Artigos publicados na Tag ‘Cyro Del Nero’

Videoclipe X Nilton Travesso ou A Travessura de um Sofisma Niltoniano

Publicado em 25 May 2009 at 8:51pm

“Não há coisa mais engraçada do que quando alguém lhe dá um tiro, e erra”.

Winston Churchill (1874-1965)

VIDEOCLIPE

Substantivo masculino

- Curta-metragem em filme ou vídeo que ilustra uma música e/ou apresenta o trabalho de um artista.

Dicionário Houaiss

E podemos dizer muito mais. Videoclipe é um segundo conteúdo que cria o environment ou o comentário visual do número musical; cenografia elucidativa ou colaboradora para a riqueza e compreensão do sentido da obra musical.

Ao contrário do número musical simplesmente – em cinema ou televisão – o videoclipe não é apenas o registro da performance do artista, mas um trabalho criativo elucidando, comentando, corroborando, ampliando e enaltecendo as qualidades do mesmo. Criando mesmo uma obra paralela na direção do mesmo sentido da criação musical. E rica, dependendo da cultura empregada, condizente com o número musical ou como uma ampliação do seu sentido.

Cyro del Nero

Foi a Direção do Fantástico -programa com o qual eu já colaborava como seu Diretor de Arte nos anos 70 – quem colocava em minhas mãos artistas para que eu criasse números musicais e a partir da minha criação do GITA com Raul Seixas, não mais “números musicais”, mas o que ainda não tinha nome em nosso vocabulário: o videoclipe.

Paulo Coelho, o letrista do GITA,  sabe disso – e me disse há pouco tempo, cumprimentando-me pelo ineditismo e pelo grande sucesso do GITA e  da estréia de um gênero no Brasil –  que o videoclipe criado por mim, premiou e elevou o talento da dupla que ele fazia com Raul.

Do dia para a noite nasceu o videoclipe no Brasil e o uso de uma erudição visual inexistente até então.

Raul Seixas – GITA – (Completo)

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Sonoplastia: o som, a história e a peça

Publicado em 23 Apr 2009 at 4:17pm

A sonoplastia é hoje o design do som, a grafia do som que age como uma sutil rubrica para o público ouvir. E as técnicas hoje são várias sendo não somente prégravadas, mas masterizadas, mixadas, e disparadas com temporizador da reprodução.

Hoje a importância dos ruídos ou das melodias é a mesma e a definição do som do espetáculo é diferente para cada diretor teatral. Muitas vezes este decide historicizar o espetáculo datando o som de acordo com a datação criada pelo texto ou pelo estilo da representação.
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O teatro de Louis Jouvet

Publicado em 03 Sep 2008 at 4:44pm

É sempre Louis Jouvet, diretor teatral mais sábio que erudito e excelente ator do teatro francês, quem nos revela o teatro. São inúmeros seus ditos transformados em citações constantes pelos homens do palco.

É dele a afirmação de que os homens do palco são servos da imaginação do poeta e prestam o serviço mais nobre ao teatro ao qual servem com humildade.  E os espectadores seguem com docilidade o poeta dramático ao império desconhecido do teatro que não tem nada de comum com o mundo sensível que nos cerca.

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A voz

Publicado em 29 Aug 2008 at 8:36pm

Maria Callas: cantora lírica de ascendência grega, considerada a maior celebridade da Ópera no século XX e a maior soprano de todos os tempos.

Você pode ter um instrumento musical favorito e seu amigo pode preferir um outro, mas a verdade é que seja qual for o instrumento, ele será sempre um pedaço de madeira ou de metal que soa a partir do exemplo da voz humana. Alguns se parecem mais com a voz humana e o instrumento apontado como o mais semelhante é o violoncelo. Mas todos eles reproduzem o grito ou o sussurro, a amargura ou a doçura da voz humana.

A voz é misteriosa e tanto é assim que você notará cantores referindo-se a sua voz não dizendo a minha voz. Eles dizem a voz…

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Carmen, Maria Calas

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O força de Eurípides em tempos contemporâneos

Publicado em 22 Aug 2008 at 3:10pm

Uma professora de ensino básico procurou um professor do Departamento de Artes Cênicas da ECA e perguntou se seria possível que este fizesse uma palestra para seus alunos sobre o teatro grego. Ela estava ensaiando alunos para a representação de ALCESTE de Eurípides.

Claro que sim, ele gostaria de fazê-lo. Mas queria saber a idade dos alunos que fariam o espetáculo trágico grego. Quando soube que os atores tinham onze anos de idade não quis acreditar e então muito curioso foi depois de alguns dias até a escola na periferia de São Paulo …

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Cyro del Nero inicia workshop sobre História da Moda

Publicado em 19 Aug 2008 at 7:05pm

Look de Paul Poiret

Durante os meses de Agosto e Setembro, Cyro del Nero estará ministrando o workshop “A História da Moda”. A programação é:

WORKSHOP: “A História da Moda”

Data: 16/08 à 16/09 (sábado)
Horário: 9h às 16h
Local: Rua Fidalga, 27 – Vila Madalena

Palestrante:

Cyro del Nero é cenógrafo, escritor e professor titular da cadeira de Indumentária Teatral da Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Arte das Universidade de São Paulo (ECA/USP). Foi responsável pelo cenário e pelo figurino de inúmeras montagens teatrais e pela cenografia de eventos em diversos países.É autor do livro Com ou Sem a Folha da Parreira, que aborda a história da Moda.

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As transformações no teatro brasileiro

Publicado em 19 Aug 2008 at 4:48pm

As transformações na construção de um espetáculo teatral brasileiro foram inúmeras a partir do Teatro do Estudante de Paschoal Carlos Magno e depois do Teatro Brasileiro de Comédia. A seguir vieram o Oficina e o Teatro de Arena.

Para quem participou das reuniões de mesa para definição do espetáculo, foi possível assistir os processos mais díspares. Até que em certo momento da história teatral brasileira, adentrou as reuniões o esquema da criação coletiva.

O Teatro é um mistério e muitos elementos podem determinar seu sucesso ou seu fracasso. Um dos mais ativos agentes dos resultados positivos ou negativos é a família teatral. A composição, a energia, a simbiose criativa, a afetividade e, sobretudo, a ética do elenco que é a família teatral. Mas a grande experiência funcional do teatro é ter-se um diretor com uma idéia clara e bem composta, complexa e com propósito amadurecido e entusiasta.

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Por Cyro Del Nero

Notícias do Cyro del Nero

Publicado em 07 Aug 2008 at 8:26pm

Exposição de  Maquetes

Visite a exposição de trinta maquetes dos alunos de Cenografia do Prof. Cyro del Nero na FUNARTE onde você pode assistir OS POSSESSOS de Dostoiévski, dirigido por Antonio Abujanrra com cenário e figurinos de Cyro del Nero.

De quinta a sábado 20 horas e Domingo 18 horas. Entrada gratuita.

FUNARTE – Alameda Nothmann, 1058 Campos Elíseos, travessa da Avenida São João.

***

Ciclo de Conferências Sobre História da Antigüidade


A partir de 20 de agosto, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, no projeto Interunidades, o Professor Cyro del Nero iniciará ciclo de conferências sobre História da Antigüidade.

Este ciclo semanal contará com temas como A FORMAÇÃO DO HOMEM GREGO, O RIO NILO, O TEATRO GREGO, ÉTICA NA PRÁTICA e outros.

Inscrições:

Procure o Blog do Cyro del Nero e deixe um comentário.

Figurino: o equilíbrio dos signos ao compor um personagem

Publicado em 06 Aug 2008 at 4:15pm

Há uma emoção para o figurinista durante a preparação para o ensaio final de um espetáculo teatral. Chegam os costumes depois das provas já havidas e o ator veste-se finalmente diante de um espelho. A emoção e as voltas que o ator dá ao redor de si mesmo para ver-se em seus diversos ângulos e dinâmica, avaliando o uso que seu corpo dará finalmente à sua personagem. Tudo completa naquele momento a realização do trabalho que o ator teve até então. Sua persona está pronta.

Roland Barthes diz que o bom costume teatral deve ter bastante material para significar e suficiente transparência para não constituir seus signos em parasitas.

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Simbologias dos espaços no Teatro Grego

Publicado em 28 Jul 2008 at 5:04pm

O teatro grego tinha em sua cena, três portas. A porta central era o interior do palácio de Tebas, por exemplo, de onde saia e entrava o ator representando Édipo Rei. A porta da direita de quem estava na platéia era a porta de entrada do gineceu, ou seja, dos aposentos femininos. A porta da esquerda do público era a porta por onde chegavam e partiam os estrangeiros.

Por que isso? É claro que a porta central era a porta do poder, daquele a quem pertencia o palácio. Em grego a palavra gineca quer dizer mulher, portanto o gineceu, a porta da direita, pertencia aos aposentos de Jocasta, mãe e esposa de Édipo.

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O sucesso não é uma ciência…O Teatro é um mistério!

Publicado em 14 Jul 2008 at 11:36pm

Há espetáculos bons e maus. O Teatro é tudo menos o tédio, dizia Jean Louis Barrault. Mas mesmo que um espetáculo seja dinâmico, dramático, comovente e em ritmo correto superando o desconforto possível de uma platéia, um espetáculo pode fracassar. O sucesso não é uma ciência. O Teatro é um mistério.

Julian Beck disse que o Teatro é um cavalo de pau com o qual podemos invadir a cidade. Mas muitas vezes esse cavalo de pau pode ser desmascarado.

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O Teatro nasceu das religiões ou as religiões nasceram do Teatro?

Publicado em 02 Jul 2008 at 11:16pm

Jean Louis Barrault foi um célebre ator francês conhecido no Brasil através do cinema.

Foi o mímico Baptiste no filme Boulevard do Crime.

Dirigiu durante anos a Commedie Française do Teatro Nacional da França. Ele esteve com a Commedie em São Paulo em 1954, apresentando Cristóvão Colombo de Paul Claudel e O Processo de Franz Kafka em uma adaptação de André Gide.

Em sua autobiografia, Barrault nos conta de sua amizade com Antonin Artaud, esse gênio profético do teatro, já em seus últimos anos – diariamente drogado porque estava enfermo e não estava enfermo por estar drogado. Quem hoje se droga para ter o gênio de Artaud comete um contra-senso.

Entre o que Barrault ouviu de Artaud há testemunhos terríveis. Artaud declarou:

- A tragédia no palco já não me basta. Vou transportá-la para minha vida.
Muitas vezes pediu que Barrault, um genial mímico, o imitasse. E vendo a imitação que o ator fazia dele, gritava:

- Roubaram minha personalidade, Roubaram minha personalidade.

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A oratória como conseqüência do amor dos gregos pela palavra

Publicado em 19 Jun 2008 at 3:43pm

Não podemos imaginar como era isso, mas os gregos não conseguiam ler sem dizer as palavras. Só liam em voz alta. A escrita era para ser compartilhada. E os autores liam suas obras para o público. Historiadores faziam isso nos degraus dos templos. Ir ouvir era um programa ateniense.

A palavra escrita não tinha marcas de pontuação regular e não havia títulos. Havia o que se chamou de escrita do arado andando da esquerda para a direita e voltando da direita para a esquerda. Muitas vezes não havia espaço entre as palavras.

As cópias de textos eram raras e inacessíveis. Não havendo livrarias, a circulação de textos não era pública, mas pessoal. Os gregos preferiam falar e ouvir. Sua arquitetura pública era a de um povo que gostava de conversar: em grandes teatros ao ar livre ou espaços cobertos para a música.
Ou ainda, espaços com uma fileira de colunas estruturais, as, onde os filósofos apoiados nas colunas liam e discutiam. Quem filosofava nas stoas era chamado de estóico. Para cada grego que lia uma tragédia havia milhares que a haviam assistido no teatro, colaborado ou atuado nela porque os jogos dramáticos envolviam grande parte da população de Atenas.

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