Na abertura das Olimpíadas da Grécia, há quatro anos, todas as apresentações artísticas nos pareciam universais, ao contrário da maravilhosa cultura chinesa, que está sendo mostrada, de forma exclusiva, magistralmente, agora, nesse momento em que se iniciarão as presentes Olimpíadas.
Tudo que foi visto há quatro anos na Grécia parecia familiar a quem tem o conhecimento, mesmo pouco, da nossa cultura ocidental, que foi profundamente influenciada pelos gregos, na filosofia, artes plásticas, artes cênicas, mitologia e, desse modo, tem um cunho universal para o homem do Ocidente. A Medicina, a Geografia, a Matemática, o senso estético e de beleza, inclusive o que se considera o ideal da beleza física humana – aí estão a Vênus de Milo, a Vitória de Samotrácia e tantas estátuas gregas masculinas que subsistem em nosso inconsciente coletivo como o símbolo do belo, da perfeição das formas físicas humanas.
Mas agora, não: a cultura, os mitos, o ideal de beleza são os do outro lado do mundo – que, como bem diz o nome “Cidade Proibida”, estiveram como que ocultos, velados, proibidos aos nossos olhos ocidentais. É uma outra faceta do humano que se desenrola ante nossos olhos maravilhados, como se desenrolou nas telas da televisão de todo o mundo o pergaminho há poucos minutos apresentado pelos chineses, representando a invenção do papel e da impressão de caracteres.
Agora, homens se transformam em luzes ambulantes; há pouco, fadinhas da cultura chinesa sobrevoaram a cena, no estádio em que é apresentada ao mundo a tradição chinesa. Nada há que conheçamos aqui no Ocidente, nada toca as nossas lembranças ou inconsciente coletivo e isso é maravilhoso: é a outra face do humano, o seu rosto oriental, que se abre, como um pergaminho, onde, no cenário que a abertura das Olimpíadas nos apresenta, bailarinos evocam a invenção da aquarela, pintando, enquanto dançam, um quadro típico chinês; crianças, depois, também pintam em aquarela e esse imenso pergaminho desenrolado no palco da abertura dos jogos, talvez seja o único elemento comum à nossa cultura originada na Grécia, só que representa o papel.
Tudo parece estar pronto para acolher a próxima cidade têxtil chinesa, mas desta vez a localização é no coração da Europa, mais concretamente na região Noroeste do Reino Unido, naquilo que se avizinha ser uma estratégia para assegurar o mercado europeu a partir do próprio mercado.
A cidade de Wigan, outrora o centro da indústria algodoeira britânica, está prestes a tornar-se um grande centro europeu para o comércio de têxteis e vestuário com a China, considerando a apresentação dos ambiciosos planos para a construção de um centro de produção têxtil orçamentado em 125 milhões de libras esterlinas.
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Com o aumento generalizado dos custos e a aparente vontade política de fomentar esta tendência, produzir têxteis e vestuário na China é cada vez mais caro e um aumento de preços na ordem dos dois dígitos ao longo de 2008 parece ser inevitável. Mas as consequências que isto terá para a “fábrica do mundo” são ainda uma incógnita.
Os custos estão a aumentar na China (ver primeira parte da notícia no Portugal Têxtil) e para as empresas determinadas a ultrapassar as actuais dificuldades, existem aparentemente poucas opções. A maioria deve efectivamente aumentar os preços. De acordo com a estimativa que prevê aumentos de 40% nos custos do trabalho, os preços de venda poderão aumentar até 20% ao longo de 2008.
Mas a pressão está também a surgir por parte dos crescentes custos de matérias-primas, em grande parte impulsionados pelo aumento do preço do petróleo. Por outro lado, a seca australiana levou os preços da lã até quase ao dobro do valor de há três anos atrás.
O aumento dos preços é ainda ampliado pela recente adopção da legislação Reach pelas autoridades comunitárias, no âmbito da qual as empresas são obrigadas a identificar e a quantificar os produtos químicos utilizados nos seus produtos. Esta exigência força os exportadores chineses a adquirir muitos dos seus materiais na Europa para cumprir com as novas normas.
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