Zíper: já tem cem anos e status de detalhe fashion – Parte 2/3

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Em ouro branco e diamantes, a Van Cleef & Arpels criou esta jóia. Aberto é um colar, fechado uma pulseira.
Foram lançados três modelos diferentes e a inspiração foi uma peça encomendada pela Duquesa de Windsor em 1939 ( Fonte: O escarrador de David Motta )

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Atualmente usado em larga escala, o zíper nem parece ser uma invenção centenária. Ele está sempre presente em calças, bermudas, jaqueta, saias, vestidos, bolsas, calçados, malas e numa variedade de produtos. Tem os requintes do design moderno e da tecnologia avançada, podendo até ser um dos principais detalhes nos artigos de moda. Mas não foi sempre assim. Criado em 1891 pelo americano W.Jadson que precisava  resolver o incômodo de amarrar os cordões de seus sapatos, o zíper só passou a ser amplamente usado décadas mais tarde.

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Descoberto por estilistas internacionais, o zíper deslanchou e conquistou cada vez mais espaço. Nomes conhecidos da alta-costura passaram a usá-lo com freqüência, dando inclusive destaque para o aviamento em algumas peças. Pierre Cardin, Yves Saint-Laurent, Mary Quant e Courrêges forma alguns dos pioneiros que adotaram o componente. Courrêges, conta à historiadora Sereflisa do Amaral, pode ser considerado um marco nesta trajetória, pois aplicou o zíper como adorno em criações dos anos 70.

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Courréges /Pierre Cardin

Nesta mesma década, o zíper participou ativamente da moda jovem, figurando em roupas inovadoras, com enormes proporções, confeccionadas em materiais plásticos e em cores vibrantes. Em sua história, o zíper presenciou o movimento hippie e as conquistas espaciais,  fechando os macacões exclusivos dos astronautas. Também aderiu definitivamente ao jeans, um best-seller da moda.

“Hoje, os estilistas lançam mão de tudo  que tem disponível em termos de tecnologia, aviamentos e componentes em geral, incluindo as variações do zíper”, ressalta Carlos Roberto Fiere, assessor de marketing da YKK, Yoshida Brasileira Indústria e Comércio,  com sede no Japão e atuação em 44 países.
Ricardo Wagner Ribeiro Suares gerente de marketing da Divisão Zíper da Metalúrgica  Brasileira Ultra, concorda que o zíper já saiu há algum tempo do obscurantismo. “Ele é atualmente um complemento de moda”, sentencia. Mas, como tudo na esfera fashion, lembra Ricardo, a presença do componente como adorno é muito sazonal. Em determinados ciclos, ele pode aparecer com total destaque nos trajes e, em outros momentos, figurar somente como um fecho discreto.

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O gerente da Ultra calcula que 70% do mercado compra o zíper para aplicação trivial em calças. Cerca de 15% a 20% se dirige a malas, bolsas, mochilas, estojos, pochetes e outros artefatos. O restante é a fatia destinada a compor detalhe em roupas e calçados.

De qualquer forma, hoje o componente está em alta. É enfeite constante de peças consagradas nas passarelas dos desfiles nacionais e  internacionais. A gerente de produto das Linhas Correntes, Marisa Persevalli Gonçalves, diz que, há aproximadamente três estações, ele tem sido  muito procurado. “Os de plástico, por exemplo, estão em maiôs, jaquetas estilo esquiador e até em roupões”, constata.

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BELEZA E QUALIDADE


Todavia para garantir a posição privilegiada, o zíper tem passado por constantes aperfeiçoamentos. “Acompanhamos com criatividade as tendências para estarmos aptos a aparecer também”, avalia Carlos Fiere, da YKK. O zíper contemporâneo é fruto de um conjunto que envolve equipamentos modernos e matérias-primas melhores e mais variadas, metais dourados e niquelados, plástico e poliéster. Ainda, um design sempre atualizado.

Os fabricantes permanecem atentos também às cores das estações e introduzem, periodicamente, novos tons em suas cartelas. A YKK, por exemplo, reúne normalmente 56 cores diferentes e recicláveis, conforme as variações da moda. Na Metalúrgica Ultra, são oferecidas cerca de 40 tonalidades. Já as Linhas Correntes preparou para este ano uma gama de 100 opções, englobado os tons básicos do inverno e os do verão.

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A tecnologia, por sua vez, emprestou para o zíper maior qualidade, resistência e durabilidade. “São mudanças que não se referem ao visual do produto, mas tem uma grande importância para o consumidor”, analisa Marisa. “Atualmente, oferecem maior segurança para o usuário”, acrescenta Fiere.

Além disso, novos puxadores ou pingentes são constantemente  lançados no mercado. Desenhos arrojados transformam os puxadores em argolas, bolinhas e muitos outros formatos diferenciados. Mais que isso, o zíper pode trazer o aval de uma grife. É que os fabricantes até imprimem quando solicitado pelo cliente, a marca da confecção no pingente. O objetivo de tantas opções é mesmo manter prático fecho e também um elemento sempre “in” na moda.

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Brincadeiras com Zíper

Zíper: já tem cem anos e status de detalhe fashion   Parte 2/3Obra de Salvador Dalí

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Por Queila Ferraz

Publicação: 30 de setembro de 2008

AUTOR

Queila Ferraz, Coordenadora Geral do Curso de Design de Moda da UNIP, foi professora da Universidade Anhembi Morumbi e dos cursos de pós-graduação de Moda do Senac. É historiadora de moda, especialista em processos tecnológicos para confecção e consultora de implantação para modelos industriais para a área de vestuário.

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