Artigos publicados na Tag ‘Obras de Referência’

Toda moda é retrô? O revivalismo na moda – Parte1/4

Publicado em 29 Jun 2009 at 7:22pm

A moda de Michael Jackson nos anos 80 sendo revisitada em 2009

Este estudo é uma reflexão sobre o que nos fala Baudrillard a respeito da relação existente entre moda e cultura, quando diz que a moda é sempre retrô, porque nela tudo o que se vive nada mais é do que herança cultural. Ao afirmar isso, pretende-se aqui levar o leitor a compreender o conceito de retrô, como Giulio Carlo Argan nos mostra, através do Estilo Revivalista ou Revival, como os estilos que manifestam a presença da memória, da história e da cultura nas áreas da criatividade humana.

Este texto pretende entender o Revival, através da moda, como um fenômeno no qual o olhar do criador transpassa o tempo refletido pela moda no cotidiano, vendo tal fenômeno como uma produção humana interpretada pela informação histórica, que vê o cobrir do corpo e o calçar dos pés não apenas como uma imposição climatológica e moral, mas como imposição histórica e cultural.

As deusas gregas são eterna fonte de inspiração para a Moda

No Revival, os períodos históricos vividos são eternamente lembrados, ou melhor, “passados a limpo”, quando o passado é reinventado, é fonte de inspiração, é enquadrado e olhado pela moda nos dias de hoje.

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Esnobismo e Moda: o gosto pela marca e a busca pelo amor

Publicado em 05 Jun 2009 at 5:04pm

Muito se fala sobre a importância do corpo vestido na socialização dos indivíduos e das motivações psicológicas que impulsionam o consumo de trajes moda.

As ciências humanas têm debruçado seus estudos sobre a importância das aparências como um elemento sinalizador para a aglutinação de pessoas, em torno de objetivos comuns. Esta visão está muito bem elaborada, em pensamentos como os de Hume, Simmel, Mafesolli, Baudrillard.

Sou uma historiadora de Moda e Vestuário e tenho usado o viés da história das aparências para mostrar e, demonstrar a função da moda como geradora de riquezas, e de demanda de mão de obra que a cultura das aparências proporciona nas sociedades modernas. Tal condição gera produtos e uma necessidade psicológica que induz ao consumo de bens.

Filósofo contemporâneo Alain de Botton

Aqui, através do pensamento de Alain de Botton, jovem filósofo contemporâneo, quero apontar a importância da aparência do traje modalizado, como um sinalizador comum para a inserção das pessoas que ocupam posições importantes na sociedade.

A moda como sinalizador comum para a inserção das pessoas que ocupam posições importantes na sociedade

Botton fala daqueles que ocupam posições sociais importantes como “alguém” e os seus opostos, como “ninguém”. O que este autor traz de novo para um tema que já está tão visitado, é a associação dos conceitos de “alguém” ao da conquista de status e amor, e o de “ninguém” ao estado de solidão e da posse de baixa auto-estima.

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Videoclipe X Nilton Travesso ou A Travessura de um Sofisma Niltoniano

Publicado em 25 May 2009 at 8:51pm

“Não há coisa mais engraçada do que quando alguém lhe dá um tiro, e erra”.

Winston Churchill (1874-1965)

VIDEOCLIPE

Substantivo masculino

- Curta-metragem em filme ou vídeo que ilustra uma música e/ou apresenta o trabalho de um artista.

Dicionário Houaiss

E podemos dizer muito mais. Videoclipe é um segundo conteúdo que cria o environment ou o comentário visual do número musical; cenografia elucidativa ou colaboradora para a riqueza e compreensão do sentido da obra musical.

Ao contrário do número musical simplesmente – em cinema ou televisão – o videoclipe não é apenas o registro da performance do artista, mas um trabalho criativo elucidando, comentando, corroborando, ampliando e enaltecendo as qualidades do mesmo. Criando mesmo uma obra paralela na direção do mesmo sentido da criação musical. E rica, dependendo da cultura empregada, condizente com o número musical ou como uma ampliação do seu sentido.

Cyro del Nero

Foi a Direção do Fantástico -programa com o qual eu já colaborava como seu Diretor de Arte nos anos 70 – quem colocava em minhas mãos artistas para que eu criasse números musicais e a partir da minha criação do GITA com Raul Seixas, não mais “números musicais”, mas o que ainda não tinha nome em nosso vocabulário: o videoclipe.

Paulo Coelho, o letrista do GITA,  sabe disso – e me disse há pouco tempo, cumprimentando-me pelo ineditismo e pelo grande sucesso do GITA e  da estréia de um gênero no Brasil –  que o videoclipe criado por mim, premiou e elevou o talento da dupla que ele fazia com Raul.

Do dia para a noite nasceu o videoclipe no Brasil e o uso de uma erudição visual inexistente até então.

Raul Seixas – GITA – (Completo)

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O surgimento das CYBER GIRLS e a História da Mulher Real – A liberação muda a imagem da mulher – Parte 3/4

Publicado em 29 Apr 2009 at 7:31pm

Jane Fonda em Barbarella (1968)

Leia também O surgimento das CYBER GIRLS – A realidade inorgânica ao seu alcance – Parte 1/4. e

Onde tudo começou e a mulher real – Parte 2/4.

Do Ciborgue ao Virtual / Parte 4-4

Por Goretti Pedroso

Para representar este período de liberação feminina, o filme Barbarella (1968), de Roger Vadin explora de modo inegável esta transformação expressiva da condição da mulher na sociedade, onde se questiona a sua guerra pessoal e a sua conquista social travando batalhas, onde o sexo atua como uma infalível arma contra o inimigo.

O filme vem ao encontro das expectativas da época, pois a mulher está inserida em um movimento feminista, onde o patriarcado começa a perder sua sustentação. Este movimento libertador questionava a situação social da mulher, a virgindade, o aborto e o casamento.

Barbarella – 1968 com Jane Fonda

A entrada da mulher no mercado de trabalho, conquista sedimentada após as duas guerras mundiais, ganha força com o acesso à cultura principalmente por ter presença e participação, inclusive com direito a voto enquanto cidadã. O direcionamento e o poder masculino já começam a ficar abalados. Há necessidade de novo redimensionamento nas atitudes e relações interpessoais; passa-se à busca de paridade e igualdade nas relações e direitos.

Chegamos finalmente à sociedade pós-industrial, onde o homem se tornou protagonista, como explica Domenico De Masi em O Ócio Criativo, pois as máquinas já eram operadas por outras máquinas; valores sociais e morais antes valorizados como o racionalismo, a competitividade, a alta produção, a eficiência e a ambição por bens materiais dão lugar ao progresso tecnológico; intensa presença dos mass media, valorizando e abrindo espaço para bens imateriais, que poderiam ser traduzidos por valores, serviços, estética, o livre pensar, maior criatividade e melhor utilização do tempo.

As mulheres, já mais emancipadas, com seus direitos preservados e donas de uma independência quase em arrependimento, por ter perdido alguns dos luxos e prazeres que a posição anterior a toda esta revolução feminina lhes conferia, dispõem dos meios de comunicação como aliado e tornam-se cada vez mais fortes, auto-suficientes, mas mecanizadas e conseqüentemente mais solitárias.

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O Kitsch na moda contemporânea: relatos de uma pesquisa acadêmica

Publicado em 31 Mar 2009 at 5:07pm

Por Ângela Rodrigues

Como professora universitária e, sobretudo, como amante da reflexão, assumi no semestre passado desafios intelectuais bastante interessantes. Um deles foi orientar alguns trabalhos de final de curso de Moda que me permitiram acima de tudo reorientar minhas próprias idéias.

Através do universo da moda pude constatar mais de perto desafios instigantes no que diz respeito à decodificação da  semântica de uma idéia materializada em um objeto que possa ser inserido num contexto valorativo. Ou seja, atribuir um valor – bonito, feio, kitscht , vanguarda – a quaisquer produções estéticas constitui hoje tarefa difícil, senão impossível.  No caso específico da moda, isso se  deve não só à pluralidade de referências visuais a que estamos expostos como também a uma variedade de discursos subjacentes a produções totalmente independentes das tendências apontadas pelo mercado e das propostas das passarelas.

Talvez isso explique o quase predomínio de avaliações totalmente desprovidas de interpretações. O resultado é, como não poderia ser diferente, contaminado por subjetividades que, quando respaldadas, tendem a virar referências, parâmetros. Sempre foi assim. A grande vantagem é que hoje, não se convence muito facilmente nem mesmo os desprovidos de criticidade e autonomia. Penso que avaliar algo, a partir de interpretações fundamentadas nas mais diversas fontes, é crucial para que possamos fazer justiça aos criadores.  Contudo quanto mais se lê, se vê, se analisa quanto mais se elimina quaisquer ruídos que afetem nossa percepção do objeto mais nos damos conta da dificuldade de avaliá-lo objetivamente. Certamente em função dessa dificuldade, a compreensão da realidade em que criador e criatura estão inseridos, parece muito mais producente, especialmente para os designers de moda.  Independentemente de divergências valorativas a compreensão de uma produção simbólica que desvela algo de um momento, de uma época, de uma fase, de uma sociedade já o torna, a priori, interessante digna de ser apreciada.

No que concerne à moda em particular, penso que hoje tem sido muito recorrente nos grandes eventos nacionais e internacionais avaliações do que se vê nas passarelas desprovidas de dados que nos permitam refletir sobre sua pertinência. Mesmo assinadas por especialistas penso que afirmações que se limitam a avaliar algo como arrojado ou mero déjá vu, é pouco, muito pouco.

Foi motivada por essas e muitas outras inquietações, que aceitei orientar a pesquisa da produtora de moda Marcela Versiani interessada em analisar o kitscht na moda atual, acreditando que sob a minha orientação, conseguiria explicar o conceito e avaliar algumas produções objetivamente. Claro que não conseguiria fazer isso, ainda mais sob a minha orientação.

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TENDÊNCIA na Pós-modernidade

Publicado em 18 Mar 2009 at 8:39pm

Por Ângela Rodrigues

Tenho pensado e escrito muito sobre a pós-modernidade porque penso que estamos passando por um momento de reumanização e ressignificação que contempla vários aspectos de nossa existência individual e social e isso muito me interessa.

Moda, decoração, gastronomia, comportamento são, a meu ver, algumas das áreas que nos ajudam a decodificar muito mais que apenas práticas sociais e estéticas. Design de interiores e decoração de ambientes privados, democratização de requintes antes elitizados e o encontro do indivíduo com uma moralidade em construção são micro-realidades a partir das quais podemos decodificar tendências, e, a partir delas,  termos uma visão mais apurada de aspectos importantes da contemporaneidade.

Ninguém discute a importância que as grandes narrativas tiveram na elucidação de aspectos importantes da existência humana e extra-humana nas mais variadas áreas. Galileu, Darwin, Marx, Freud, para citarmos apenas as que colocaram o homem no seu devido lugar, cunharam conceitos, estruturaram teorias, ideologias basilares para a compreensão inclusive dos eternos paradoxos sócio-econômico-culturais da sociedade. Mas penso que não podemos eternizá-los como referências de análise em detrimento de  novas formas de abordagens capazes de darem conta de novidades impensadas em momentos anteriores.

Alguns já se precipitaram em afirmar que tendência é um termo inapropriado para dar conta da contemporaneidade. Nada mais equivocado ou no mínimo, discutível.

O termo tendência pode ser interpretado sob duas perspectivas: uma reducionista e a meu ver equivocada que se refere ao curtíssimo prazo, a sazonalidades, e a aspectos comuns no que tange à moda entendida aqui como o novo que se manifesta no vestuário, na decoração e em grande parte de nossas produções estético-funcionais.

Entendido dessa forma reduz-se o conceito a quase nada e, um dos principais estratagemas para se captar as expectativas de uma época se perde por visões que tendem a confundir tendência com interesses mercadológicos e sugestões tendenciosas de “criadores” de necessidades planejadas.

Em seu sentido mais amplo, conceituo tendência como o espírito do tempo (assim como Dário Caldas), como algo que transcende a realidade instituída e se cristaliza em necessidades e desejos ressignificados pelas novas produções sociais.

Entendo tendência como o amálgama de micros desejos e necessidades consubstanciadas em um macro que se pulveriza nas mais diversas manifestações humanas.

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Ecletismo e Hibridismo entre MODA e DESIGN – Parte 1/3

Publicado em 16 Mar 2009 at 10:43pm

Leia também: Ecletismo e Hibridismo entre MODA e DESIGN – Transposição estética entre Moda e Design – Parte 2/3 e Ecletismo e Hibridismo entre MODA e DESIGN – Transposição funcional entre Moda e Design – Parte 3/3

Por Queila Ferraz e Kleber Monteiro

Existem diferentes formas de convergência entre objetos de moda vestuário e produtos de design onde os processos de criação de moda são contaminados pelos padrões do design de produto. É possível se estabelecer um contraponto, demonstrando que se trata de uma via de mão dupla: ambos influenciam-se mutuamente, porém aqui queremos mostrar a influência exercida pela moda e suas manifestações no campo do design.

Estes novos objetos não são simplesmente a soma de outros dois, mas sim uma terceira coisa, algo totalmente novo.

A hibridação, como nos esclarece Néstor Canclini, é um processo no qual “estruturas ou práticas discretas, que existiam de forma separada, se combinam para gerar novas estruturas, objetos e práticas.”

É neste contexto de contaminações, justaposições, transferências e fusões entre objetos pertencentes a universos distintos, que se incluem as criações híbridas, conhecidas anteriormente, como pertencentes ao universo estilístico do ecletismo.

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Moda, consumo, comportamento e tecnologia: reflexão inaugural

Publicado em 02 Feb 2009 at 2:22pm

Por Ângela Rodrigues

Entendo o fenômeno moda hoje como um campo de interpretações que pode lançar luz, sobretudo sobre a relação do indivíduo com seu corpo, com os objetos, com o seu mundo, e porque não dizer com o espírito do tempo.

Ao pensarmos na relação do individuo com seu corpo salta aos olhos a importância que a moda desempenha na construção da subjetividade e na percepção que o indivíduo tem de sua corporeidade.  O conceito de corporeidade nos remete a um individuo desprovido da dualidade cartesiana. Denota, um ser que se percebe como um corpo e uma mente amalgamados, indissociáveis, um ser biológico, mas também cultural que se autoproduz material e culturalmente o tempo todo.  Nesse processo as produções simbólicas parecem ocupar um papel importante.

A moda participa ativamente tanto da existência fenomenológica quanto da psicológica do individuo, de forma tácita ou expressa ajuda o individuo a se comunicar. Apesar de ser coadjuvante do corpo, a moda de maneira geral e a roupa em particular,  parecem denunciar a lógica que impera na relação sujeito/corpo/psiquismo.  Nessa lógica, a relação de amor e ódio que o indivíduo contemporâneo mantém com sua corporeidade torna-se instigante. Ora se traduz na lapidação do corpo através de intervenções estéticas invasivas; ora na modificação corporal muitas vezes levada ao extremo pelos adeptos radicais da body modification.

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O surgimento das CYBER GIRLS – Onde tudo começou e a mulher real – Parte 2/3

Publicado em 16 Jan 2009 at 4:52pm

Leia também O surgimento das CYBER GIRLS – A realidade inorgânica ao seu alcance – Parte 1/4.

O surgimento das CYBER GIRLS e a História da Mulher Real – A liberação muda a imagem da mulher – Parte 3/4

Por Goretti Pedroso

A mulher virtual já vinha sendo estudada no decorrer dos tempos. Antes da web ela já povoava o inconsciente dos aficionados pelos cartoons, pelas histórias em quadrinhos e pelo cinema.

Em 1926, Fritz Lang, cineasta representante do movimento expressionista alemão lança Metrópolis, filme de ficção científica que aborda a questão da mulher dentro deste novo contexto do expressionismo alemão.

Ela interage com a película projetando-se na figura de Maria, a protagonista do filme, heroína destemida que exige justiça social em uma sociedade caótica, opressora e claustrofóbica. Esta figura se contrapõe a de sua rival, uma robô construída a sua imagem e semelhança, que quer, ao contrário de Maria, destruir a cidade dos trabalhadores, para que no futuro as máquinas das indústrias sejam operadas somente por máquinas como ela.

Metrópolis – é a primeira vez na história do cinema que aparece uma mulher-robô

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Presente virtual de Ignez para Meriellin

Publicado em 15 Dec 2008 at 2:06pm

Como já dizia a canção, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, você é empreendedora e participativa. Destaca-se na área das comunicações e tem grande facilidade para decifrar as mensagens não verbais, tanto que se destacou no Desafio LG, na hora de decodificar as palavras que estavam sendo transmitidas pelo Carlos através de mímica.

Como Jornalista,  corre atrás das notícias e hoje elabora os conteúdos e franqueia notícias e informações acerca de seus clientes.

Generosa e confiante, está desbravando a vida em São Paulo, com toda garra e confiança.

Em seu livro “A Arte de fazer um Jornal Diário” o autor, Ricardo Noblat, compara esse veículo de comunicação a uma espécie de ata do cotidiano. De fato, são vocês, jornalistas, que vão buscar diariamente as notícias, para registrar tudo que acontece e assim oferecer essa ata às pessoas de todos os cantos do planeta. Ao mesmo tempo, sutilmente, formando opiniões, indicando roteiros e fortalecendo lideranças.

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O que há de especial na Moda? Considerações sobre o jornalismo especializado em moda

Publicado em 03 Dec 2008 at 1:48pm

A história do jornalismo conta que as revistas dedicadas ao público feminino nasceram “sob o signo da literatura”. Nos primeiros tempos de folhetins, quase todas eram gazetas literárias que prescreviam a moda, e entre a moda e literatura, duas faíscas para a fantasia, a imprensa feminina brasileira desfilava.

“Muitas vezes nascidos por causa da moda em vestuário, os veículos femininos impregnaram-se da febre do novo, que é fundamental no sistema da moda e que passou a contaminar todos os outros conteúdos publicitários a seu lado. A moda impulsiona a imprensa feminina e é por ela impulsionada”, diz Dulcília Buitoni no livreto referência Imprensa Feminina (Ática, 1986). Se a revista feminina do século passado priorizou a literatura, o tricô jornalístico de moda contemporâneo mescla o viés do jornalista, a literatura e todas as partículas sócio-culturais em torno do universo da moda.

Entretanto, a espécie “jornalismo de moda” é ainda considerada jovem, pois só recentemente foram criados prêmios, cursos de especialização e seminários de moda – apesar da maturidade na trajetória das bíblias Vogue, Harper’s Bazaar e Elle; é, ainda, recente a especialidade das revistas exclusivas de moda. Presentemente, a moda pode ser reportada em editorial, crônica, entrevista, matérias-perfis ou de desfiles, resenhas de livros e exposições, edições especiais, cadernos culturais. O texto de moda na imprensa contemporânea incorpora novas facetas, apesar de que, “convencionalmente, é um relato sobre roupas e acessórios, e que também mistura em suas páginas conteúdos e editorias com material publicitário. Raramente os textos de moda fazem jus à sua afiliação com ‘jornalismo’”, critica Buitoni.

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O surgimento das CYBER GIRLS – A realidade inorgânica ao seu alcance – Parte 1/3

Publicado em 24 Nov 2008 at 4:01pm

Webbie Tookay, da agência Elite, faz desfiles virtuais e se tornou garota-propaganda da Nokia

Leia também:  O surgimento das CYBER GIRLS – Onde tudo começou e a mulher real – Parte 2/4.

O surgimento das CYBER GIRLS e a História da Mulher Real – A liberação muda a imagem da mulher – Parte 3/4

Do Ciborgue ao Virtual / Parte 4-4

Por Goretti Pedroso

Palavras Chaves: mulher virtual, franksteinização feminina

Este trabalho tem o objetivo de falar sobre o surgimento das CYBER GIRLS, assim como dissertar sobre as novas teorias em relação  ao feminino, trazendo à tona a origem da virtualização da mulher nos meios de comunicação, pois não é de hoje que o mundo virtual tenta imitar o real com personagens que simulam um ser humano.

Prepare-se para esta realidade, pois uma dessas garotas pode ser sua!

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Gesamtkunstwerk: a ópera de Richard Wagner

Publicado em 03 Oct 2008 at 12:29pm

Para Richard Wagner a ópera é uma Gesamtkunstwerk: gesamt é reunida, total; kunst é arte e werk é obra. Uma obra de arte total, onde deve ser restaurada a unidade perdida da poesia, da música e da dança em um só espetáculo.

Ele escreve: E isto deve ser realizado sobre o modelo da tragédia grega. A obra de arte do futuro deve reencontrar a síntese destruída pelo cristianismo. Deve ter a valorização do texto que é masculino, o qual deve então se unir à música, elemento feminino. Deve-se abandonar a história e buscar o mito, pois só o mito realiza a transposição da idéia para a emoção, que é a finalidade da obra de arte. Só o mito pode ser ao mesmo tempo popular, nacional e universal. Palavras de Richard Wagner.

Leia artigo completo no blog do Cyro del Nero.

Uma imersão das impressões da moda através da perspectiva dos teóricos e estudiosos da moda

Publicado em 23 Sep 2008 at 12:37pm

No século XIX, inicia-se a produção diversificada de discursos sobre a moda, em periódi­cos especializados franceses, colunas de jornais femininos fluminenses, obras literárias e também nos primeiros trabalhos de estudiosos sobre moda.

O filósofo inglês Hebert Spencer pôs em tela o caráter de mutabilidade da moda, em sua obra de 1883 Les manières et la mode. Para ele, a moda passaria por mutações por duas vertentes: a finalidade mimética e a distinção. Ao copiar o visual da alta classe, as demais classes tentariam se aproximar de seu status. Dando continuidade ao ciclo, a alta classe, uma vez imitada visualmente, criava novas modas para manter a distância social. Nesse viés, a moda hierarquiza a sociedade e reflete o status quo.

Les lois de l’imitation de 1890 é a obra em que o sociólogo francês Gabriel Tarde expôs sua teoria sobre a moda. Ele focalizou o laço social composto pela moda por duas ondas que se alternam no tempo: a moda e o costume. Para Tarde, a moda é uma fase transitória, posto que suas invenções renovem os ares da época. O costume, por sua vez, estabiliza a moda com as imitações e dá constância ao “gosto da época”.

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A história da moda e sua relação com a sociedade

Publicado em 19 Sep 2008 at 8:56am

O prêt-à-porter é um marco para a compreensão histórico-sociológica da moda neste estudo. Mas retornemos ao início assinalado por Gilles Lipovetsky.

A partir do século XI, a economia agrícola e o comércio propiciaram o impulso das cidades. A miséria, as guerras e epidemias também intensificaram a composição urbana, porque concentraram fortunas e impulsionaram o enriquecimento de pequenos burgos. Posteriormente, o setor têxtil e o fluxo mercantil possibilitaram o intercâmbio de materiais diversificados: a seda do extremo Oriente, peles russas e escandinavas, algodão turco, sírio ou egípcio, plumas africanas. O câmbio de lãs de Flandres e da Inglaterra, linho da Alemanha, veludo da Itália também se fez com as feiras e o comércio marítimo. As matérias-primas seguiam às corporações de ofício especializadas, que cautelosamente costuravam as vestes sob medida para a clientela. O produto final deste percurso ia ao encontro do ideal de fineza e distinção da aristocracia.

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Moda.É sério?

Publicado em 27 Aug 2008 at 6:13pm

Björk

A moda é onipresente no mundo contemporâneo. Essa é a idéia-mestra que guia este artigo. O fenômeno da moda extrapola as luzes do universo fashion, alastra-se às ruas, aos happenings cotidianos e à arena acadêmica, mas é na esfera da mídia que suas dimensões se dilatam até corpos pavoneados, espetáculos imagéticos e discursos poderosos.Tal como postula o sociólogo francês Michel Maffesoli: “A moda pode ser um bom ponto de partida para a análise. De início, porque ela está onipresente. Não há nenhum domínio que a escape: do mais frívolo àquele tido como o mais sério, encontra-se a necessidade de se identificar. Moda vestimentária, é claro, mas também modas culinárias, lingüísticas, musicais, esportivas. Mesmo as idéias que não escapam de sua influência. Tanto no mundo acadêmico, produtos dessas idéias, quanto no meio jornalístico que as difunde, é de bom tom, em tal momento particular, pensar de um modo “conforme” o ar do tempo”.

Ora, o que mais marcaria o ar de nosso tempo senão a atmosfera espetacular que tende a nos cercar? Na contemporaneidade, a mídia está em posição privilegiada para propagar tais espetáculos, por sua alta qualidade técnica e suas estratégias mercadológicas. Nesse horizonte, a mídia pode articular representações das passarelas, transpondo-as a belas páginas impressas. Esta série pretende pôr em relevo as construções discursivas da mídia impressa acerca dos desfiles da São Paulo Fashion Week realizada de 13 a 19 de junho de 2007.

O filósofo Gilles Lipovetsky já dizia que “a questão da moda não faz furor no mundo intelectual”. Uns a acusariam de “frívola”, “superficial” e “fútil”. Ora, “nesse desejo de vida total que se expressa paradoxalmente por essas formas tênues e superficiais que são as aparências, uma voz tenta sussurrar uma verdade surpreendente: nada é mais fútil do que nossos esforços para tornar tudo sério, útil, racional; nada é mais sério do que o fútil”. Diante de tais acusações, o álibi da moda é justamente sua análise crítica.

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O novo “novo rosto”

Publicado em 05 Aug 2008 at 3:12pm

A edição de agosto/2008 da revista americana New Yorker, com a Madonna na capa, traz uma matéria sobre os avanços da cirurgia plástica e com o que eles chamam de Novo Novo Rosto.

Comparada à Old New Face, que deixava a pessoa totalmente descaracterizada, a New New Face é realmente espantosa! O segredo está em não somente esticar a pele, mas também refazer bochechas, queixo, nariz e olhos com todo tipo de intervençào cirúrgica e preenchimentos naturais e sintéticos. Em outras palavras, reconstruir a “geografia” do rosto, com seus altos e baixos.

Veja a seguir exemplos da velha e da nova técnica:

Old New Face

New New Face

Não é um espanto?? Não deixe de ler a matéria: How plastic surgery can give an older woman the face of a baby.

Fashion Bubbles entre a Loucura e a Razão!!!

Publicado em 28 Jul 2008 at 6:49pm

Tivemos um final de semana muito reflexivo e filosófico. “Ser ou não ser, eis a questão.” William Shakespeare (1554 – 1616). Não que nós, do Fashion Bubbles, estejamos em um conflito de identidade ou enlouquecidos, mas não poderíamos deixar de prestigiar um dos mais importantes clássicos da literatura ocidental. Me refiro a tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca (interpretado brilhantemente por Wagner Moura), que certamente é uma das mais conhecidas obras de Shakespeare. A primeira versão escrita entre 1587 e 1589 se perdeu e a versão que chegou até nós foi publicada pela primeira vez em 1603.

Hamlet, príncipe da Dinamarca, descobre que seu pai (o velho Hamlet) foi morto pelo próprio irmão (Cláudio, tio de Hamlet) que casou-se com Gertrudes, a Rainha, após dois, somente dois meses do ocorrido. Cláudio visava obter o trono da Dinamarca que estava sendo ameaçado pelo reino da Noruega.

Diante de seu sofrimento, Hamlet tem uma visão de seu pai (o rei morto), que aparece para contar-lhe o segredo de sua morte e pedir vingança ao filho. Este, transtornado diante da possibilidade de um fratricídio, com interesses muitos claros e ambiciosos, se faz de louco para confirmar se o que ouviu do espírito de seu pai era verdade. (“Há algo de podre no Reino da Dinamarca”).

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O que é a História da Moda – Aparências Subversivas / Parte 2-2

Publicado em 27 Jun 2008 at 12:36pm

Aqui, proponho uma breve reflexão sobre o mercado de moda de vanguarda, como propulsor do fenômeno da moda e gerador de um grande número de pequenos negócios que movimentam o setor do streetwear e seus estilos subversivos de moda.

Leia também: O que é a História da Moda – Parte 1/2.

I – APARÊNCIAS SUBVERSIVAS

Estudar a Moda está na moda. Vivemos um período da história da humanidade que exalta a sociedade de consumo, a cultura do desperdício e a contínua rotação de produto, o que da origem à corrida para evidenciar indivíduos singulares e as comunidades que os constituem, ou seja, ser diferente junto com seus iguais.

Para Dorfles, num período histórico no qual privilégios de casta, de condição e de classe pareciam se atenuar, surge a necessidade de distinção entre os vários segmentos que compõem a sociedade e os indivíduos que dela participam. Para ele é espantoso que (1989): enquanto assistimos a consolidação de conquistas derivadas das contestações juvenis, cujo objetivo é eliminar e infringir privilégios e tabus burgueses, verificamos que estas novas formas de revolta são levadas a se deixar dominar pela moda,… isto porque a cultura dos objetos se edifica sobre este fenômeno e este, por sua vez, é parte da cultura das aparências.

Tal fato tem sido visível em hábitos, costumes e particularmente no vestuário como forma de virtualidade revolucionária. Esta expressão é usada por Bruno du Rosselle (1980) para definir a maior qualidade da moda como fenômeno, ou seja, o gosto pelo novo como atitude revolucionária, sendo, portanto, possível de ser entendida como uma linguagem de vanguarda.

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Tribos Urbanas – O Movimento Hippie (Parte 1/4)

Publicado em 13 May 2008 at 8:28am

Leia também: O Movimento Hippie e a Influência do LSD (Parte 2/4).

Movimento de juventude que nasceu na Califórnia, na América do Norte em 1966. Hip significa zombar e melancolia. Pacifista, pregava a filosofia do amor (filosofo significa amigo do saber). Jovens estudantes reuniram-se para expor ao ridículo a guerra do Vietnã. Foi um ato de zombaria que revelou o desencantamento de uma juventude sem ideal.

O traje desse movimento era composto de calças de jeans, pantalonas com boca de sino, e no lugar de camisas e blusas, ambos os sexos usavam batas indianas, como apego a culturas distantes deste mundo massificado e corrompido pela guerra e pela sociedade de consumo. A estética hippie é também conhecida como a estética da flor e do amor.

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