Moda: o desafio de empreender

Por Lilian Burgardt

Moda: o desafio de empreender

Onde sobra criatividade o que também não falta é gente querendo montar seu próprio negócio para ganhar o mundo. Na área de moda, os empreendedores estão por toda parte, batalhando para que suas roupas, calçados e bijuterias emplaquem no mercado. Especialistas dizem que 90% dos negócios são liderados por micro e pequenas empresas, na grande maioria, familiares e informais. Além disso, embora o homem também tenha uma atuação forte, no Brasil, moda é um setor predominantemente feminino, quase sempre impulsionado pela necessidade de a mulher sustentar a família e, por isso, ter uma segunda fonte de renda.

Na opinião da diretora de marketing do Ibmoda, Luciane Robic, o setor ainda sofre com uma grande desorganização interna por conta da falta de especialização dos profissionais envolvidos e pelo empreendedorismo de ocasião, que surge como fonte complementar de renda. Fora isso, falta apoio por parte do governo para que as empresas consigam se estabelecer no mercado e se tornem competitivas diante de marcas maiores e grandes redes internacionais, que cada vez mais ganham espaço no Brasil. “O que acontece no empreendedorismo de moda é mais ou menos reflexo do setor como um todo. Apesar dos resultados expressivos que o Brasil apresenta, por falta de interesse do governo, os empreendedores ainda esbarram em muita burocracia para criar e manter um negócio”, lamenta.

(…)

Caso de empreendedor

Diante de tantas dificuldades, empreender em moda e dar certo é uma vitória que precisa ser contada, ainda mais quando vem da ala masculina, como é o caso do estilista e empresário Mário Queiróz. O espírito empreendedor sempre esteve ao seu lado e apesar de ter concluído o curso de graduação em Jornalismo, hoje, ele é internacionalmente conhecido por sua carreira de sucesso no mundo fashion.

Moda: o desafio de empreender

Em meados dos anos 80, quando ainda não havia o curso de graduação em moda no País e o tema era considerado tabu, especialmente para os homens, o então estudante de Jornalismo da UFF (Universidade Federal Fluminense), Mário Queiroz, decidiu ousar. Munido de sua criatividade e de uma boa oportunidade ele trocou as entrevistas pelos croquis, mudança que fez com que, hoje, ele esteja entre os principais estilistas do país no que diz respeito à moda masculina, além de ser um empresário de sucesso no ramo.

A paixão pela moda começou cedo, ainda nos tempos da universidade. “Ainda não trabalhava como jornalista. Logo nos primeiros anos do curso surgiu uma oportunidade em uma fábrica. Embora eu não tivesse experiência em moda, até porque isso praticamente não existia no Brasil, a única exigência era ter criatividade, então eu topei o desafio”, conta.

Você pode se perguntar, mas e a família, deu apoio? Segundo o estilista, não só apoiaram como incentivaram. “Sempre tive esse perfil ousado e a necessidade de experimentar coisas novas, minha família sabia disso e confiava em minhas decisões, mesmo quando o assunto era uma profissão que a maioria ainda pensava que se resumia à costura. Na verdade, costumo dizer que meus pais não sabiam o quanto eram modernos pois nunca me repreenderam profissionalmente, como ainda acontece com os jovens”, lembra, emocionado.

O caráter inovador e o universo bastante fascinante, na opinião de Queiróz, foram os principais fatores que o impulsionaram a seguir carreira na área, mesmo tendo concluído a graduação em Jornalismo. “Sempre considerei que a faculdade não servia apenas para direcionar profissionalmente mas também para agregar conhecimento. Aproveito até hoje o conhecimento adquirido na vida acadêmica, mas já havia me apaixonado pela profissão de moda”, diz.

O primeiro emprego no setor foi uma verdadeira aula de estilismo. “Comecei como assistente de estilo de um profissional da área. Minha função era ajudá-lo na pesquisa de materiais e na criação de estampas. Isso tudo valeu muito porque, na época, poucos profissionais criavam no Brasil, a maior parte dos modelos eram copiados do que vinha de fora do país”, explica.

Vida de professor

Após 12 anos criando para outras marcas Mário Queiróz possuía o conhecimento e a experiência necessários para que pudesse repassar um pouco de sua técnica para os mais jovens. Assim, o estilista foi convidado para ministrar aulas no curso de Moda da universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo, outro grande desafio de sua carreira. “Embora eu não tivesse parado para pensar em ser professor acredito que esta foi e continua sendo uma excelente oportunidade de estar em contato com os jovens e trocar experiências”, ressalta.

Mas como tudo na vida do estilista, essa oportunidade não veio sozinha, ocorreu justamente no momento em que ele se preparava para criar seu próprio negócio. “Há 12 anos na `estrada´ já tinha encontrado meu estilo e apostava nele. Embora, no Brasil, houvesse destaque para a moda masculina, acreditava que existia espaço para algo novo e decidi investir nisso”, conta. Após algum tempo com seu negócio, o talentoso estilista passou a ser convidado a participar de importantes eventos da moda nacional como o Semana Barra Shopping de Estilo, evento de moda no Rio de Janeiro. Além disso, ele conquistou, em 2001, primeira vez em que participava do evento, a atenção dos holofotes no São Paulo Fashion Week e ainda foi convidado para o Salão de Prêt-a-Porter, em Paris, um dos momentos mais marcantes de sua carreira.

Vida de empresário

Começando do varejo até chegar às vendas no atacado, momento em que geralmente se encontra uma clientela bastante exigente, Queiróz se deparou com inúmeros problemas para conseguir fixar seu negócio, especialmente no que diz respeito ao complicado cenário da economia brasileira. “Todo dia nos deparamos com diversas dificuldades e acredito que isto não acontece só com os empresários de moda, mas de maneira geral, já que o país não incentiva novas iniciativas, especialmente de pequenas empresas” , lamenta.

Além disso, Queiróz destaca os encargos cobrados pelo governo para contratatação de funcionários como um dos principais empecilhos para o crescimento de micro e pequenas empresas. “É difícil contratar tendo em vista o custo de cada funcionário, ao mesmo tempo que você também precisa da mão-de-obra para crescer. Isto é muito problemático em um país que precisa de empregos”. Além deste fator, a falta de investimentos e apoio ao produto brasileiro no país são outros entraves, em sua opinião. “É preciso valorizar nacionalmente o produto que é nosso. Assim é muito mais fácil ter chance de conquistar o mercado internacional”, dispara.

No entanto, ele prefere não pensar nos percalços e se concentrar nos momentos positivos para continuar batalhando por seu negócio. “Não é muito bom pensar nos momentos difíceis, até porque eles são constantes. Prefiro lembrar de quando as pessoas te encontram na rua e elogiam o seu trabalho ou quando ele alcança bons resultados sendo reconhecido por profissionais especializados, isso que me impulsiona a continuar”, destaca.

Sempre inovando e criando suas oportunidades, Queiróz não pára por aí. Assim como grandes nomes da moda internacional como John Galliano, famoso por desenhar para a Dior, o estilista brasileiro não pretende parar de prestar assessoria para outras marcas. “A moda é uma profissão interessante porque permite esta liberdade. Ainda que você tenha seu negócio, nada impede que você continue criando estilos para outras marcas, mesmo que demore um certo tempo para que você o reconheça”, afirma. Neste caso, o estilista ainda faz um alerta para os jovens estudantes: “Na universidade, as pessoas têm muita pressa. Querem se formar estilistas. Isto não existe. É como para os profissionais na música, com o tempo e a experiência se cria uma identidade que acaba se tornando sua marca registrada”.

Movido a sonhos, o estilista declara ter muitos desejos ainda não realizados, entre eles, a vontade de ter uma distribuição mais ampla de sua marca, crescer e acreditar que as empresas brasileiras têm chances de se manter no país, e, sobretudo, ver seu negócio em expansão no exterior. “São vários planos, graças a Deus. Sem eles não há como continuar vivendo”, encerra.

Leia matéria completa aqui.

Publicação: 5 de março de 2007

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