cientificas, e exatamente por isso são mais eficazes, mais rápidas e mais caras.

Quando se trata de ferramenta, o homem é a constante e a ferramenta, a variável: o alfaiate senta-se no meio da oficina e, quando quebra uma agulha, a substitui por outra. No caso da máquina, é ela a constante e o homem a variável: a máquina encontra-se lá, no meio da oficina, e se, um homem envelhece ou fica doente, o proprietário da máquina o substitui por outro. A segunda Revolução Industrial expulsou o homem da sua cultura assim como a primeira o expulsou da natureza, e por isso podemos  considerar as fábricas mecanizadas uma espécie de manicômio.

Já a terceira Revolução Industrial, aquela que implica a substituição de máquinas por aparelhos eletrônicos, ainda está em andamento, e seu final não é passível de ser visto. Por isso perguntamos: como será a fábrica do futuro?

Levando em conta que ferramentas imitam a mão e o corpo empiricamente; as máquinas, mecanicamente; e os aparelhos eletrônicos neurofisiologicamente, a fábrica do futuro será certamente muito mais compatível que as atuais, e sem dúvida reformulará a relação homem-ferramenta. Pode-se, portanto, esperar que a louca alienação do homem com relação à natureza e à cultura, atingiu o grau máximo na revolução das máquinas. A fábrica do futuro não mais será um manicômio, mas um lugar onde as potencialidades criativas do Home faber poderão se realizar.

O homem pré-histórico, não fixava lugares para a fabricação, produzia em qualquer lugar. Com a invenção das máquinas essa arquitetura tem que mudar, pois, já que a máquina deve estar situada no meio,  dura mais e tem maior valor que o homem, fazem surgir agrupamentos significativos de máquinas. Em rede, conectadas entre si, se unem formando parques industriais.

Entretanto, essa estrutura mudará radicalmente em função dos aparelhos eletrônicos. Mais adaptados ao uso, menores e mais baratos que as máquinas e ainda por cima conectados entre si através da Internet.

A Internet é o maior conglomerado de redes de comunicações em escala mundial, ou seja, vários computadores e dispositivos conectados em uma rede mundial e dispõe milhões de dispositivos interligados pelo protocolo de comunicação TCP/IP que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados. Ela carrega uma ampla variedade de recursos e serviços, incluindo os documentos interligados por meio de hiperligações da World Wide Web (Rede de Alcance Mundial), e a infraestrutura para suportar correio eletrônico e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos, incluindo os audiovisuais, segundo a Wikipédia.

Á primeira vista é como se estivéssemos retornando à fase de fabricação anterior às ferramentas. Exatamente como o homem primitivo, que sem mediação alguma apreendia a natureza em suas mãos, graças a elas, podia fabricar algo, em qualquer hora e lugar. Graças aos aparelhos  minúsculos e até invisíveis, todos conectados com todos onde e quando quiserem, por meio de cabos reversíveis, todos poderão se apropriar das coisas existentes,  transformá-las e utilizá-las.

Como os aparelhos eletrônicos exigem um processo de aprendizagem ainda mais abstrato e o desenvolvimento de disciplinas que de modo geral ainda não se encontram acessíveis. A rede telemática que conecta homens entre si e também com os aparelhos resultará no processo de desmaterialização das fábricas e pressupõe que todos os homens devam ser competentes o suficiente para isso. Mas não se pode confiar nessa pressuposição.

Pode-se imaginar qual serão os aspectos das fábricas do futuro; serão como escolas. Mas segundo as ideias clássicas a fábrica é o oposto da escola: a escola é o lugar do ócio, da contemplação, e a fábrica, o lugar da perda da contemplação; a escola é nobre, e a fábrica, desprezível. Mas, enquanto a escola e a fábrica estão separadas e se depreciam mutuamente, governa a maluquice industrial.

Agora começa a desvelar-se o erro fundamental entre estes dois conceitos e enquanto os aparelhos eletrônicos continuam expulsando as máquinas, fica evidente que a fábrica não é outra coisa senão a escola aplicada, e a escola não é mais que uma fábrica para aquisição de informações. E somente nesse momento o termo Homo faber adquire total dignidade.

A fábrica do futuro deverá ser o lugar em que o Homo faber se converterá em Homo sapiens sapiens, porque reconhecerá que fabricar significa o mesmo que aprender, isto é, adquirir informações, produzi-las e divulgá-las. Este processo já está em andamento quando você pesquisa algo no Google, monta um blog, ou alimenta suas redes sociais, o que nos tem caracterizado como a “Sociedade da Informação”, e quem sabe resulte na “Sociedade do Conhecimento” (knowledge society).

Leia também: A nova Revolução Industrial e a Era do Conhecimento – Entenda as novas formas da Riqueza

Reflexões de Vilém Flusser, no livro O Mundo Codificado.

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Publicação: 27 de março de 2014

AUTOR

Denise Pitta é digital Influencer e é editora do Fashion Bubbles. Estilista, formada em Moda e Artes Plásticas, atuou em diversas confecções e teve marca própria de lingeries, a Lility. Começou o blog em 2006 e está entre as primeiras blogueiras brasileiras da moda. Também desenvolve pesquisas sobre História e Identidade Brasileira na Moda e Psicologia Analítica. É apaixonada por filosofia, física quântica, psicanálise e política. Siga Denise no Instagram: @denisepitta e @fashionbubblesoficial

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