PARIS – O museu Christian Dior em Granville, cidade natal do estilista, no norte da França, abrirá na quinta-feira, 1, a exposição Dandismo 1808-2008, de Barbery d’Aurevilly a Christian Dior, que percorrerá as diversas interpretações do dandismo na moda.
Caracterizado por trajes aristocráticos, de extrema elegância e alguma excentricidade, o dandismo teve no escritor francês Jules Barbey d’Aurevilly (1808-1889) um de seus primeiros divulgadores. Em 1845, o escritor publicou Du Dandysme et de Georges Brummel, obra de referência considerada o manifesto dândi.
Cartas manuscritas, textos originais e quadros como o retrato de d’Aurevilly pintado por Emile Levy, além de acessórios e objetos vindos de coleções privadas e de museus tentam recriar a atmosfera dândi do passado e do presente nos espaços do museu de Dior.
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Pré-Guerreiros do Século XX
Curiosamente, os movimentos de moda jovem do século XX estão, na sua maioria, associados ao conceito de sobrevivência que precede os momentos de guerra ou de grande recessão econômica onde o gozo do prazer fica limitado. Este talvez seja o motivo pelo qual, todos tenham seu maior significado no traje masculino, mostrando um desejo do jovem em não assumir sua responsabilidade jurídica e civil de guerreiro e a responsabilidade social de provedor em época de penúria.
Tal condição talvez seja a responsável por uma estética de tribos urbanas amplamente hedonista e erótica que procura parcerias para relações efêmeras, onde o vínculo matrimonial não tem chance de acontecer pela impossibilidade de estes jovens machos assumir a função provedora que a sociedade lhes delega.
As modas femininas, que acompanham estes movimentos de estilo, aparecem com fortes traços andróginos, e carregadas da mesma efemeridade que as masculinas. Pouco eróticas, as garotas são apenas parceiras e solidárias da visão de mundo que os rapazes apregoam. Também não veêm no casamento uma solução para seus destinos e não pensam na relação homem /mulher como projeto a longo prazo, querem apenas “ficar”, experimentado parcerias e vivenciando experiências até que a idade adulta chegue e possam então se envolver com o mundo do trabalho, em geral, nas áreas de criação ou com atividades artísticas. Grande parte dessa juventude está envolvida com o mundo da moda, do espetáculo, das áreas de produção de imagem e comunicação.
São pessoas inspiradas pelo estilo dos dandies Vitorianos( homens do século XIX, com senso estético apuradíssimo, a lá Oscar Wilde).
Como o dandismo era um movimento contrário ao exagero de po-de-arroz e uma crítica sutil a nobreza, trouxe uma nova forma de beleza masculina. A preocupação com a perfeição dos trajes estavam acima de tudo.Podemos notar ainda o uso de calças mais ajustadas. As roupas eram usadas tambem como revolta aos valores da sociedade da época.Imagem era tudo.
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Leia mais sobre os Dandys na matéria Moda e Tribos Urbanas e Sobre Dândis e antimoda masculina.
“Nas grandes cidades surgem os emos, jovens que aliam som pesado à sexualidade flexível.”
Os movimentos de cultura de moda, que envolvem o vestuário dos adolescentes nas cidades contemporâneas, têm sido identificados como movimentos que se reconhecem como Tribos Urbanas.
Para compreender melhor a extensão da expressão que nomeia tais movimentos, construí um suporte teórico, que derivou da leitura de três pensadores do século XX e, partindo daí, acabei delegando a tal conceito a condição de serem as tribos comunidades de sobrevivência afetiva nas culturas urbanas das grandes cidades contemporâneas. Os autores e as obras são as do francês Michel Maffesoli, O Tempo das Tribos e também A Contemplação do Mundo, a do norte-americano David Riesman, A Multidão Solitária, e as do alemão Norbet Elias, A Sociedade dos Indivíduos e O Processo Civilizador.
É importante compreender as tribos como “comunidades de sobrevivência afetiva” (Elias-1996) dentro da vida urbana. Cada uma destas tribos se estetiza através de seu vestuário e se organiza em torno de um líder espiritual distante, um ídolo musical ou esportivo que, reúne projetos momentâneos e anseios de curto prazo dos membros da tribo.
Para que tal fato ocorra, eles prescindem das relações familiares e raramente projetam em seus pares qualquer expectativa de projeto profissional ou garantia de sobrevivência material.
Norbet Elias, em A Sociedade dos Indivíduos, considera que as Tribos Urbanas são grupos de iguais que se organizam em comunidades para garantir sua sobrevivência afetiva durante a passagem para a vida adulta, dentro das sociedades contemporâneas urbanizadas, em que o elevado valor da sobrevivência, na convivência dos indivíduos, marca o rumo da estrutura do homem singular na história da humanidade.
Outro exemplo de tribo urbana – os Punks.
“Oscar Wilde: o esteta, o dândi, o escandaloso, o intelectual, o sedutor, o elegante, o exótico, o bizarro, o homossexual, muitas vezes atitudes excêntricas para afrontar a sociedade londrina do século XIX.” Dhora Costa
Foi no século XIX, que o vestuário passou a significar dissidência. A figura crucial nesta transformação foi o dândi. O dandismo estabeleceu padrões mais rígidos de masculinidade ao introduzir um traje novo, moderno e urbano. Também, apontava para o vestuário como forma de revolta.
O vestuário masculino do século XIX era uma adaptação do traje de campo e esportivo do séc. XVIII. Foi o dândi que o transformou em estilo dominante, impondo uma estética que se opunha ao exagero de rendas, brocados e pó-de-arroz dos aristocratas pré-Revolução Francesa. Para Beau Brummel, seu criador, o novo estilo significava nada de perfumes. O papel do dândi implicava numa preocupação com o eu e a apresentação pessoal; a imagem era tudo.
Muitas vezes não tinha profissão, nome de família (SNOB: sem nobreza) e, aparentemente nenhum meio de sustento econômico, mas acabou por criar o arquétipo do novo homem urbano. A sua dedicação a um ideal de vestuário que santificava a sutileza, inaugurou uma época que punha o tecido, o corte e a queda do traje à frente do adorno, opunha o clássico retilíneo à cor e ostentação do rebuscado traje barroco e rococó.
Tipo narcisista, não abandonou a busca da beleza, apenas modificou o tipo apreciado, criando um novo erotismo masculino, com calças muito apertadas e o rosto sem pintura. O novo estilo tornou-se possível pelo uso da lã e do algodão em vez das sedas finas e cetins da velha aristocracia. Os alfaiates ingleses foram os primeiros a aperfeiçoar as novas técnicas de costura para tais tecidos. Vem dai a tradição de alfaiataria como corte inglês para traje masculino.