Calça skinny, All Star, camisetinhas de banda e muitos acessórios incríveis. A CAPRICHO te apresenta a From UK,tribo que mistura estilos e arrasa no visual
Se você é do tempo em que ser from uk significava ter nascido em algum dos países britânicos (United Kingdom ou Reino Unido = Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte), você certamente não acessa o Myspace.
O site de relacionamento é hoje o grande disseminador da tribo dos from uk, um novo estilo que mistura comportamento desencanado, exposição da própria imagem no mundo virtual e muita, muita moda, importada dos jovens britânicos e seus visuais moderninhos.
A exaltação dos sentimentos empregados pelos emotivos agora é algo do passado, a nova moda é louvar o Reino Unido e ser alternativo.
Funeral for a Friend, uma das bandas From UK
Mesmo sendo controverso, o Emo espalhou-se rapidamente pelo Brasil e fez a cabeça de muitos adolescentes. Uma verdadeira cruzada teve início a partir do momento em que surgiu o movimento, capaz de dividir diferentes setores da sociedade. Odiados por uns e amados por outros, os jovens de franjas gigantes e maquiagem continuaram a causar polêmica por onde transitavam, porém, os costumes utilizados mudaram e novas posturas foram adotadas com a criação do From UK, que agrega conceitos diferentes e abandona a melancolia, a tristeza e o sofrimento típico da antiga moda para abranger um visual inspirado na juventude britânica.
Cabelo desfiado com gilete, tingido de diferentes cores e levantado em algumas partes através do uso de laquê, roupas coladas e uma postura desleixada, indiferentes ao mundo, são características que os diferenciam das demais tribos. Outra peculiaridade é a utilização de piercing nas mais variadas regiões da face. Múltiplos objetos de adorno perfuram lugares distintos da boca, nariz, sobrancelha, tendo mais de um enfeite em algumas ocasiões, ou qualquer outro espaço disponível na pele para completar a exótica aparência.
“Nas grandes cidades surgem os emos, jovens que aliam som pesado à sexualidade flexível.”
Os movimentos de cultura de moda, que envolvem o vestuário dos adolescentes nas cidades contemporâneas, têm sido identificados como movimentos que se reconhecem como Tribos Urbanas.
Para compreender melhor a extensão da expressão que nomeia tais movimentos, construí um suporte teórico, que derivou da leitura de três pensadores do século XX e, partindo daí, acabei delegando a tal conceito a condição de serem as tribos comunidades de sobrevivência afetiva nas culturas urbanas das grandes cidades contemporâneas. Os autores e as obras são as do francês Michel Maffesoli, O Tempo das Tribos e também A Contemplação do Mundo, a do norte-americano David Riesman, A Multidão Solitária, e as do alemão Norbet Elias, A Sociedade dos Indivíduos e O Processo Civilizador.
É importante compreender as tribos como “comunidades de sobrevivência afetiva” (Elias-1996) dentro da vida urbana. Cada uma destas tribos se estetiza através de seu vestuário e se organiza em torno de um líder espiritual distante, um ídolo musical ou esportivo que, reúne projetos momentâneos e anseios de curto prazo dos membros da tribo.
Para que tal fato ocorra, eles prescindem das relações familiares e raramente projetam em seus pares qualquer expectativa de projeto profissional ou garantia de sobrevivência material.
Norbet Elias, em A Sociedade dos Indivíduos, considera que as Tribos Urbanas são grupos de iguais que se organizam em comunidades para garantir sua sobrevivência afetiva durante a passagem para a vida adulta, dentro das sociedades contemporâneas urbanizadas, em que o elevado valor da sobrevivência, na convivência dos indivíduos, marca o rumo da estrutura do homem singular na história da humanidade.
Outro exemplo de tribo urbana – os Punks.