Artigos publicados na Tag ‘Hiperconsumo’

Resignificando o consumo

Publicado em 02 Dec 2008 at 12:36pm

Nos últimos séculos, a sociedade moderna transformou pessoas em indivíduos, depois as colocou na condição de cidadãos e hoje, os diferenciam ou identificam como consumidores ou clientes. O ato de ter acesso ao mercado e ‘ir às compras’, de certa forma, se tornou mais democrático.

A pós-modernidade gerou uma sociedade de hiper consumo, gerou simulações, excessos e fragmentações, mas também gerou mesmices comerciais e modismos coletivos.

A comunicação publicitária insidiosa e sedutora tornava o ato individualizado da experiência de compra, em uma repetição do sempre igual. A moda cumpria seu papel de tornar uma coisa comum, e a condição comercial do industrialismo de escala gerava a ditadura do mesmo. Um rígido excesso de massificação.

Mas, na verdade, o que nos diferencia não é o ato livre da escolha. Ninguém pode garantir que um objeto ou roupa não seja reproduzido e copiado. A criatividade está na forma inovadora como usamos os produtos e os transformamos em objetos pessoais, únicos e originais.

Não precisamos fazer compras e escolhas para nos afirmarmos como diferença, temos que exercer nosso livre arbítrio e usar, refuncionalizar e resignificar os ambientes e momentos, objetos e coisas em nossas vidas. Continue

Os quarenta são os novos trinta

Publicado em 25 Mar 2008 at 9:54am

 

Os 40(ões) são de fato um segmento de mercado e um grupo social definido. Este grupo possui peculiaridades, é fruto de uma mudança de comportamento da sociedade e certamente é interessante para o mercado em geral, com destaque para os mercados de cosméticos, moda, cirurgia plástica e perfumaria.

O que notamos é que a partir dos anos 2000, a expectativa de vida aumentou tendo em vista os avanços da medicina, a renda mundial também cresceu, as pessoas começaram a contar com dietas mais saudáveis, todos estes fatores contribuíram para aumentar a população com idade mais avançada.

Segundo pesquisa da Nielsen – de 2007 – os indivíduos com 40 anos agora são os novos “trintões”. As cirurgias plásticas estão alterando não só o aspecto das pessoas, mas também seu comportamento.  A pesquisa aponta que 60% dos norte-americanos fazem plásticas e são os maiores consumidores de tratamentos anti-idade do planeta.
Em escala global, 60% dos entrevistados acham que ter 40 anos agora é como ter 30 antigamente. Nossos 40 anos estão sendo celebrados como a década em que podemos ficar confortáveis e confiantes, tanto em termos pessoais quanto financeiros. Porém, não queremos aparentar 40 anos e sim 30!

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O poderoso poder de compra da baixa renda no Brasil

Publicado em 13 Mar 2008 at 1:12pm


Tarsila do Amaral – ‘Operários’-1933

O nosso país, como não é novidade para ninguém, tem uma grande desigualdade social na distribuição da renda. O que chama atenção é a participação da classe de baixa renda no mercado de consumo chegando a representar 65% dos lares brasileiros. O incrível é que esta população que engloba as classes C D e E, movimenta aproximadamente 512 bilhões de Reais por ano.

Nos últimos anos, programas do governo como Bolsa Família conseguiram tirar famílias da linha abaixo da pobreza, mas não conseguiu diminuir o número da população de baixa renda, este ingrediente aliado ao crédito facilitado é a receita ideal para o boom deste mercado. Hoje, já existem muitas empresas com produtos e esforços de comunicação direcionados somente a este segmento.

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A Felicidade Paradoxal

Publicado em 06 Feb 2008 at 2:35pm

Um dos mais polêmicos e profícuos pensadores da atualidade, Lipovetsky dedica-se a estudar o universo de consumo e o comportamento dos indivíduos na contemporaneidade desde seu A era do vazio, de 1983.

Em A Felicidade Paradoxal, esse estudo chega a seu ápice, no que poderia ser chamada uma pequena história do consumo privado atual.Tentando entender a ambigüidade de uma época em que a felicidade é valor máximo, mas carrega consigo inúmeras aflições do espírito, Lipovetsky cria a tese de que, na sociedade de hiperconsumo, essa felicidade é paradoxal.

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Tendências de Consumo – A Economia das Expectativas

Publicado em 06 Feb 2008 at 1:19pm

Segundo o site holandês de tendências de consumo, o  Trendwatching,  em seu mais novo briefing de informações, a economia dos dias atuais é habitada por experiências e consumidores bem informados, os quais possuem uma longa lista de desejos e altas expectativas em relação aos produtos e serviços.

Suas expectativas são baseadas em anos de auto-treinamento na sociedade do hiperconsumo*, nas fontes de informações amplamente disponíveis, nos chamados curadores de informação, como os blogs, as salas de interesses específicos na rede global, que ajudam este consumidor a rastrear, escolher e desejar produtos e serviços que ofereçam o “Best of the best”.

*Vamos fazer um parêntese para uma breve definição de hiperconsumo.
Segundo, o filósofo e sociólogo francês Gilles Lipovetsky, em seu livro
A Felicidade Paradoxal – Ensaio sobre a Sociedade do Hiperconsumo, Cia das Letras – 2007, estamos vivendo hoje o terceiro estágio do capitalismo, marcado pela oferta permanente de produtos em escala e intensidade jamais observadas. “O Bem Estar tornou-se o novo Deus, sendo o Consumo o seu Templo…”.

O autor, na obra acima, aponta o paradoxo da sociedade contemporânea: se de um lado o consumo funciona como uma terapia que ajuda a afastar as frustrações diárias, por outro lado, torna-se o causador da ansiedade humana num mercado onde o objetivo primordial é a incessante oferta e procura por novidades. Por exemplo, o hiperconsumidor tem acesso ao ter, mas aspira a ser; os mais diversos prazeres sensoriais estão ao seu alcance, mas é preciso preservar a saúde, evitar os excessos, jantar no mais novo restaurante da cidade porque todos seus amigos já conhecem. 

Onde vamos chegar? Deixo a pergunta….

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