Tribos Urbanas Americanas: Beatniks – Existencialistas / Parte 2

Tribos Urbanas Americanas: Beatniks   Existencialistas /  Parte 2

Imagem do blog Jornal Sociológico

Versão romântica do século XX, beats e existencialistas foram a primeira cultura jovem a mostrar no seu vestuário o luto por um estado de guerra em que não viam sentido e do qual não queriam participar.

Surgiu na América do Norte, dentro das comunidades estudantis da costa oeste durante os anos 50. Nasceu da tenção existente dentro do próprio tecido social, do protesto contra a opulência de uma sociedade que saíra da Segunda Guerra bombardeando Hiroshima e se preparava para investir contra a Coréia. Protestava contra condições da própria civilização americana, contra o “American Way of Life”.

Beat significa beato e denominava uma geração que se tornava jovem no pós-guerra. Largamente perturbada, protestava contra o progresso tecnológico que produzia bombas atômicas, propondo uma renovação cultural que se manifestou através do catolicismo de Thomas Merton e de um culto marcado pelo esoterismo e pela influência da religiões orientais.

Esse protesto se traduziu sobretudo no vestuário marcando um profundo desinteresse por essa expressão como forma de conformismo e como adaptação ao cotidiano da existência. Os beats dotaram como uniforme a vestimenta simplificada da tradição obreira norte-americana, a calça Levis 501, a camisa de jeans sem gravata e o uso da camiseta como traje habitual para os jovens intelectuais.

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Perguntavam que sentido existia na roupa e se vestiam pobremente à moda franciscana. Usavam cabelos desalinhados, barba e bigode por fazer, sandálias nos pés e uma bolsa pendurada em um dos ombros para carregar seus livros.

O movimento beat teve grande repercussão na literatura com o romance On the Road de Jack Kerouac, mais tarde transformado pelo cinema no filme clássico desta geração: Sem Destino.

As moças, solidárias com os jovens beatos tiveram em Audrey Hepburn seu maior ícone, só já veiculado pela cultura da sétima arte. Mostraram-se ao mundo em luto profundo dentro de estreitas roupas negras, como aquelas novíssimas calças justas e os tween sets colados ao corpo. Nos pés usaram sapatilhas de bale como desdém pelo luxo dos saltos altos e finos usados pelas jovens da burguesia emergente que se vestia pelos ditames do New Look de Dior. O som da moda era o jazz e Miles Davis o ídolo.

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O movimento atravessou o oceano; porém, o nível medíocre de vida da Europa ocidental em reconstrução não permitia especulação sobre o vestuário. Em 1957 começou a surgir na Inglaterra, atravessou o oceano com sua significação totalmente modificada; no entanto o que notificou não foi a filosofia do sistema e sim um modo de vestir, um modismo.

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Na América significou desinteresse pela sociedade de consumo e ruptura brutal da cultura jovem contra o meio social através de uma revolta pacífica. Na Europa exprimiu violentamente sua pobreza pós-guerra. Surgiu junto aos filhos da classe trabalhadora como um movimento popular dos jovens cuja família não podia mais sustentar, mostrando através da revolta juvenil, as novas condições de existência marcadas pela guerra. Lá, foi a moda dos Ted boys.

Leia também O tempo dos beatniks .

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“O próprio existencialismo, além de doutrina filosófica, foi constantemente identificado como um estilo de vida e forma comportamental. Muitas vezes, caracterizado com estardalhaço pelos meios de comunicação, como atitude excêntrica. Seus adeptos eram envolvidos em uma verdadeira mitologia. Os trajes eram praticamente roupas pretas, o chamado “blusão de couro”, gola rolê e boinas.

Em Paris, eles circulavam pelos cafés e aqueles porões (caves), onde escutavam Jazz e outros ritmos considerados cult. A cantora Juliette Gréco foi considerada a musa existencialista, freqüentava a boêmia francesa em meio a Jean Cocteau, Sartre e outros poetas e intelectuais. O estilo de Juliette foi muito copiado na época: cabelos negros e Chanel com franja. Diziam que seu estilo era uma fusão de intensidade intelectual com uma tendência à “sensualidade divertida”, o chamado “funny sensuality”, o qual podemos associar ao “funny face”, apesar de Gréco e Hepburn possuírem estilos bem diferentes. ” (Leia mais no Moda Manifesto.)

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Por Queila Ferraz

(Queila Ferraz Monteiro é estudiosa de História da Moda, é consultora de design e gestão industrial para confecção e Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção dos cursos de Moda em várias faculdades , também é professora em cursos de pós-graduação em universidades como o Senac. queilamoda@yahoo.com.br )

Publicação: 8 de abril de 2008

AUTOR

Queila Ferraz, Coordenadora Geral do Curso de Design de Moda da UNIP, foi professora da Universidade Anhembi Morumbi e dos cursos de pós-graduação de Moda do Senac. É historiadora de moda, especialista em processos tecnológicos para confecção e consultora de implantação para modelos industriais para a área de vestuário.

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