A evolução do tecido na antiguidade – Parte 1

A evolução do tecido na antiguidade   Parte 1

PALAVRAS CHAVE: TECIDO, CULTURA E HISTÓRIA RESUMO

A história do tecido documenta a evolução das culturas humanas do seu estado nômade para a formação das comunidades civilizadas que fizeram nascer os grandes impérios da antiguidade.

O volume dos tecidos, seu luxo e a procedência das fibras, sempre foram sinônimo de status e poder.

Nos antigos impérios, os trajes reais, os sacerdotais e as vestes dos guerreiros, marcam esta condição, que está bem registrada no nosso primeiro documento, que é a Bíblia.

Nele, podemos ver para além da função, o valor de sagrado impresso no tecido.

A evolução do tecido na antiguidade   Parte 1

INTRODUÇÃO

Sou profissional da área de moda. Nasci numa família em que as mulheres criaram os filhos confeccionando roupas para filhos de outras mulheres – ou seja, cresci e me profissionalizei dentro de um mundo familiar que se dedicava ao segmento de vestuário para crianças, à roupa infanto-juvenil.

Como confeccionista, vivi as grandes mudanças da moda e de seus modos de produção, neste país, durante vinte e cinco anos. Nos anos noventa, do século passado, sucumbindo às inúmeras reviravoltas dos nossos planos econômicos. Exatamente naquele momento, estávamos mudando de governo e as fronteiras nacionais abriam-se à entrada do mercado internacional de moda. Era o momento em que todo o mundo estava em polvorosa com o avanço e a competitividade dos Tigres Asiáticos. No Brasil, o setor têxtil-confecção se ressentiu de imediato, devido à tecnologia obsoleta.

Faltava-nos também mão-de-obra qualificada, tanto para operar equipamentos modernos, quanto para criar produtos que oferecessem a possibilidade de dialogar com um mundo que já convivia com a moda quase totalmente globalizada.

Digo quase, porque o grande marco daquela fase foi a imposição, ao mundo internacional da moda, da atitude modalizada e modalizadora dos orientais, marcada tanto pela presença maciça do fenômeno “made in China”, quanto pela criação revolucionária dos estilistas japoneses, representados pelos “quatro fantásticos” : Issey Miyake, Yohji Yamamoto, Kenzo e Rei Kawakubo.

Como dar conta dessa empreitada? perguntava-se, apavorado, o fabricante brasileiro. Num momento de grandes transformações políticas e econômicas, a resposta veio rápida: Faculdades de Moda, com cursos que pudessem formar engenheiros, criadores, gestores, compradores e todo tipo de técnicos e tecnólogos necessários para suprir a cadeia de profissionais capazes de responder pela criação, desenvolvimento e comercialização, dentro desse contexto já inteiramente globalizado. Tecidos, máquinas, aviamentos, estilos e modelos de comercialização tinham de obedecer ao padrão dinâmico e funcional norte-americano, às exigências vanguardistas inglesas, ao padrão elegante e sofisticado italiano e ao inovador universo minimalista japonês. Esse foi o tempo das grifes e, também, do surgimento vanguardista das modas rebeldes para os jovens, que começavam a se impor como usuários. Fabricando suas próprias modas, eles acreditavam ser muito, mas muito diferentes de seus pais – àquela altura, nós, a geração dos fantásticos anos pós-JK. Hoje sou professora. Ainda atuo no setor de confecção: tenho trabalhado como consultora de estilo e gerência de produção de modas juvenis, conhecidas como modas teen ou modas de tribos urbanas. Mas apaixona-me investigar os meios que a cultura utiliza para divulgar seus padrões de elegância, que determinam a prática diária dos mais diversificados tipos de profissionais envolvidos com a moda, um dos setores mais produtivos da sociedade.Parte deste meu discurso é, obviamente, um fragmento amoroso e, antes de tudo, decorrente de uma condição particular de vida e de atividade profissional. Porém, como professora de cursos de moda nas disciplinas de História da Indumentária, Teoria da Moda, Tecnologia da Confecção e Evolução do Design de Moda, tenho observado o encantamento dos alunos dos cursos de pós-graduação em design têxtil com a relação antropológica da evolução têxtil com as culturas que as fazem brotar.

A EVOLUÇÃO DO TECIDO NA ANTIGUIDADE – Parte 2

Queila Ferraz Monteiro é estudiosa de História da Moda, é consultora de design e gestão industrial para confecção e Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção em cursos de moda e Faculdades, também é professora de pós-graduação em Universidades como o Senac.

queilamoda@yahoo.com.br .

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Publicação: 11 de agosto de 2006

AUTOR

Queila Ferraz, Coordenadora Geral do Curso de Design de Moda da UNIP, foi professora da Universidade Anhembi Morumbi e dos cursos de pós-graduação de Moda do Senac. É historiadora de moda, especialista em processos tecnológicos para confecção e consultora de implantação para modelos industriais para a área de vestuário.

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