Por Wesley S. Paixão
Com o propósito de promover o conceito de novas pesquisas e a promessa de atender um mercado sustentável, desenvolvi junto com alguns alunos uma nova aplicação de produtos voltados para a linha do Eco-Têxtil.
Trata-se de um processo de tingimento e customização de retalhos de bucho de boi, que mercadologicamente não possuem preço, nem aspecto apreciado por muitos designers no Brasil. Tal processo gera uma nova projeção de valorização para este artigo.
Basicamente o material sofre uma preparação semelhante aos couros tradicionais, onde após condicionamento de pH (potencial hidrogeniônico, que define se uma solução é ácida ou alcalina, ele é tinto de maneira artesanal com matéria de coloração de origem natural: açafrão, beterraba e folhagens em geral.
Slow fashion é o conceito que define que a moda terá uma velocidade menor, com peças perenes, ou que pelo menos persistam mais de uma estação. É o movimento que defende peças duráveis, de qualidade para serem guardadas e não descartadas.
O The Guardian já falou sobre o assunto em agosto do ano passado,na reportagem com o título : ‘Slow fashion is a must-have … and not just for this season’.
O Globo.com também já se pronunciou, em janeiro deste ano ‘A era do consumo frívolo acabou’.
O que mais chama atenção, é que não se trata de tendência e sim de um movimento que já é realidade, hoje os consumidores pensam mais na hora de gastar. A crise tão falada, certamente contribui. A quantia investida no consumo passa a ter importância e por consequência o produto será melhor avaliado pelo consumidor.
Produzida a partir de uma fonte renovável – o milho, a Ingeo continua a conquistar adeptos em todo o mundo. Desta vez foi a célebre dupla de criadores Marithé&François Girbaud que sucumbiu ao carácter ecológico da fibra produzida pela Natureworks, utilizando-a na sua colecção.
Marithé&François Girbaud é um nome de peso para a Ingeo, que pode lançar-se de vez na esfera da moda, sobretudo em França. Sensível às inovações têxteis tanto como à questão ambiental, a marca francesa incluiu na sua colecção Outono-Inverno 2008/09 duas saias produzidas com esta fibra, obtida a partir de uma fonte renovável – o milho. Curtas, rodadas e ornadas de flores recortadas a laser, estes modelos – um amarelo e outro azul-céu – não são contudo, para a dupla de criadores, uma extravagância.
O criador François Girbaud acredita que, nas próximas colecções, esta fibra poliláctida, com venda autorizada na Europa desde 2004, deverá estar ainda mais presente, adiantando o quanto apreciou a forma como “prende” a cor, mas sobretudo o seu carácter ecológico. Com efeito, mesmo que a química intervenha na produção do polímero, a matéria-prima – o milho –, utilizada em substituição do petróleo, provém, tal como já referido, de uma fonte renovável. Além disso, a produção da Ingeo requer de menos energia e o produto é biodegradável.
Leia matéria completa no site Portugal Têxtil.
Designers conscientes com os problemas ambientais que o mundo vem passando, estão ficando muito bons ao criarem roupas duráveis, sustentáveis, e mesmo assim, com muito estilo e com a cara da moda.
Um designer britânico está fazendo ternos sustentáveis (90% algodão) e com isso diminuindo três vezes a “pegada” mundial de carbono com sua linha Beyond Carbon Neutral Suit.
Duzentos por cento das emissões são diminuídos com o plantio de árvores e preservação de habitat. Cem por cento das emissões são diminuídas por projetos de renovação de energia. A marca Charcoal & Chalk, responsável por essa iniciativa, também irá exportar através de navios ao invés de aviões, para reduzir as toneladas de poluentes emitidos diaramente por esse tipo de transporte.
Mas para que fossem registradas todas as “pegadas” de carbono na produção das roupas, o designer Austen Pickles, contratou empresas especializadas que o ajudassem no cálculo durante a produção da fábrica até que a roupa chegue na loja, a fim de estabelecer a meta de 300% de redução ao invés dos meros 100 %, explica. Isso mostra o comprometimento com a questão ambiental.
Nos últimos 16 anos, a quantidade de informação produzida sobre o meio ambiente desde a ECO-92 no Rio de Janeiro (Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – CNUMAD), se tornou algo indispensável nos veículos de comunicação de massa. O seu objetivo principal era buscar meios de conciliar o desenvolvimento sócio-econômico com a conservação e proteção dos ecossistemas da Terra.
Nunca se falou tanto em responsabilidade sócio ambiental como se fala nos dias atuais. Afinal, somos nós os responsáveis por informar a sociedade das coisas que acontecem no mundo e que, indiscutivelmente, afetam a todos nós.
Vemos que os editoriais dos telejornais, matérias de revistas, programa de TV e de Rádio estão abrindo um leque de informações sobre o meio ambiente e as conseqüências da intervenção do Homem no meio em que vive.