Problema ou Solução?

Problema ou Solução? 

A sociedade da Primo Vini Autopeças começou com a feliz coincidência de estar na hora e no lugar certos. A proposta de venda daquela loja só tinha validade naquela sexta-feira. A decisão foi imediata e na segunda-feira estava com o jaleco detrás do balcão.

A trajetória de sucesso desafiava o bom senso. Não conhecia o ramo de atividade, não tinha experiência com administração, nem com gestão de pessoas, não tinha capital de giro. Não conhecia quem poderia ser os potenciais clientes e nem imaginava como lidar com os primeiros fornecedores que se aventuravam junto comigo na empreitada.
Lendo isso eu deveria dizer não empreitada, e sim, emboscada.

Destaco nesta época, a figura de representantes que “lutavam” para me convencer de que eu precisava ter rolamentos, kits de embreagem e velas BP5HS… É claro que eu não declarava ao representante que eu não tinha idéia do que seria BP5HS ou 11749 com 710.  No fundo, no fundo, duvido que ele não soubesse.

Quando se tem tão pouco tempo de conhecimento, quanto de capital, o que faz a diferença é ter um objetivo claro. Soma-se a isso trabalhar muito e arduamente. Com esta fórmula quem está ao seu lado também se entusiasma e participa do seu desejo de vencer. Sejam eles os clientes, os colaboradores, a família, os amigos ou os fornecedores.

A história de sucesso do Primo Vini Autopeças levou a compra (que antes era alugado) do imóvel próprio. A seqüência natural foi planejarmos e iniciarmos uma grande reforma no imóvel que era muito antigo. A proposta era de construir um galpão sobre o imóvel velho, construir um mezanino grande o suficiente para passar as peças e prateleiras para cima e por fim, reformar o piso térreo. Eliminando por completo as paredes, o telhado e o piso do antigo imóvel.

O entusiasmo crescia enquanto a obra ia tomando forma. As altas paredes, a grande cobertura e o mezanino de aço estavam prontos, faltava pouco. No final do dia fechamos tudo como de costume, mas uma hora depois recebi um telefonema aterrorizante. Havia ocorrido um princípio de incêndio. Deveria me dirigir para lá, com calma porque os bombeiros tinham a situação sob controle.

A mente construía imagens e racionalizava: as paredes tinham cerca de sete metros de altura. Como iriam perceber um princípio de incêndio?
A três quilômetros de distância o trânsito estava parado e no céu erguia uma gigantesca coluna de fumaça negra. A fumaça se fundiu com a noite e somente no dia seguinte tentamos contabilizar o que um dia tinha sido uma loja de autopeças.

Boa parte daquilo que o fogo atingiu desapareceu. A grande sessão de acessórios. Faróis, lanternas, tapetes, tampões de som, laterais, volantes, borrachas de vedação, coxins e buchas… A liga de alumínio dos pistões evaporou, sobraram as camisas de kits de motor, apenas por serem feitas de ferro fundido. As baterias se transformaram num pequeno monte de chumbo disforme. As latarias – peças para funilarias – viraram pó, ou as que não se desfizeram completamente tinham uma resistência menor do que uma placa de papelão. A grande cobertura do galpão desabou. As paredes racharam e os bombeiros a condenaram. O mezanino de aço ficou completamente retorcido. Aquilo que o fogo não consumiu, a água usada para conter o incêndio destruiu.

E agora?
Na maioria das vezes a vida nos oferece sempre mais do que uma única opção a seguir.
O seu equilíbrio faz a tendência de enxergar o problema ou a solução na mesma cena.
Na verdade a reflexão que fica quando parece que tudo chegou ao fim, é na verdade, a oportunidade rara de iniciar, o que quer que seja, de uma forma diferente. Ficar se lamentando e deixar se abater com uma profunda depressão é uma opção, a outra é começar novamente.

Começar neste caso, não é mais como o primeiro começo. Agora já conhecemos os clientes, temos um relacionamento bancário, conhecemos mais de perto os fornecedores e temos os colaboradores motivados neste novo desafio. Além de conhecer melhor a dinâmica deste ramo de comércio.

No segundo recomeço, apesar do capital de giro continuar sendo um problema, talvez, ainda maior. Tínhamos como patrimônio algumas coisas que pouco parecem relevantes no dia a dia – como o bom relacionamento com os clientes – o que fez com que tivéssemos agora, parcerias. E como sempre tratamos os fornecedores com responsabilidade, cordialidade e profissionalismo, agora tínhamos confiança. E como tratamento usual era ter respeito e justiça com os colaboradores agora, mais que nunca, tínhamos uma equipe disposta e confiante.

Revemos prazos e novas condições. E a relação que em muitos casos é estritamente comercial, baseada apenas em números e resultados, torna-se mais humana.  De lá pra cá ocorreram muitas vitórias assim como, muitos outros percalços. Creio que enquanto a empresa existir a história será sempre assim.

Mais do que capital, o apoio de parceiros se torna muito mais valioso. Quando se aprende o caminho do sucesso, mesmo com os tropeços é fácil encontrar de novo a direção. Saber que há sempre alguém que acredita em você e na sua empresa, é tudo que precisamos.

Vinícius Moura

Publicação: 13 de fevereiro de 2008

AUTOR

Vinicius é empresário do setor de auto-peças.

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