Artigos publicados na Tag ‘Reflexões sobre o Teatro’

Os Fogos de Artifício

Publicado em 29 Dec 2008 at 10:50am

Os fogos de artifício na passagem do ano em Copacabana têm um resultado surpreendente quando refletidos nas águas do mar. Os fogos de artifício necessitam de um espelho para multiplicar-se e os rios do mundo têm feito isso, assim como, as praias.

O Rio Tâmisa e o Rio Sena foram palco desse reflexo das luzes mágicas que nos chegaram da China. Eles serviram de cenografia para espetáculos teatrais. Sim, por que era uma encenação teatral o desfile de barcos nesses rios. Ou no mar na frente da Catedral de São Marcos, quando o grande barco do Dodge de Veneza desfilava seguido por dezenas de outros barcos.

As vestes da corte, a decoração riquíssima dos barcos encenava a pompa que aquela cidade merecia, por ser dona de parte do Mar Mediterrâneo. Louis XV não dispensava o trabalho dos químicos de Bologna, os irmão Ruggieri e os fogos de artifício que eles forneciam para as festas de Versalhes. Enquanto os fogos coloridos explodiam estrelas nos céus, atores, dançarinos, músicos e cantores realizavam o espetáculo de regozijo nos palcos dos jardins às margens de rios, lagos, e praias.

Por Cyro del Nero

O Teatro como o exercício da existência

Publicado em 24 Nov 2008 at 12:49pm

O teatro é feito de uma pessoa que representa uma segunda pessoa que é olhada da platéia por uma terceira pessoa: essas três pessoas são: o ator, a personagem e o público.

O ator tem a capacidade de imaginar como essa terceira pessoa na platéia, o público, reagiria enquanto ele representasse. Para tanto ele projeta mentalmente sua personagem e com ela, a si mesmo.

Essas introjeções e projeções simultâneas nos lembram Thomas Mann dizendo que existe uma afinidade natural entre arte e a patologia. O próprio Salvador Dali dizia que ele e um louco eram iguais, com a diferença de que ele não era louco…

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O rito das celebrações no universo teatral

Publicado em 14 Nov 2008 at 12:23pm

Rito pagão – Magick Circle / Sir Waterhouse

A duração da existência foi sempre dividida entre ritos e celebrações. Por exemplo, os ritos que exorcizam a morte, esse acontecimento indesejado, mas compreendido como início de uma nova existência. Ou as quatro estações que são recebidas com rituais de Primavera – nascimento e floração, Verão – alegria, Outono – crepúsculo e Inverno – morte.

Celebrações são criadas pelo homem e há sempre aquela da espera da volta do sol após o Inverno. Em cima da festa pagã milenar do solstício, comemorando a volta do sol no hemisfério norte, em dezembro, a Igreja cristã colocou a celebração do nascimento de Jesus Cristo, substituindo a festa pagã que já existia nessa data.

O ciclo de vida, paixão e morte de Jesus Cristo, resultou na missa católica, sem que hoje nos lembremos de seus primitivos e totêmicos símbolos. Estando eles comendo, tomou Jesus o pão e, tendo dado graças, partiu-o e deu aos seus discípulos, dizendo: Tomai e comei! Este é o meu corpo. Tomando o cálice, rendeu graças e o ofereceu dizendo: Bebei dele todos porque este é o meu sangue.

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Máscaras: as relíquias do teatro grego

Publicado em 27 Oct 2008 at 12:30pm

O carro de Thespis, cheio de máscaras, é uma convenção lendária confirmada pela existência de mármores atenienses onde se lê seu nome.  E há notícia de que nas suas primeiras apresentações dos concursos dramáticos, onde compunha e cantava ditirambos, ele disfarçou seu rosto com um pó, provavelmente um talco proveniente de chumbo ou gesso, depois pendurou flores nos cabelos e mais tarde passou a usar máscaras de linho que ele criava.

Choirilos, o ator, foi quem agregou algo às máscaras que impressionou o público – não sabemos o que – e Phrinicus criou as máscaras femininas. Após essas alterações, o poeta trágico Ésquilo, usou as primeiras máscaras coloridas e outras aterrorizantes.

A majestade do edifício teatral grego, as obras monumentais que nos restaram dos poetas trágicos, o sofrimento expresso na “máscara de Agamemnom” do Museu do Pirreu, a ferocidade das máscaras da Comédia, as ilustrações gloriosas do Teatro nos vasos durante alguns séculos, são o retrato que ficou de tudo isso que chamamos Teatro Grego.

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A reação Cristã contra o teatro romano

Publicado em 21 Oct 2008 at 12:02pm

Quadro de Léon Gèrôme

A reação cristã era natural, se lembrarmos que os cristãos eram condenados a combater gladiadores treinados e serviam como carne a ser dilacerada ou queimada para entretenimento dos espectadores.

No espetáculo chamado VENATIO, cristãos – em lugar de cachorros – eram oferecidos aos leões. Crucificados e empalados, transformados em tochas vivas no meio das arenas, até a conversão de Constantino ao cristianismo quando ele modificou o estado das coisas através de leis, – mas o Estado estava ruindo. Isto em 312 dC.

Em 410 dC. Alarico, um Visigodo, atravessou os Alpes e saqueou Roma.  E mais: por que sua religião não permitia o teatro, deu ordem para que os teatros fossem fechados, para alegria dos cristãos. Portanto, foi o paganismo que acabou com a crueldade do que então se chamava de teatro e em outras eras não havia sido. Não foi o Cristianismo.

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A relação hierárquica e harmoniosa de elementos de encenação

Publicado em 30 Sep 2008 at 3:21pm

A encenação não é sempre a união de todas as artes, como na tragédia grega ou na ópera, mas uma justa relação hierárquica entre os diferentes meios de expressão.

O elemento primeiro e fundamental é o ator, pois sem ele o drama não existirá. É sua ação que deverá modelar o espaço teatral em torno e em função dele. Um espaço tridimensional – é isso o que substitui os fundos pintados, quando já eliminados juntamente com os vícios do palco italiano. E os volumes que substituem a superfície plana. Afinal o ator é tridimensional como deve ser seu universo do palco.

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Por Cyro del Nero

Bob Wilson e seu teatro de “visões”

Publicado em 16 Sep 2008 at 11:31am

Peer Gyant 1. Direção de Bob Wilson

Poeta plástico, cenográfico (gráfico – que pratica o teatro com todos os elementos visuais criados por ele mesmo e mais os seus elementos sonoros). É um teatro feito de “visões” que transcorrem lentamente, com propostas insólitas, belas e poéticas. Tais visões desafiam nosso tempo interior e nos conduzem quase por uma hipnose à reflexão conduzida por Bob Wilson em espetáculos de horas.

Filho de uma família conservadora da Igreja Batista americana, a lembrança de sua mãe é a de uma mulher sentada, ereta e de difícil aproximação. Quando a mãe soube que o professor havia perguntado a toda a classe de seu filho o que eles queriam ser quando crescessem, e que Bob havia respondido que seria o rei da Espanha. Então, o professor comentara que esse menino teria problemas. A mãe de Bob Wilson comentou simplesmente sem sair de sua cadeira: “Eu não acho isso”.

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Por Cyro del Nero

O batismo de Gordon Graig em Moscou

Publicado em 09 Sep 2008 at 5:57pm

Foi Isadora Duncan quem recomendou um homem do teatro que ela amava, a Stanislavsky, Diretor do Teatro de Arte de Moscou. Gordon Craig, o ator inglês, filho de uma atriz, Ellen Terry.

Ele havia representado sete vezes na Inglaterra, o Hamlet de Shakespeare. Com tal recomendação, não pelo que já havia realizado, mas pela credibilidade que gozava Isadora Duncan junto a Stanilavsky, o jovem Craig foi convidado para ir à Rússia, iniciando lá a fundação de uma nova modalidade de teatro através de sua obra plástica.

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Por Cyro del Nero

O força de Eurípides em tempos contemporâneos

Publicado em 22 Aug 2008 at 3:10pm

Uma professora de ensino básico procurou um professor do Departamento de Artes Cênicas da ECA e perguntou se seria possível que este fizesse uma palestra para seus alunos sobre o teatro grego. Ela estava ensaiando alunos para a representação de ALCESTE de Eurípides.

Claro que sim, ele gostaria de fazê-lo. Mas queria saber a idade dos alunos que fariam o espetáculo trágico grego. Quando soube que os atores tinham onze anos de idade não quis acreditar e então muito curioso foi depois de alguns dias até a escola na periferia de São Paulo …

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As transformações no teatro brasileiro

Publicado em 19 Aug 2008 at 4:48pm

As transformações na construção de um espetáculo teatral brasileiro foram inúmeras a partir do Teatro do Estudante de Paschoal Carlos Magno e depois do Teatro Brasileiro de Comédia. A seguir vieram o Oficina e o Teatro de Arena.

Para quem participou das reuniões de mesa para definição do espetáculo, foi possível assistir os processos mais díspares. Até que em certo momento da história teatral brasileira, adentrou as reuniões o esquema da criação coletiva.

O Teatro é um mistério e muitos elementos podem determinar seu sucesso ou seu fracasso. Um dos mais ativos agentes dos resultados positivos ou negativos é a família teatral. A composição, a energia, a simbiose criativa, a afetividade e, sobretudo, a ética do elenco que é a família teatral. Mas a grande experiência funcional do teatro é ter-se um diretor com uma idéia clara e bem composta, complexa e com propósito amadurecido e entusiasta.

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Por Cyro Del Nero

Konstantin Stanislavski e a Gramática da Representação

Publicado em 13 Aug 2008 at 3:33pm

Para Stanislavski, Maria Yermolova representava o ápice da arte de representar

Konstantin Stanislavski – é o autor de uma verdadeira gramática da representação numa forma que pretende ajudar o ator iniciante e ser útil ao ator experiente. Considerando o valor da obra desse Diretor do Teatro de Arte de Moscou, a Enciclopédia Britânica procurou o notável ator americano e professor de atores – Lee Strasberg – e pediu a ele que se incumbisse do texto referente ao teatro. E ele o fez em 1959 e intitulou seu texto REPRESENTAÇÃO.

Ele que talvez seja o professor dos sussurros de Marlon Brando e das peraltices da atuação de James Dean, foi um dos professores fundadores do Actor´s Studio de Nova York e o principal divulgador das teorias de Stanislavski.

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Figurino: o equilíbrio dos signos ao compor um personagem

Publicado em 06 Aug 2008 at 4:15pm

Há uma emoção para o figurinista durante a preparação para o ensaio final de um espetáculo teatral. Chegam os costumes depois das provas já havidas e o ator veste-se finalmente diante de um espelho. A emoção e as voltas que o ator dá ao redor de si mesmo para ver-se em seus diversos ângulos e dinâmica, avaliando o uso que seu corpo dará finalmente à sua personagem. Tudo completa naquele momento a realização do trabalho que o ator teve até então. Sua persona está pronta.

Roland Barthes diz que o bom costume teatral deve ter bastante material para significar e suficiente transparência para não constituir seus signos em parasitas.

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O sucesso não é uma ciência…O Teatro é um mistério!

Publicado em 14 Jul 2008 at 11:36pm

Há espetáculos bons e maus. O Teatro é tudo menos o tédio, dizia Jean Louis Barrault. Mas mesmo que um espetáculo seja dinâmico, dramático, comovente e em ritmo correto superando o desconforto possível de uma platéia, um espetáculo pode fracassar. O sucesso não é uma ciência. O Teatro é um mistério.

Julian Beck disse que o Teatro é um cavalo de pau com o qual podemos invadir a cidade. Mas muitas vezes esse cavalo de pau pode ser desmascarado.

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O Teatro nasceu das religiões ou as religiões nasceram do Teatro?

Publicado em 02 Jul 2008 at 11:16pm

Jean Louis Barrault foi um célebre ator francês conhecido no Brasil através do cinema.

Foi o mímico Baptiste no filme Boulevard do Crime.

Dirigiu durante anos a Commedie Française do Teatro Nacional da França. Ele esteve com a Commedie em São Paulo em 1954, apresentando Cristóvão Colombo de Paul Claudel e O Processo de Franz Kafka em uma adaptação de André Gide.

Em sua autobiografia, Barrault nos conta de sua amizade com Antonin Artaud, esse gênio profético do teatro, já em seus últimos anos – diariamente drogado porque estava enfermo e não estava enfermo por estar drogado. Quem hoje se droga para ter o gênio de Artaud comete um contra-senso.

Entre o que Barrault ouviu de Artaud há testemunhos terríveis. Artaud declarou:

- A tragédia no palco já não me basta. Vou transportá-la para minha vida.
Muitas vezes pediu que Barrault, um genial mímico, o imitasse. E vendo a imitação que o ator fazia dele, gritava:

- Roubaram minha personalidade, Roubaram minha personalidade.

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