Como é feito um Zíper? Parte 3/3

Como é feito um Zíper? Parte 3/3

Leia também ZÍPER – História, processo de fabricação e curiosidades – Parte 1/3 e Zíper: já tem cem anos e status de detalhe fashion – Parte 2/3.

Vamos mostrar o processo de fabricação desta peça tão importante no vestuário, revelando também as características do metal utilizado na produção.

O zíper de metal que conhecemos hoje é o sucessor do inventado por Withcomb Judson há mais de 100 anos. Durante esse período, o zíper foi sendo aperfeiçoado quanto a utilizacão das mais novas matérias-primas e exigências de qualidade, para atender as necessidades de um mercado sempre em busca de inovações como é o segmento de peças confeccionadas em jeans.

Para conhecer melhor o zíper metálico, devemos começar pela nomenclatura ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas – que nomeia as partes que o compõem, conforme mostra a figura abaixo:

Como é feito um Zíper? Parte 3/3

Fonte: YKK

PROCESSO DE FABRICAÇÃO

Tecelagem:

Processo em que se tece o cadarço em teares de agulha, a partir de fios de poliéster. Sua principal característica é o bordo, localizado em uma dos laterais da fita de tecidos, onde são fixados os dentes e que da a resistência necessário às aplicações em peças confeccionadas em jeans.

Tinturaria:

O cadarço é tingido nas cores desejadas em dois diferentes sistemas de tingimento: pressão, sistema convencional, feito em caldeiras e imersão, sistema continuo.

Grampeação:

Processo onde os dentes são fixados no cadarço, formando a cremalheira do zíper. Um arame de latão, com formato e dimensões previamente determinados conforme a grossura da cremalheira é moldado, cortado e fixado sobre o bordo, um dente de cada vez, conforme o comprimento de zíper desejado. São grampeados, cada um dos lados da cremalheira por vez, os quais são posteriormente ligados.

Laminação:

Escovação da cremalheira para uniformizar a altura dos dentes e eliminar possíveis rebarbas, possibilitando um deslizamento mais suave ao abrir e fechar o zíper.

Termofixação:

Faz a estabilização do tamanho do zíper e elimina possíveis rugas e vincos existentes no cadarço.

Selagem:

Fusão do cadarço na área de picotagem do mesmo, que formará as extremidades das pontas do zíper. A selagem permite que o cadarço não deslize durante o manuseio e nas operações de aplicação nas peças confeccionadas.

Aplicação do terminal inferior:

Corte e aplicação de um arame de tomback ou alpaca, conforme o metal da cremalheira, junto aos últimos dentes da extremidade inferior da cremalheira. A função do terminal inferior é manter os dois lodos da cremalheira unidos e impedir que o cursor saia pela extremidade inferior ao ser movimentado.

Colocação do Cursor:

O cursor é o componente do zíper que se movimenta sobre a cremalheira abrindo ou fechando o zíper. É produzido a partir de zamak (liga de zinco, alumínio, cobre e magnésio) por um processo de fundição, e posteriormente recebe acabamento em cobre, latão ou níquel em banhos de deposição eletrolítica. Neste processo é colocado o cursor na cremalheira, considerando o sentido correto de engrenagem dos dentes.

Aplicação dos terminais superiores:

Corte e aplicação de uma fita de tomback ou alpaca, conforme o metal da cremalheira, junto ao último dente de cada um dos lados da cremalheira. A função dos terminais superiores é impedir que o cursor saia pela extremidade superior da cremalheira quando movimentado.

Picotagem:

Último processe na fabricação, onde o cadarço, que até então era contínuo, é picotado formando as pontas e separando as peças do zíper de metal.

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Controle de qualidade:

Em cada etapa de fabricação são feitos testes de controle de qualidade, visando garantir que o zíper de metal atenda as exigências dos processos posteriores a que é submetido na aplicação em peças confeccionadas em jeans e para o uso do consumidor. O zíper pronto é submetido a uma série de 12 testes de resistência e durabilidade, os quais obedecem a procedimentos e padrões internacionais.

Os principais testes que reproduzem os esforços que um zíper sofre durante o manuseio, tanto na confecção e lavagens, quanto nas mãos do usuário final, são detalhes importantes do Destaque & Use.

Outros detalhes:

O zíper deve ser, no mínimo, igual a medida da vista da calça (braguilha) para se obter um maior o aproveitamento da abertura do cós o não aplicar esforço desnecessário sobre o terminal inferior do zíper.

O travete de segurança deve estar posicionado a 2 cm do final da vista da calça (braguilha), fazendo assim a proteção da junção das costuras da braguilha e do gancho, evitando esforço desnecessário sobre o terminal inferior do zíper. A correta localização do travete de segurança é especialmente importante se considerarmos que essa é uma das regiões da peça que sofre maior esforço nos processos de confecção e quando em uso pelo consumidor. No que se refere às lavagens químicas, o zíper deve estar totalmente fechado para evitar, por exemplo:

• Esforço sobre os dentes do zíper no local onde está o cursor, se o zíper estiver entreaberto.
• Manchas na parte frontal da peça se houver problemas de oxidação por deficiência nas processas de lavagens.
• Esforço sobre o travete de segurança, esforço sobre o terminal inferior se o travete de segurança estiver mal posicionado.

Para melhor garantir que o zíper permaneça fechado durante os processos de lavagem, é recomendado o cursor mola-plana, cujo sistema de trava faz com que o cursor fique travado mesmo durante a movimentação das peças.

Como é feito um Zíper? Parte 3/3

Por Enio S. Maeda, Daniela Delgado e Marcelo C. da Silva.
Funcionários da Coats Corrente dos respectivos departamentos: Divisão Zíper, Marketing e Produtos.

COBRE E SUAS LIGAS

O cobre é um dos materiais metálicos mais antigos em uso pela humanidade, como atestam objetos arqueológicos das mais diversas utilidades encontrados nos berços das principais civilizações do passado.

O homem percebeu que o cobre no estado puro era um metal muito leve e fácil de trabalhar, mas que o objeto feito com ele tornava-se muito frágil: fácil de amassar ou de se deformar. Por ser tão macio, o homem logo descobriu que o cobre não servia paro todas as aplicações desejadas. Porém, misturado a outros metais, produzia o que hoje chamamos de ligas, que são muito mais resistentes e têm um grande número de aplicações.

A experiência foi demonstrando, nesses primórdios, que a associação de dois ou mais metais conferia ao produto propriedades distintas e bem diferentes das dos metais originais.

Essa mesma experiência foi, ao longo do tempo, consagrando determinadas associações que se mostraram particularmente úteis e foram surgindo padrões que perduram até hoje e que deram origem a classificação das ligas de cobre, como as que conhecemos atualmente e que veremos a seguir.

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Ligas de cobre:

Como liga de cobre, pode considerar a associação deste material com outros elementos que possam conferir ao metal propriedades desejadas. Conforme o elemento principal ao qual ligamos o cobre, temos diferentes famílias de Iigas, tais como:

• Latão = Cobre + Zinco
• Bronze = Cobre + outros elemen¬tos deferentes do Zinco, principalmente Estanho.
• Alpaca = Cobre + Níquel + Zinco de cor branca.

Chamamos de Tomback o latão (Co¬bre + Zinco), com teor de cobre superior a 85%. A coloração dessa liga é mais avermelhada que a dos latões comuns que têm entre 65% e 70% de cobre.

Há ainda uma família de ligas que consiste do cobre ligado a pequenos percentuais (menos de 1%) de outros elementos, tais como cádmio, fósforo, manganês, magnésio, cromo e zircônio e que simplesmente levam a nome de cobre. Normalmente a liga é nomeada mencionando se o elemento ao qual o cobre se encontro ligado, como cobre-cádmio, cobre-cromo, cobre-manganês, etc.

As famílias mencionadas acima são as que eventualmente poderão ser do interesse da indústria de zíper.

Resistência à corrosão:

A maioria das materiais metálicos é encontrada na natureza sob forma de óxidos, sulfetos, silicatos ou sais complexos. Entre os metais de uso corrente, só o ouro é encontrado na natureza já na forma metálica.

O processo metalúrgico, através do aporte de maior ou menor quantidade de energia, converte as sais metálicos ou os óxidos em metal puro. Portanto, como houve uso de energia para essa transformação, posteriormente todo o processo metalúrgico se reverterá, com o metal retornando à forma de menor energia, isto é, aquela a qual o meio ambiente conduz naturalmente. Esse processo de retorno à condição natural é um processo que chamamos corrosão.

Neste sentido, podemos dizer que a corrosão é o inverso da metalurgia. Enquanto a metalurgia converte sais e óxidos em metais, a corrosão converte metais em sais e óxidos.

O processo corrosivo:

Nos metais, o processo corrosivo se dá pela presença de agentes capazes de promover a transformação do metal em óxidos e sais. Havendo contato do metal com tais agentes, o processo de oxidação se inicia imediatamente. As reações químicas que se processam dependem do metal, da presença de elementos que facilitam ou que dificultam a reação, de condições atmosféricas, do grau de exposição do metal ao reagente. Portanto, a processo corrosivo pode durar muito pouco tempo ou se prolongar por muitos anos. A oxidação (escurecimento) que se verifica no zíper é a etapa do processo de corrosão.

As ligas de cobre estão entre as mais resistentes aos processos corrosivos, porém sua exposição a agentes químicos pode acelerar enormemente este processo. A tabela anexa no Destaque & Use, Metals HandBook, nos dá uma idéia comparativa de como varia para cada liga a exposi¬ção aos a gentes químicos mais usa¬dos industrialmente.

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Prevenções do processo corrosivo:

Prevenir ou, ao menos retardar a processo corrosivo é objeto de muitos estudos especializados que basicamente se propõem a:

• Impedir o contato do metal com o meio ambiente agressivo. Por exemplo: pintura, envernizamento, uso de óleos, graxas, revestimento com metais resistentes com ouro, cromo e níquel.
• Minimizar ou inibir a reação quimi¬ca contra agente agressivos específicos, através de aditivos de proteção ou controle de temperatura, pH tem¬po de exposição, impressão de corrente eletrônica inversa anodos de sacrifícios, etc.

Todos os métodos de prevenção da corrosão são exaustivamente estudados em laboratórios volta¬dos para os respectivos setores industriais interessados e direcionados aos efeitos especifico para cada uso.

Como é feito um Zíper? Parte 3/3

Veja mais dicas sobre o manuseio do Zíper no site da YKK.

Leia também ZÍPER – História, processo de fabricação e curiosidades – Parte 1/3 e Zíper: já tem cem anos e status de detalhe fashion – Parte 2/3.

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1)No canto superior esquerdo, Whitcomb L. Judson , que inventou, em 1891, o primeiro protótipo de fecho com ‘dentadura incluída’. No canto inferior direito, o sueco Gideon Sundback que pegou a idéia, em 1913, e melhorou-a significativamente . ( Do blog Socialíssimo)

2)Demostração de um Zíper se fechando. ( Wikipédia)

Como é feito um Zíper? Parte 3/3

Por Queila Ferraz

Publicação: 15 de outubro de 2008

AUTOR

Queila Ferraz, Coordenadora Geral do Curso de Design de Moda da UNIP, foi professora da Universidade Anhembi Morumbi e dos cursos de pós-graduação de Moda do Senac. É historiadora de moda, especialista em processos tecnológicos para confecção e consultora de implantação para modelos industriais para a área de vestuário.

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