Confia no “Made in China”?

 Confia no “Made in China”?

A China tem sido apontada como responsável por produtos que não garantem a segurança dos consumidores, situação que, aliada à forma como as autoridades chinesas lidam com o problema, está a favorecer outros fornecedores(25Set07)

A preocupação com os padrões de segurança dos produtos chineses alastrou recentemente ao sector de vestuário, quando níveis perigosos de contaminação foram encontrados em bibes e pijamas de criança. Existe uma forte possibilidade de que os consumidores ponderem um pouco mais perante a etiqueta “Made in China”, o que traz novas oportunidades para os concorrentes da China. Leia mais aqui.

Acreditar no “Made in China”
De acordo com Li Changjiang, responsável da administração central chinesa para a qualidade e inspecção, a diabolização dos produtos chineses é apenas uma nova forma de proteccionismo comercial. Para além do afirmar da posição oficial, o vice-director do gabinete de informação chinês, relembrou aos media para seguirem os ensinamentos de Marx sobre o relato de acontecimentos, caso algum periódico chinês decida seguir as linhas editoriais ocidentais e investigar as actividades industriais. E, caso isto fosse demasiado subtil, a China encarcerou um jornalista por noticiar a existência de problemas em alimentos à base de carne de porco.

Por outras palavras, como acontece frequentemente, as autoridades chinesas fizeram tudo ao contrário. Reflectindo esta interpretação, ao longo do último ano, os jornais controlados pelo estado chinês também acusaram de proteccionista a nova legislação Reach (Registration, Evaluation, Authorisation and Restriction of Chemicals) da União Europeia, que entrou em vigor no dia 1 de Junho.

Entretanto no Ocidente, os verdadeiros estragos estão em curso. Com cada novo receio apareceram dezenas de outras notícias sobre os descuidados padrões chineses.

Saber lidar com o problema

O que os chineses não conseguem entender é que não é por causa do proteccionismo ocidental que as pessoas comentam e acreditam nessas histórias, é por causa da recusa chinesa em lidar com o verdadeiro problema.

Os relatos divulgados no Ocidente sobre as más condições laborais na China, as fábricas chinesas que causam poluição e o rápido aumento das emissões de gases de estufa atraíram a atenção de grupos de interesse e activistas, mas pouco fizeram para influenciar a forma como os consumidores gastam o seu dinheiro. No entanto, os receios dos consumidores em relação aos riscos sobre os seus filhos, tem uma influência directa nas opções que tomam.

Apesar de em alguns produtos esses receios não influenciarem qual o país de origem devido à hegemonia da China, com o vestuário é diferente. A China possui concorrência efectiva na produção de vestuário em mais de 100 países com mão-de-obra barata. Muitos deles possuem custos mais baixos do que a China, ou encontram-se muito mais próximos dos seus clientes europeus ou norte-americanos. Estando a competitividade da China a ficar enfraquecida mesmo antes de surgirem estes receios de contaminação.

Receios de contaminação
Os receios de contaminação não são uma novidade. Ao contrário de outras questões de conformidade com as quais as empresas têm de lidar, as marcas em causa raramente enfrentam os consumidores irados ou a pressão política. O que pode efectivamente afectar seriamente um negócio é a silenciosa deserção dos seus clientes. A cadeia de supermercados William Low nunca recuperou de um caso de intoxicação alimentar que ocorreu numa loja em Aberdeen, em 1964, tendo sido forçada a sair de uma parte da Escócia, e a sua fraca reputação impediu-a de reabrir na zona.

O “Made in China” corre o risco de se tornar, para muitos clientes, um verdadeiro sinal de “não comprar”. Esses clientes não pretendem ser proteccionistas e não são sensíveis a argumentações.

Os argumentos de responsáveis oficiais chineses sobre a “diabolização” ou injustiça não vão convencer uma mãe a comprar uma peça de vestuário chinesa sobre a qual possa ter preocupações (em vez de comprar uma com origem na Tailândia ou na Nicarágua), nem o encarceramento de jornalistas que alertam sobre condições de produção questionáveis, nem mesmo as lições sobre marxismo. Com a forma como tem lidado com estas situações, a China dá de bandeja o melhor presente possível para os seus concorrentes.

Matéria do site Portugal Textil.

Publicação: 27 de setembro de 2007

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