Ugly Betty 2

Ugly Betty 2

Estou adorando cada vez mais a série Ugly Betty! O episódio que vi hoje (1 temporada, episódio 3 – Queens for a Day) foi um soco no estômago. Tratava de assuntos bem leves do tipo: “seus pais gostam mais de você ou do seu irmão?” e “imagem é tudo o que importa?”.

Será que é verdade que os pais têm preferência por algum dos filhos? Na história, Daniel, editor da revista Mode e chefe da Betty, é o filho preterido do dono da editora, cuja filho preferido morreu. O pai de Daniel o colocou na posição mais importante da revista mas não acredita muito na capacidade do moço. Para ele, o filho que morreu é que era o tudo-de-bom. Daniel agora tenta provar que está à altura do irmão falecido. Betty, ao contrário, é a preferida do seu pai, mas ela nem percebe isso. Como somente valorizamos aquilo que não temos…

Mas o que me chamou a atenção, foi o outro assunto – a questão da imagem. A Betty é toda errada e fica perdida no meio daquele escritório cheio de mulheres lindas. Olha o contraste na foto aí de cima! A pobre tenta desesperadamente mudar de look, mas o resultado é que ela fica pior do que antes.

Fiquei pensando nessa sensação de que a gente nunca se sente “combinando” com o trabalho – é como se nunca estivéssemos à altura do que esperam de nós. Seja a imagem, o temperamento, o estilo… parece que sempre tem alguma coisa de errado em nós que tem que ser consertada para sermos profissionais perfeitos, tipo aqueles que aparecem na Você S.A.!

Quem nunca se sentiu meio perdido na avaliação na desempenho daquele ano que vc trabalhou como um camelo mas sua promoção não veio porque vc precisa melhorar sua capacidade de trabalho em equipe? Ou, porque vc olhou para aquele projeto lindamente apresentado, mas vindo daquela equipe que vc sabe muito bem de outros carnavais que não entrega nada, e disse: Isso não vai dar certo… E quem se ferrou no final não foi a equipe que não entregou, como vc previa, mas você que, é claro, precisa desenvolver uma visão mais otimista das pessoas…

O que me entriga é que apesar de vc não saber trabalhar em equipe e ser pessimista – pecados mortais nos modernos manuais de gestão – não te demitem. Pelo contrário, depois de discorrerem sobre os seus “pontos a desenvolver” (porque nunca ninguém tem “defeitos”, né?) dizem que contam com vc no futuro, e para sinalizar, apontam com um bônus até que razoável.

Aí vc começa a ter uma sensação estranha de que, no final do dia, parece que o seu sucesso profissional vem exatamente do seu individualismo e da sua visão pessimista… Tipo, será no fundo parece que eles te valorizam exatamente por aquilo que dizem que vc tem que mudar? Meio louco…

Começo a achar que causar essa sensação de desconforto profissional é realmente proposital – um modelo de gestão. Como vc nunca está à altura das expectativas, tem que se superar todos os dias. Assim, trabalha mais, dá mais de si, nunca se sente em zona de conforto. Para a empresa não há dúvida de que é ótimo, mas e para você?

A conclusão? Relaxe! Todos nós temos o nosso lado Ugly Betty e o sucesso está em ter a coragem de assumí-lo. Porque, no final do dia, será que não é por causa dele que vc está lá?

Publicação: 21 de novembro de 2007

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