Zuzu Angel

Zuzu Angel

Zuzu Angel, nasceu em Curvelo em 1921 e mudou-se ainda menina para Belo Horizonte, depois para Bahia carregando deste local muitas influências em sua moda. Em 1947 foi para o Rio de Janeiro onde morou até 1976, ano de sua morte. Em Minas Gerais fazia roupas para primas, começou a trabalhar profissionalmente como costureira nos meados dos anos 50.

Nos anos 70, abriu sua loja em Ipanema e fez desfiles com bastante sucesso no exterior, para onde levou a linguagem brasileira.

Foi pioneira, entrando, no mercado norte americano na época em que o conceito que tinhamos da moda americana no Brasil era muito negativo e não tinha quase nenhuma aderência, já que a cultura européia era a grande referência e predominou durante toda a metade deste século.

Zuzu Angel

Neste sentido, Zuzu Angel apontou o mercado americano para os produtores de moda no Brasil, foi vitrine de grandes lojas de departamentos americanas e ganhou nos EUA editoriais importantes. Infelizmente, morreu antes de ter se tornado um nome de expressão fora do Brasil.

Zuzu valorizou a mulher como ser criativo, o que era muito pouco aceito na época. Criar moda não era considerado tarefa feminina. A mulher poderia estar sentada na mesa de costura, mas não era dada a ela a honra de ser uma criadora de moda. Zuzu teve esta coragem e conseguiu se impor num mercado totalmente dominado por estereótipos. Conquistou o mercado por sua simplicidade, por sua feminilidade e por sua profundidade.

Começou, antes dos outros costureiros, a divulgação de sua marca, colocando-a externamente na roupa. Buscava não somente o mercado elitizado, mas também queria vestir a mulher da rua, a mulher dos pontos de ônibus, a que voltava do supermercado. Na época este conceito era subestimável, era querer vestir em grande escala, querer vestir pessoas que não tinham recursos para frequentar um ateliê. Zuzu teve uma macro visão da moda, sendo considerada, filosoficamente, uma pioneira.
Zuzu Angel
O mérito da Zuzu Angel é considerado pela originalidade de sua proposta, pois fazia uma moda brasileira com materiais brasileiros, com linguagem pessoal, com cores tropicais. Isto foi uma proposta de caráter cultural que se manteve ao longo de seu trabalho. Foi a primeira a usar a renda de casimira. Misturou a renda de algodão com seda pura, usou chita com temas regionalistas e folclóricos. Trouxe também para a moda pedras brasileiras, fragmentos de bambu, de madeira e conchas. Assim ela incorporou em sua moda e sua época a ecologia e a brasilidade.

A figura dos anjinhos, crucifixos e dos tanques de guerra foram a metáfora que ela encontrou para simbolizar,em seu trabalho, a história de seu filho, além de representar seu nome: Zuzu Angel. Apesar desta história (seu filho, Stuart Angel, foi um ativista político torturado e morto pela ditadura militar na década de 1970) foi uma mulher muito alegre, sua moda mostrou faixas de luto, porém sempre atravessada pelo seu olhar singelo.ZUZU
O Filme
Zuzu Angel
Sinopse – Brasil, anos 60. A ditadura militar faz o país mergulhar em um dos momentos mais negros de sua história. Alheia a tudo isto, Zuzu Angel (Patrícia Pillar), uma estilista de modas, fica cada vez mais famosa no Brasil e no exterior. O desfile da sua coleção em Nova York consolidou sua carreira, que estava em ascensão. Paralelamente seu filho, Stuart (Daniel de Oliveira), ingressa na luta armada, que combatia as arbitrariedades dos militares.

Resumindo: as diferenças ideológicas entre mãe e filho eram profundas. Ela uma empresária, ele lutando pela revolução socialista e Sônia (Leandra Leal), sua mulher, partilha das mesmas idéias. Numa noite Zuzu recebe uma ligação, dizendo que “Paulo caiu”, ou seja, Stuart tinha sido preso pelos militares.

As forças armadas negam e Zuzu visita uma prisão militar e nada acha, mas viu que as celas estavam tão bem arrumadas que aquilo só podia ser um teatro de mau gosto, orquestrado pela ditadura. Pouco tempo depois ela recebe uma carta dizendo que Stuart foi torturado até a morte na aeronáutica. Então ela inicia uma batalha aparentemente simples: localizar o corpo do filho e enterrá-lo, mas os militares continuam fazendo seu patético teatro e até “inocentam” Stuart por falta de provas, apesar de já o terem executado.

Zuzu vai se tornando uma figura cada vez mais incômoda para a ditadura e ela escreve que não descarta de forma nenhuma a chance de ser morta em um “acidente” ou “assalto”.

Zuzu Angel

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http://comunidademoda.blogspot.com/

Publicação: 31 de agosto de 2006

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