Comportamento Empreendedor – Como funciona a mente e as angústias de um empreendedor

 

Comportamento Empreendedor   Como funciona a mente e as angústias de um empreendedor
A vida de duas “plaquinhas”

Por Vinícius Moura

Tudo começou com duas placas que se conheceram no jardim da infância. Naquela idade eram absolutamente iguais em seus tamanhos, formas e objetivos, possuíam também os mesmos conteúdos. Indicavam “Vá para aquele lado, o nome de uma rua, vende-se…” eram placas manuscritas, providas de nenhuma sofisticação e fixadas num mastro por pregos.

E como o tempo passa – inclusive para as placas… Em plena puberdade estas plaquinhas começaram a perceber que o ideal de uma placa era mesmo – até então – somente informar. Os antepassados das placas haviam vivido e informado por toda vida, era portanto, muito difícil sequer formular uma pergunta acerca do porquê de mudar esta realidade.

A vida devia seguir como sempre seguiu, mas um certo incômodo começou a transformar uma delas. E exatamente assim, movida por um desejo incomum de se tornar diferente, um incômodo que não a deixava em paz ela se tornou a primeira plaquinha empreendedora da história. E se tornar diferente foi seu primeiro desafio.

Percebeu rapidamente que ser diferente é também atrair preconceitos e espalhar estranheza por onde quer que ela fosse. Mas decidida que era, compartilhou seu sonho com a amiga. Esperava que ela talvez lhe tivesse alguma estratégia (ou incentivo) para seu plano. Não tinha. Ser o primeiro, ela também percebeu, é desbravar um caminho que ainda não existe. Apesar do entrave, não as impediu de serem amigas e de seguirem vida afora informando até que pelo menos uma ideia criativa surgisse.

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Já jovenzinha começou a procurar um novo sentido para a vida. Informar simplesmente era comum demais, ela queria algo que seus pais e avós ainda não haviam pensado ou vivido, que a afugentasse do destino previsível de todas as placas. As placas – só para lembrar – bem diferente dos homens, nascem com a certeza de que elas têm que servir para algo. Devem ter pela natureza da sua concepção uma utilidade. Nascem com um propósito. Os homens descobrem isso muitos e muitos anos mais tarde – alguns não descobrem nunca. Mas, como seria o novo sentido da vida para uma placa? Aliás, sendo assim, para quê mesmo nasce o homem? O certo incômodo persistia e atrapalhava a rotina.

 

As placas devem informar, indicar, esclarecer… Este, até então, é o objetivo de vida para qualquer placa. E quando tudo parece claro, obvio, determinado e imutável, assim como na vida dos homens, a placa incomodada com sabe-se-lá-com-o-quê, parte para a busca visionária de um novo rumo para sua existência. É aí que começa a complicar tudo. Nascia assim a ambição. Dá uma conotação ruim a palavra ambição? E o que seria da vida sem a ambição? O progresso do cotidiano das placas foi tocado por isso. E é neste ponto onde tudo que tinha sentido absoluto e irretocável começou a ser desmontado. O que era apenas informar passa agora para a necessidade de ser vista.

A plaquinha deixa para trás sua vida simplória, deixa de satisfazer apenas a necessidade e passa a desejar ser mais do que uma simples informação. Agora ela queria ser…

Já a placa amiga sempre conformada com a vida. Resolveu se mexer e foi transformando a busca da amiga numa competição. A competição foi alimentada pelo desejo de poder (de aparecer), que por sua vez teve como combustível a citada ambição. E não é que as placas começam a tornar a vida mais grandiosa e desafiante? Mas, como começariam esta revolução no mundo das placas? Neste novo mundo empreendedor a única coisa que elas tinham demais era dúvidas e perguntas. E naufragadas neste mar de confusão buscaram soluções: se uma placa é igual a outra, como fazer para que eu seja vista?

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Algo de dolorido e necessário começa a se mexer na mente e corações daquelas amigas. Um embate de sentimentos e culpas começa a se formar. O medo de deixar a vida conhecida e de se separar em algum momento da plaquinha amiga começa a pesar nas decisões. Afinal, como eu seria uma placa diferente de todas as outras que foram iguais desde o início dos tempos? Aquela placa que eu sempre admirei como companheira e exemplo não se sentiria traída? Como farei para me tornar diferente? Nasci placa e como o mandamento no mundo das placas o destino traçado é informar. Como farei?

A placa amiga percebe que a companheira passa por uma fase de grande transformação e de muitas angústias. E como uma boa amiga ela se estica, ergue-se no mastro e tenta consolar a companheira lhe oferecendo o ombro. Vendo a colega maior e mais alta num insight, numa fração de segundo a placa sonhadora acomodada nos braços da amiga dá um pulo e descobre a grande sacada: criar diferenciais. E sai pulando e gritando “São os diferenciais. É isso!”. O que será que ela quer dizer com isso? – pensou a amiga.

Precisou de poucos dias para que nos seus enunciados se verificasse algo novo. Algo de sutil e mais humano. As mensagens agora falavam com mais sentimento, as palavras iam direto ao coração do leitor: “Fique comigo”; “Nunca me abandone”; “ Compre-me”. Ela passou a ser mais notada e comentada, se tornou rapidamente uma placa popular.

E este foi o primeiro avanço para o novo sentido da vida das placas. E de repente, toda comunidade foi contagiada pelo desejo de também ser popular e o diferencial dos enunciados transformou-se em commoditie. A concorrência da nova realidade a despertou para uma nova necessidade: a busca constante pela inovação. A criatividade e o desejo cada vez maior de se manter como uma placa-líder, a impulsionava desenvolver-se e estudar novas metodologias para continuar em destaque. Agora já buscava novos pontos para expor-se, a forma antes retangular tornou-se complexa e… Tcham, tcham, tcham, numa repaginada geral elas descobriram as luzes, back-ligths, front,ligths, lâmpadas embutidas, estrobos, animações feitas pelo computador e iniciou uma fase hi-tech.

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Ninguém mais segurava o “tsunami” de novas informações que as placas movidas pelo desejo desenfreado de serem vistas trazia. Novas tecnologias vindas do outro lado do mundo apimentavam, ainda mais, a busca incessante pelo diferente. E paralelo a isso tudo,acontecia uma a revolução de preços acessíveis vindas de um país asiático onde sua economia crescia 10% ao ano permitindo assim, que todas as placas também tivessem acesso a tudo de mais moderno. Novamente o novo se tornou commoditie.

Ser tão diferente passou a ser exatamente igual aos olhos dos transeuntes, não havia mais uma referência a seguir. Todas eram diferentes, criativas, luminosas, bem escritas e sendo assim eram todas iguais. E agora, como se destacar? Pensou numa carreira internacional ou pelo menos mais nobre: Las Vegas, 5ª avenue, Oscar Freire, Milão… Não! Isso não! A “plaquinha criança” que ainda vivia dentro dela tinha uma família que de algum modo a impedia de se distanciar fisicamente.

Com tanta pressão veio a depressão e estresse. A plaquinha deitada no consultório do seu analista relatava o percurso de sua vida até aqui – de uma mão pobre foi manuscrita, nasceu simplesmente para informar. Mas inconformada, a ambição a lançou para o desejo de aparecer, criou diferenciais e lançou moda. Ela era mesmo uma plaquinha de sucesso. Mas, o que era sucesso se a placa tão grandiosa e bem sucedida era no fundo uma placa infeliz? Em plena análise ela descobriu que sentia falta da vida simples e da amizade há tanto tempo esquecida de sua amiga. O sentido da vida afinal, havia perdido o sentido? As respostas seu analista não tinha.

A plaquinha até hoje não sabe, como todos nós, até onde é capaz de chegar. Mas sendo boa planejadora já maquina qual será o próximo passo na sua trajetória. Ela é contudo, apenas uma placa. E você? Já se perguntou qual o sentido da vida? Descobriu para que nasceu? Onde quer chegar?

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Obs.: Não sei exatamente porque iniciei o texto com analogia a objetos inanimados, sei que posso ter dado um caráter muito mais fictício desta forma. A história porém, é uma homenagem a dois empresários de quem gosto e admiro muito: um tem empresa de medicina do trabalho e o outro de embalagens. Como pode ver, são ramos diferentes, mas o princípio sempre igual.

Por Vinícius Moura

Publicação: 17 de maio de 2007

AUTOR

Vinicius é empresário do setor de auto-peças.

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