Efeitos da crise financeira no mercado da moda

Efeitos da crise financeira no mercado da moda

Se você ainda não entendeu direito o que provocou essa crise, não se desespere – você não é o único/a! Eu não sou economista, portanto o que segue é a minha visão pessoal dos fatos.

Tendemos a super-valorizar as nossas expectativas. Quando as coisas vão bem, esperamos que elas irão ainda melhor. E foi isso que vinha acontecendo nos últimos dez ou quinze anos, quando praticamente desde os anos 1970 o Brasil não experimentava tamanho crescimento econômico – resultado: otimismo ingênuo que inflam as bolhas especulativas. Quando as coisas começam a ir mal, esperamos que piorem – resultado: pânico, como o que vimos nas últimas semanas.

As bolhas especulativas, assim como os ciclos econômicos, fazem parte da essência  do capitalismo, mas sua principal característica é que ninguém consegue prever com exatidão quando a bolha vai estourar, nem os bancos centrais conseguiram desenvolver ferramentas macroeconômicas para “esvaziar” a bolha, quando esta é detectada, sem que a mesma exploda sem causar tanto estrago.

A verdade é que os preços estavam absurdos – tudo, de imóveis a bens de consumo. Os imóveis em São Paulo tiveram uma valorização de cerca de 100% nos últimos 4 ou cinco anos. Lançamentos? Nada abaixo de meio milhão de reais. Fui comprar uma armação de óculos há cerca de um ano e a loja pedia míseros R$1.200 reais. Ora, o preço de uma armação de óculos não pode ser equivalente a 10% do preço de um carro popular. Ou um pouco mais barato que um computador… E os preços dos aparelhos celulares então? Dois mil, dois mil e quinhentos reais… Insano.

E o boom do mercado de ações? Leigos de todo tipo investindo em ações de todo tipo… Todo mundo com expectativas de valorização pra lá de otimistas.

Uma hora tinha que acontecer um ajuste no preço dos ativos e pelo jeito vai ser agora. Parece-me, aliás, que a principal função da explosão das bolhas é exatamente esta – provocar um ajuste geral nos preços, reduzindo as expectativas a níveis mais realistas.

Para piorar os efeitos, o consumo desenfreado foi bancado via endividamento das pessoas físicas e jurídicas, cuja conta vai vir agora, com juros mais altos, evidentemente, por conta do dinheiro escasso. O custo do dinheiro já está 2 ou 3 vezes mais caro do que no início da crise.

Quanto aos efeitos no mercado da moda, os suspeitos de sempre são:

– redução de vendas como resultado do endividamento dos consumidores, aumento da taxa de desemprego, aumento de preços dos produtos finais;

– redução expressiva no mercado de luxo (não sei como vão sobreviver –  ou sair do papel – os shopping centers de alto luxo recém-lançados em São Paulo);

– aumento dos custos da matéria-prima importadas, por conta da alta do dólar, com consequente repasse nos preços ao consumidor final (o dólar já subiu 50% desde o início da crise há algumas semanas e ninguém sabe onde vai parar);

– aumento no ciclo de vida dos produtos (ninguém consegue bancar esta rotatividade tão alta da moda – nem produtores, nem consumidores);

– “desova” no mercado brasileiros de produtos chineses que não foram absorvidos pelo mercado americano/europeu a preços baixíssimos com consequências desastrosas óbvias.

Mas nem tudo é tragédia:

– Por conta da desvalorização do real, nossos preços em dólar ficam mais baixos, o que pode alavancar as exportações no médio prazo;

– Quem aproveitou a época do dólar baixo para investir na reforma do parque industrial vai ganhar no médio/longo prazos.

Esta não é a primeira crise do capitalismo, nem será a última. Pode ser o fim de uma era de gastança, de bancos de investimentos super-alavancados, de empréstimos sub-prime, de derivativos exóticos e outras espécimes alienígenas, mas não é o fim do capitalismo. De qualquer forma é momento de cortar custos, reduzir investimento, pagar dívidas e rezar para as coisas não piorarem.

Publicação: 22 de outubro de 2008

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