O crescimento urbano do século XIX trouxe o aumento da quantidade de indivíduos vivendo em um pequeno espaço, ocasionando transformações profundas entre eles.
O deslocamento para o trabalho em bondes, metrôs e ônibus gerou desafios em termos de organização e apresentação das informações: como sinalizar a geografia da cidade, com seus novos bairros e ruas; como ordenar a convivência e o fluxo de transeuntes para minimizar a insegurança provocada pelo confronto com estranhos e com diferenças culturais e de classes sociais?
Uma grande questão deste contexto foi como comunicar para um público anônimo os préstimos de um produto desconhecido, já que na cidade, com as economias das sobras dos salários, aumentava o número de pessoas capazes de consumir e, segundo Rafael Cardoso (2004)):
Entre as mercadorias cujo consumo mais se expandiu no século 19 estão os impressos de todas as espécies, pois a difusão da alfabetização propiciou nos centros urbanos um verdadeiro boom do público leitor. O anseio de ocupar os momentos de folga deu origem a outra invenção da era moderna: o conceito de lazer popular que desenvolveu-se cem estreita aliança com a abertura de uma infra estrutura cívica composta por museus, teatros, locais de exposição , parque e jardins.
Em todo o mundo ocidental, a segunda metade do século XIX foi um período de crescimento das elites urbanas e portanto, de ampliação das atividades culturais de toda espécie, incluindo a produção e veiculação de imagens que anunciavam novos produtos e ensinavam sobre seus usos culturais.
Entre as tendências mais marcantes desta temporada, está a era vitoriana como influenciadora direta da moda dos últimos tempos. Tem sido cada vez mais comum encontrarmos nas roupas de agora traços da moda daquele período (séc XIX). Nos desfiles europeus, nas coleções para o Outono/Inverno, houveram muitas alusões ao passado, especialmente à época do reinado da rainha Vitória (1837-1901). É a moda repleta de volumes, forma balão, mangas fofas, muitos babados, rendas e gola alta. Além, é claro, das tonalidades escuras e a clássica sobriedade do preto.
O início do período vitoriano (1837- 1860) é marcado pelo extremo recato das mulheres, que tinham seus movimentos restritos pelas pesadas vestes, mangas coladas e crinolina. A aparência das damas era de vulnerabilidade, as roupas eram desenhadas para fazerem as mulheres parecerem fracas e impotente, como de fato elas eram. As cores eram claras. O espartilho, que fazia mal à coluna e deformava, inclusive os órgãos internos, as debilitava ainda mais, impedindo-as de respirar profundamente. Além de elegante, o espartilho era considerado uma necessidade médica à constituição feminina, usado, inclusive, em versões juvenis a partir dos três ou quatro anos.