Especial Tribos Urbanas – Toda moda é retrô? O Romantismo, um Revival na Moda – Parte 4/4

Especial Tribos Urbanas   Toda moda é retrô? O Romantismo, um Revival na Moda   Parte 4/4

O Romantismo seria a evocação nostálgica de um passado (…) ou a recusa de um mundo prosaico ou até a fuga deliberada para um universo imaginário, estético e lendário

O Romantismo foi uma manifestação social que influenciou todas as sensações, todas as idéias e estruturou tanto a realidade quanto o universo das representações. No início do século XIX, houve uma grande onda romântica, em que nasceu uma verdadeira febre historicista que se apresentava em todas as formas artísticas. Seria um resumo da história da França dos séculos XIV, XV e XVI, supervalorizando assim, o passado.

De repente, a Idade Média virou moda: as moças com as mangas bufantes e os homens de gibão. Tudo isso proporcionava às pessoas a aparência de terem saído de um livro de história ou de serem um personagem encantado de algum livro. Isso era o contrário do Classicismo, movimento então dominante, em que os artistas e cientistas trouxeram de volta o modo de pensar e as formas estéticas dos gregos e dos romanos como modelos a serem seguidos, tendo como conseqüência a supervalorização do Homem (antropocentrismo), em contraste com a supervalorização de Deus, característica do teocentrismo medieval.

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Romantismo – Pintura de Ferdinand Georg Waldmüller em 1835

Para Bollon (1993:57), isso não passou de um grande Revival, como os que acontecem nas sociedades carregadas de passado, em épocas que a sua identidade acha-se incerta. Para ele: “o Romantismo seria a evocação nostálgica de um passado, de uma reapropriação coletiva de uma história recalcada, ou bem a recusa de um mundo prosaico ou até a fuga deliberada para um universo imaginário, estético e lendário”.

Cada moda tem sua história e para compreendê-la é preciso descobrir, desvendar suas manifestações estéticas filosóficas e morais, que evoluem até se transformarem em função das reações que provocam no seu ambiente. Assim, neste período, houve a passagem da moda para um movimento cultural que se deu em 1830, quando o estilo “Idade Média” se fundiu ao grande movimento romântico.

Não bastaria adotar somente um vestuário, seria preciso adotar também um estado de espírito que fosse perceptível. Fazer parte destes movimentos é uma questão de atitude, que se vê, mas não se explica. A Moda delimita o espaço para criar uma concepção de mundo que permite a expressão pessoal.

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Lolitas Góticas em Tóquio

Enquanto alguns se contentavam em viver tudo isso por sonho (no imaginário e no mito), os mais radicais elegeram o “Camp des Tartares”, berço de todas as loucuras românticas. Ali recitavam poemas e bebiam ponche.

Para muitos, o Romantismo fora apenas uma espécie de férias de adolescentes antes da integração social. Assim, por volta de 1830, o movimento começou a definhar. Em 1836, o Romantismo enquanto moda já pertencia ao passado, em resumo, todos eram românticos. O ódio ao burguês passava como herança sensível de toda uma geração e explicaria em parte a revolução política de 1848. Morto na realidade, o romantismo continuaria obcecando a sociedade como mito e como estilo: imagem de uma revolta contra o ambiente e contra o tempo presente.

A moda romântica teve sua época real e, efêmera como todas as modas, faltava-lhe cumprir seu destino simbólico, o mais importante entre todos; sua verdadeira revanche sobre o tempo. Como manifestação social, influenciou todas as sensações, percepções e idéias, estruturando tanto a realidade quanto o universo das representações. Revisitada pelos movimentos dadaístas e surrealistas, pelos beats e existencialistas pós-guerra da Coréia e, a partir de 1980, e pelos darks e góticos da moda inglesa, a moda romântica, como estilo historicista, acaba por ser, até o momento, a maior fonte de interpretações revivalistas do fenômeno da moda.

Este mito fez nascer, no início do século XX, o conceito de adolescência como período problemático e cheio de revolta, pelo qual todo jovem deve passar. É com esse fundamento histórico que entendemos os movimentos de estilo que se estruturaram hoje, como os PUNKS, os SKINHEADS, os NEO-HIPPIES e as LOLITAS GÓTICAS.

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Tribos Urbanas: Góticos e  Skinheads

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Traje Romântico, em pintura de Eduard Magnus em 1837

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Cavalheiro com traje do romantismo, em pintura de  1838

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Nightwish, banda associada com o movimento neo-gótico. Observe a cartola, característica do movimento romântico.

Leia também:

Toda moda é retrô? O revivalismo na moda – Parte 1/4.

Toda moda é retrô? Retrô – Moda e Retrô – Design Parte 2/4

Toda moda é retrô? Explicando o Revival – Parte 3/4

Por Queila Ferraz

Publicação: 16 de julho de 2009

AUTOR

Queila Ferraz, Coordenadora Geral do Curso de Design de Moda da UNIP, foi professora da Universidade Anhembi Morumbi e dos cursos de pós-graduação de Moda do Senac. É historiadora de moda, especialista em processos tecnológicos para confecção e consultora de implantação para modelos industriais para a área de vestuário.

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