A moda de Michael Jackson nos anos 80 sendo revisitada em 2009
Este estudo é uma reflexão sobre o que nos fala Baudrillard a respeito da relação existente entre moda e cultura, quando diz que a moda é sempre retrô, porque nela tudo o que se vive nada mais é do que herança cultural. Ao afirmar isso, pretende-se aqui levar o leitor a compreender o conceito de retrô, como Giulio Carlo Argan nos mostra, através do Estilo Revivalista ou Revival, como os estilos que manifestam a presença da memória, da história e da cultura nas áreas da criatividade humana.
Este texto pretende entender o Revival, através da moda, como um fenômeno no qual o olhar do criador transpassa o tempo refletido pela moda no cotidiano, vendo tal fenômeno como uma produção humana interpretada pela informação histórica, que vê o cobrir do corpo e o calçar dos pés não apenas como uma imposição climatológica e moral, mas como imposição histórica e cultural.
As deusas gregas são eterna fonte de inspiração para a Moda
No Revival, os períodos históricos vividos são eternamente lembrados, ou melhor, “passados a limpo”, quando o passado é reinventado, é fonte de inspiração, é enquadrado e olhado pela moda nos dias de hoje.
A história do jornalismo conta que as revistas dedicadas ao público feminino nasceram “sob o signo da literatura”. Nos primeiros tempos de folhetins, quase todas eram gazetas literárias que prescreviam a moda, e entre a moda e literatura, duas faíscas para a fantasia, a imprensa feminina brasileira desfilava.
“Muitas vezes nascidos por causa da moda em vestuário, os veículos femininos impregnaram-se da febre do novo, que é fundamental no sistema da moda e que passou a contaminar todos os outros conteúdos publicitários a seu lado. A moda impulsiona a imprensa feminina e é por ela impulsionada”, diz Dulcília Buitoni no livreto referência Imprensa Feminina (Ática, 1986). Se a revista feminina do século passado priorizou a literatura, o tricô jornalístico de moda contemporâneo mescla o viés do jornalista, a literatura e todas as partículas sócio-culturais em torno do universo da moda.
Entretanto, a espécie “jornalismo de moda” é ainda considerada jovem, pois só recentemente foram criados prêmios, cursos de especialização e seminários de moda – apesar da maturidade na trajetória das bíblias Vogue, Harper’s Bazaar e Elle; é, ainda, recente a especialidade das revistas exclusivas de moda. Presentemente, a moda pode ser reportada em editorial, crônica, entrevista, matérias-perfis ou de desfiles, resenhas de livros e exposições, edições especiais, cadernos culturais. O texto de moda na imprensa contemporânea incorpora novas facetas, apesar de que, “convencionalmente, é um relato sobre roupas e acessórios, e que também mistura em suas páginas conteúdos e editorias com material publicitário. Raramente os textos de moda fazem jus à sua afiliação com ‘jornalismo’”, critica Buitoni.