Pintura “A Primavera” de Botticelli – padrão estético Renascentista
Quando apreciamos obras de arte medievais ou do renascimento, ficamos admirados de como eram gordinhas as modelos que pousavam para os quadros. Bem rechonchudas, representavam, à época, o padrão de elegância, tão diferente do atual. Explica-se: somente a partir do século XX é que a tecnologia agrícola, aliada a outras, tornou fácil o cultivo de alimentos, fazendo pela primeira vez, desde que o mundo é mundo, com que houvesse fartura e a busca por comida deixasse de ser problema prioritário. Anteriormente só os ricos podiam ser gordos e as mulheres com formas opulentas representavam um padrão superior, portanto eram vistas como símbolos de beleza e elegância.
As Três Graças de Rubens no séc. XVII e a Top model Gisele Bundchen, ideal de beleza contemporâneo
“As três graças”, obra-prima de Rubens no séc. XVII, hoje estariam mais para “as três desgraças”, por termos atualmente um ideal estético feminino que se aproxima das formas esguias e com músculos definidos da arte greco-romana. Mesmo as madonas gorduchas, ostentando seus bambinos, estão desatualizadas, pois logo após darem à luz, as mulheres contemporâneas se esforçam para retornar à forma anterior.
A história do make-up e dos cabelos é contada em História da Maquiagem, da Cosmética e do Penteado – em Busca da Perfeição, da Ana Carlota Régis Vita. O livro é também é tipo meio uma história da beleza e da vaidade humana. Ainda que não dê pra falar que existia um “conceito de beleza” na pré-história, já havia uma centelha de vaidade quando os caçadores mais bravos usavam colares pra se diferenciar do restante da tribo.
A autora recupera os ancestrais mais antigos dos batons, blushes, esmaltes, perfumes, demaquilantes e hidratantes. E também mostra que produtos como a hena e o kohl, usados até hoje, já eram truques de beleza na Antiguidade.
No livro, a idéia sexista de que “vaidade é coisa de mulher” cai por terra. Nos primórdios da humanidade, os homens se enfeitavam e se maquiavam tanto quanto elas. Ou seja, o metrossexual que gerou tanto buzz no começo dessa década, não estava fazendo nada mais do que voltar às origens.
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