Quem nunca reciclou presente, que atire a primeira sacola!

Quem nunca reciclou presente, que atire a primeira sacola!

Quem estiver pensando que eu estou querendo falar daqueles politicamente corretos que compram e consomem produtos como porta retrato ou caderno feito com papel reciclado ou abajur com garrafas pet, se enganou. Estou escrevendo sobre os totalmente politicamente incorretos.

O mês de janeiro é muito interessante para avaliar a performance do comércio durante o períodos das festas. Certamente os índices de inadimplência aumentam substancialmente resultado das compras de impulso ou da sedução das mais diversas formas de crédito. Se há aqueles que financiam compras de supermercados que são produtos consumidos em poucos dias, o que dizer dos produtos duráveis.

Mas o tema não é esse e eu lhes pergunto: Quem de vocês nunca ganhou um presente que fizesse você pensar com toda estranheza o que levou tal pessoa te presentear com aquilo? Uma bata branca, um camisa 3 números acima do seu, um objeto que não tem nada a ver com sua casa e assim sucessivamente.

Quem nunca reciclou presente, que atire a primeira sacola!

Mencionei sobre a experiência do comércio no mês de janeiro não me referindo às estatísticas de compra e inadimplência, mas à quantidade de vezes que vendedores dizem a clientes: “sinto muito mas não podemos trocar este presente por não ser desta loja”. A expressão de desapontamento é tamanha que eu já presenciei pessoas contra-argumentando: “Mas olhe a etiqueta e mesmo a sacola é desta loja”. Alguns venderes mais descolados e mal-humorados retrucam: Pode olhar na loja inteira se vendemos algo como este produto.

O constrangimento e decepção não é menor do que o dia em que você recebeu seu presente.

As pessoas que reciclam presentes são engenhosas na sua arte e não se contentam em colocá-lo em uma sacola de uma loja que eles mesmos consideram e reconhecem de boa reputação e estilo. Eles trocam etiqueta, mudam a data da compra e limite para troca (muitas vezes de 3 ou 4 coleções passada), às vezes até esquecem a etiqueta com seu próprio nome que os condenam e só não reciclam o cartão de boas festas.

Eu faço aniversário em Janeiro e durante muitos anos me perguntei: Porque fulano me deu um bata branca sendo que nunca me viu usar uma? Porque ciclana me colocou um sabonete X em uma embalagem da L’Occitane? Fico sempre feliz em ganhar um presente e nunca desprezo o que ganho, porém fico imaginando que a pessoa que nos presenteia desta maneira ou despreza seu presente ou deprecia nossa inteligência. Às vezes, um cartão é mais pessoal e original do que qualquer presente caro.

Minha amiga outro dia me relatou um epsódio que não posso deixar de partilhar. Ela estava na casa de sua melhor amiga (sei!), quando uma tia idosa de sua amiga a presenteou com um par de brincos que provavelmente não combinava com nada que ela usasse. Alguns meses depois, minha amiga fez aniversário e nos convidou e para sua surpresa (e também a nossa), imaginem o que ela ganhou de presente de sua amiga: um par de brincos comprados fora do país. Para nós – fora do país das maravilhas! – pois somente a que presenteou não se recordava do dia que recebera o par de brincos e não via a hora de arrumar um destino para eles.

Presentear por obrigação pode ser um grande risco para sua imagem, amizade e pode comprometer e constranger muitos. Vale a pena ser sincero, humilde e honesto, e usar a criatividade quando faltar tempo ou dinheiro para presentear alguém.

Quem nunca reciclou presente, que atire a primeira sacola!

Quem nunca reciclou presente que atire a primeira sacola!

Publicação: 8 de fevereiro de 2007

AUTOR

Psicanalista e economista, com pós-graduação em Administração pela USP e Marketing pela ESPM. Tem MBA em Gestão Internacional pela Thunderbird School of Global Management‚ Arizona‚ USA e formação nas áreas de Psicologia e Filosofia.

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