História da Moda – As grandes Estilistas da Moda Européia – Elsa Schiaparelli – Parte 4/5

História da Moda   As grandes Estilistas da Moda Européia – Elsa Schiaparelli – Parte 4/5
Foto de Life

Elsa Schiaparelli nasceu em Roma, na Itália, em 1890, em boa situação financeira, o que permitiu que ela fosse estudar na Suíça e em Londres, onde conheceu aquele que veio a ser seu marido, o filósofo e jogador, Willy de Kerlor, em 1913.

O casal se mudou para Nova York, nos EUA, país onde nasceu sua filha Gogo, que viria mais tarde a lhe dar uma neta, a atriz Marisa Berenson. Seu casamento não durou muito tempo e Schiaparelli, com uma filha pequena para cuidar, não conseguiu sobreviver sozinha na América e voltou para a França, em 1922.

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Capa Noturna de 1938 – Foto de A Tale of Two Shoes

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Capa Noturna de 1937 – Foto de A Tale of Two Shoes

Nessa época, ela desenhava e já começava a vender seus primeiros tricôs. Um de seus primeiros modelos, um suéter preto tricotado, com uma intarsia – técnica que simula a marchetaria – reproduzindo um laço branco, resultando num efeito trompe-l’oeil – do francês “engana olho” – , foi visto pelo comprador de uma loja e as encomendas que se seguiram deram início aos negócios de Elsa.

Encorajada pelo estilista e amigo Paul Poiret, Schiap, como era chamada, abriu sua primeira butique em 1927, chamada Pour le Sport, e em 1929 apresentou sua primeira coleção, que foi um verdadeiro sucesso.

Elsa Schiaparelli acreditava que a moda estava intimamente vinculada à evolução das artes plásticas contemporâneas, sobretudo à pintura, e por isso sempre esteve ligada aos artistas de sua época. Era amiga de muitos, como Marcel Duchamp, Picabia, Man Ray, Stieglitz, Jean Cocteau, Christian Bérard e Salvador Dalí. Com o seu progressivo sucesso, Schiaparelli se tornou a maior rival da famosa estilista Coco Chanel. Seus estilos eram totalmente opostos: enquanto Chanel criava roupas funcionais para a mulher moderna, Schiap fazia modelos surrealistas e exóticos, criados para impressionar.

Schiaparelli e Salvador Dalí trabalharam muitas vezes juntos, o que resultou em várias criações bastante particulares, como o famoso chapéu em forma de sapato, a bolsa-telefone, o tailleur-escrivaninha com bolsos em forma de gaveta, o vestido decorado com uma grande lagosta, o vestido de seda pintado com moscas, entre outros. Foi no surrealismo que ela encontrou a sua fonte básica de inspiração.
Todas as coleções lançadas por Schiaparelli se inspiravam em fantasia e partiam de um ou dois temas dominantes. Uma de suas preferidas era a coleção Circo, com cavalos, elefantes ou acrobatas no trapézio, bordados em muitas peças, como os boleros, com botões de cabeça de palhaço e o chapéu em forma de sorvete.

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Foto de Museum Blogs

Sempre utilizando bordados e cores fortes, Elsa criou a coleção de astrologia, na qual se destacava uma luxuosa capa com enormes signos do zodíaco bordados em ouro, assim como o motivo “Phoebus”, um sol radiante sobre um tecido rosa-choque. Ela passeou por muitos outros temas em suas coleções, como a música, o fundo do mar e a “Commedia dell’Arte”, na qual também apareciam as capas, desta vez com losangos de veludo.

Além de suas criações sempre impactantes, ela inovou nos materiais utilizados em suas roupas, como o zíper, o crepe de seda e o celofane. Todos esses novos materiais, como a fibra sintética, possibilitaram que Elsa executasse todos os seus sonhos surrealistas. O zíper, por exemplo, era colocado à mostra, de forma decorativa e funcional. Elsa também criou bolsas que, quando abertas, acendiam ou tocavam música.

Schiap buscava o efeito teatral através das cores vivas, não muito usadas naquela época. Ela conseguiu criar um tom de rosa tão forte, que chegava a ser dramático. Ela o batizou de “shocking”, o seu rosa-choque. A cor foi usada por ela em muitas criações, desde chapéus até longas capas bordadas.

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Foto de Huffington Post

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Foto de Maria Buszeck

“Shocking” também foi o nome dado àquele que viria a ser o seu perfume mais conhecido, lançado em 1938. O frasco tinha a forma do corpo da então famosa atriz de cinema Mae West, que personificava a ousadia do estilo Schiap.

Em 1933, influenciada pela moda egípcia, Elsa lançou a manga-pagode, que partia de ombros largos e que determinou a silhueta básica até o New Look.

Apesar de ter tido clientes como as atrizes Greta Garbo, Joan Crawford e Carole Lombard, ela não fez muitos figurinos para o cinema. Seu maior sucesso foi em 1937, com o filme “Every Day’s a Holiday”, com Mae West. Também criou os figurinos dos filmes “Artists and Models” e “Moulin Rouge”, com Zsa Zsa Gabor, em 1952.

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Foto de The Guardian

Em 1939, quando explodiu a Segunda Guerra Mundial na Europa, Schiaparelli decidiu fechar sua maison. Ela preferiu colaborar com os esforços antinazistas nos Estados Unidos, proferindo palestras. Quando a guerra chegou ao fim, ela retornou a Paris, em 1945. Sua maison sobrevivera aos anos de conflito e logo foi reaberta. Nessa época, passaram por seu ateliê alguns estilistas famosos, como Hubert Givenchy e Pierre Cardin.
Em 1946, Salvador Dalí desenhou o frasco de um novo perfume, o “Roi-Soleil”. A assinatura de Schiaparelli ainda produziu uma linha de malas e frasqueiras e uma coleção de prêt-à-porter, que foi vendida nos Estados Unidos.

Em 1949, Elsa abriu uma filial de sua marca em Nova Iorque. Porém, apesar de todos os esforços para continuar sua produção, os tempos mudaram para Schiaparelli. Com dificuldades financeiras e problemas pessoais, ela acabou fechando sua maison em 1954.

Em seguida, lançou um livro de memórias, intitulado “Shocking life”, novamente a cor intensa que demonstrava sua ousadia, excentricidade e o impacto que desejava causar. Elsa Schiaparelli morreu em 1973, aos 83 anos.

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Por Queila Ferraz

Publicação: 9 de março de 2010

AUTOR

Queila Ferraz, Coordenadora Geral do Curso de Design de Moda da UNIP, foi professora da Universidade Anhembi Morumbi e dos cursos de pós-graduação de Moda do Senac. É historiadora de moda, especialista em processos tecnológicos para confecção e consultora de implantação para modelos industriais para a área de vestuário.

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