Camargo quer ser Ricardo Almeida

Ele quer ser Ricardo Almeida
Exame                                                                                  

Ref: Estilistas – Brasil – Estratégia

Aos 30 anos, o estilista Camargo é a maior revelação da alta-costura masculina brasileira

Até poucos meses atrás, o estilista paulistano Ricardo Almeida reinava absoluto no mundo da alta-costura masculina nacional. Era ele o único brasileiro a disputar espaço com grifes estrangeiras como Giorgio Armani, Ermenegildo Zegna e Dior, e sua fama foi catapultada quando o Palácio do Planalto encomendou dezenas de seus ternos para acomodar a então robusta silhueta do presidente Lula. Recentemente, porém, um alfaiate de apenas 30 anos surgiu como o maior concorrente de Ricardo Almeida. Seu nome é João Carlos Camargo. O curioso é que o rival de Almeida surgiu, justamente, de suas hostes: Camargo era o mais destacado aprendiz do estilista de Lula. Em 2005, ele decidiu que, depois de quatro anos, o aprendizado havia terminado e era hora de abrir sua própria loja. Desde então, vem conquistando artistas, celebridades e — principalmente — executivos, que se derramam em elogios a seu estilo. “Ele é o nosso futuro Calvin Klein”, diz o dono da CVC, Guilherme Paulus. “Suas roupas são mais leves”, afirma Fernando Terni, presidente da Nokia. “É um inovador”, diz Jaime Szulc, vice-presidente da Kodak. O ritmo de crescimento da loja é acelerado. No ano passado, a média era de 15 ternos vendidos por mês. Em março, foram mais de 70.

A ascensão de Camargo deu origem a um frisson no mundo da moda — causado, em boa medida, pela atitude que o estilista tomou ao abandonar a equipe de Ricardo Almeida. Assim que abriu sua loja, ele se sentou na frente do telefone e iniciou uma série de telefonemas para os clientes de Almeida. Além disso, convidou para sua empreitada um punhado de funcionários da equipe do ex-chefe, o que foi visto por muitos como uma traição injustificável. “Isso não se faz”, diz um amigo comum. Apesar das críticas, Camargo obteve um sucesso inegável com sua estratégia. Executivos que faziam seus ternos com Ricardo Almeida foram seduzidos pelos preços de Camargo, cerca de 20% menores. O custo do sucesso, porém, foi o rompimento de relações com o antigo mestre. Hoje, criador e criatura não se falam. “Ricardo foi minha faculdade, mas hoje não nos relacionamos”, diz Camargo. O clima entre os dois está tão azedo que, procurado, Ricardo Almeida mandou avisar que não se pronuncia sobre o pupilo.

O perfil do alfaiate

Quem é ele…

– Idade: 30 anos

– Carreira: começou aos 17 anos como vendedor da loja Minelli. Anos depois, foi contratado por Ricardo Almeida. Abandonou a equipe do estilista em 2005
– Clientes: executivos como Fernando Terni, da Nokia, e Guilherme Paulus, da CVC

…e quais são suas dicas de estilo

– Use paletós de dois botões
– Prefira ternos mais colados ao corpo
– Se gostar de ternos risca-de-giz, escolha aqueles com listras mais extravagantes

A carreira de Camargo é incomum. Numa comparação com o ambiente empresarial, seria como um auxiliar de escritório virar dono da companhia. Sua trajetória começou como vendedor raso na Minelli, uma tradicional alfaiataria paulistana. Foi crescendo na hierarquia, promovido a gerente e, dez anos depois, entrou na equipe de Ricardo Almeida. Enquanto o chefe atendia no ateliê, Camargo era o responsável pela loja no shopping Iguatemi, um dos mais sofisticados de São Paulo. Lá, ficou próximo de alguns clientes e amadureceu a idéia de ter um negócio próprio. Ao abrir sua loja, Camargo decidiu apostar num público que, segundo ele, era pouco atendido por Ricardo Almeida: executivos que usam ternos diariamente. “O Ricardo vende mais para artistas e políticos”, diz ele. Isso não significa, no entanto, que os preços de Camargo sejam baixos. O homem de negócios que quiser levar seu terno mais baratinho terá de gastar pelo menos 2 200 reais. Os conjuntos mais caros, feitos com a lã Super 180 (de fios mais finos), podem custar até 14 000 reais. Segundo os especialistas, o estilo de Camargo é idêntico ao de Almeida — ambos produzem ternos de corte seco, menos estruturados e mais colados ao corpo.

O sucesso de alfaiates jovens como Camargo é uma história cada vez mais rara no mercado brasileiro, progressivamente dominado pelas grandes grifes européias. Empresas como Armani e Zegna oferecem um serviço conhecido como su misura (sob medida, em italiano). O cliente brasileiro tem as medidas tiradas nas lojas locais, os números são enviados à Itália e os ternos chegam ao Brasil de avião. Os preços, nesses casos, podem atingir os 20 000 reais. Há três anos, a Armani tinha quatro lojas no país. Hoje, já são seis. Quem não pode gastar dezenas de milhares de reais num conjunto de paletó e calça pode investir no prêt-à-porter. As peças vêm prontas e são ajustadas ao corpo do comprador. Os preços são mais em conta: cerca de 4 000 reais por terno. Mesmo lutando contra essas grandes potências da moda, Camargo diz não se intimidar. Seu desempenho tem sido tão animador que ele planeja abrir uma filial em Nova York. “Já tenho até um investidor interessado”, diz ele.

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O tel dele é 84278128 .

Publicação: 17 de abril de 2006

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