E, então, mais um Dia dos Namorados passou… Espero que os casais tenham sobrevivido. Sim, porque esse é um dia cheio de armadilhas que podem detonar ondas de amor e/ou ódio em muitos relacionamentos, né?
Acho fofa essa coisa de comemorar namoro, dar presente etc. Mas ter um dia específico pra isso é um perigo. Pra mim, meio que parece uma entrevista pra emprego: você está sendo avaliado. Em tudo: comportamento, gestos, palavras, roupa. Como é que a gente pode ser espontâneo numa situação dessas?
Se tem reserva no restaurante, precisa ser pontual pra não perder a mesa. Se chegou na hora, se sente pressionado pra comer logo – afinal, o povo da fila de espera está te encarando e te odiando. Até seus momentos mais íntimos com o ser amado precisam ser agendados, principalmente se você quer ir num motel. Uma amiga me contou que, certa vez, o povo da fila ficava buzinando pra apressar os casais que já estavam no quarto. Imagina! Mais brochante que isso, só ser pego pelos pais em pleno ato!
Eros e Psique, escultura de Antônio Canova, no Museu do Louvre, em Paris
O dia dos namorados nos remete a tantos questionamentos que nos afetam do bolso (consumo), ao coração (o par perfeito). Já fui testemunha de muita gente (sovina) que rompeu relacionamento às vésperas de datas como esta e dizem não saber o porquê de tal decisão.
Outras pessoas reafirmam que vivem melhor sozinhas e dizem não querer mais perder tempo namorando, entretanto ao serem tocadas pelas propagandas, vitrines e eventos com motivos desta data, que já é comemorada mais de uma vez por alguns – Valentine´s Day e Dia dos Namorados – se cobram por não ter alguém para amar, celebrar ou dividir suas vidas.
Cupido e Psiquê
Para pensar o tema – dia dos namorados – eu fui buscar na mitologia uma história interessante de amor: Cupido e Psiquê, na qual identificamos os encontros e desencontros das vidas amorosas.
Psique era a mais bonita das três belas filhas do rei. Todos os dias, ela recebia cortejos de pessoas para admirar sua beleza que era tamanha, que muitos a comparavam com a beleza da deusa Vênus, como se tivesse decidido viver entre os humanos.
Esta comparação parecia ser uma homenagem a deusa, entretanto seus templos estavam vazios, por causa da atenção dedicada a Psiquê.
Vênus decidiu vingar-se daquela mortal insolente e por não tolerar tal afronta, pediu a seu filho Cupido (arqueiro divino) que investisse uma de suas setas em Psiquê para torná-la um ser monstruoso, e que sua infelicidade fosse maior do que a mulher mais desgraçada do mundo. (Quem se atreveria a querer Vênus como sogra?)
Cupido, sendo muito obediente a sua mãe foi ao encontro de Psiquê, se aproximou invisível de sua presa e prestes a lhe apunhalar uma seta no peito, ficou encantado com a beleza da jovem e, atrapalhando-se, acabou por ferir-se com a própria flecha.
Publicado em um site financeiro…Uma mulher (USA – New York) escreveu pedindo dicas sobre como arrumar marido rico. Só isso já é engraçado, mas o melhor da história é que um cara deu a ela uma resposta bem fundamentada.
Anúncio Dela:
Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 28 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste site? Ou esposas de gente que ganhe isso e possa me dar algumas dicas? Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso e 250 mil não vão me fazer morar em Central Park West. Conheço uma mulher da minha aula de ioga que casou com um banqueiro e vive em Tribeca, e ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez de certo que eu não fiz? Como eu chego ao nível dela? Rafaela S.
Resposta Dele: Continue
Sei não, mas desconfio que, de todas as datas comemorativas, o Dia dos Namorados é a mais estressante. Pense bem…
Quem tá sozinho
1- Se sente um completo abandonado pelos deuses. Sim, porque até mesmo aquele jaburu do avesso já encontrou a outra metade (que, aliás, geralmente, é linda).
2- Por mais bem-resolvido que seja, corre o risco de chegar em casa, tomar banho, ir pra cama e se deparar com aquele sentimentozinho de… solidão.
3- Se joga numa daquelas festinhas de ode a solteirice. Quem sabe, de repente, rola? No fim da noite, conclui o que já era de se esperar: esse tipo de festa é um equívoco e você está mais solteiro do que nunca.
4- Nem festinha de solteiros, nem solidão na hora de dormir: você resolve jantar fora. Mas aí se depara com uma questão prática: com quem? Com ninguém! Afinal, o planeta está: (a) casado; (b) na-mo-ran-do.
5- Que sorte: você tem um (único) amigo solteiro como você, ou cuja metade-da-laranja está viajando a negócios. Oba, então dá pra jantar fora? Não, não dá. Não há mesas. Nem na padoca da esquina.
Quem tá “de rolo”
1- Se der presente, vai dar margem a segundas intenções, mesmo que não queira nada sério.
2- Se não der, vai ser pior.
Quem tá junto
Este não é um assunto comum para o tema principal do blog, mas…
Nos primórdios da história, não existiam terrenos à venda, a terra era de todos. Não havia um dono de quem devesse comprá-la. Não havia o certificado da posse, não se pagava por ela. Em algum momento alguém resolveu separar e preparar um pequeno lote e cultivá-lo. E como não poderia ser diferente, ele limpou o terreno, arou, semeou, regou e a terra respondeu com hortaliças de encher os olhos.
A produção continha um excedente para seu uso que ele passou a compartilhar com o restante do povoado. A resposta da comunidade foi reconhecer nele o provedor das frutas e das verduras… A partir disso ele se tornou alguém respeitado e importante. Em pouco tempo era a pessoa mais requisitada. Aquelas terras, através da sua produção, tornou-se para ele sua grande fonte de prazer. Afinal, foi através dela que ele um dia foi um sujeito comum, tornou-se um membro importante e vital.
Com o tempo, um outro morador quis apoderar-se de suas terras, assim também se apropriaria daquela notoriedade. Para este segundo homem “Deus” havia presenteado apenas ao primeiro com as terras férteis. Portanto, apesar das terras não possuírem preço comercial, – lembre-se, as terras eram de graça – havia um valor ganho indiretamente através da produção, que foi o respeito da comunidade conferindo ao agricultor um grau de importância.
Relacionamentos não são fáceis de serem construídos, ainda mais em tempos narcísicos, por isso a busca da compreensão e do aprendizado é essencial para se construir um alicerce firme e condições favoráveis para o diálogo.
O blog “Não dois não um” tem matérias muito interessantes sobre relacionamentos, dicas e comentários de livros, como nesta matéria Ele não tem medo de mim sobre livro A Entrega:
“Não levar a sério uma mulher não significa desenvolver uma postura insensível, mas uma sensibilidade mais radical, que ouve atentamente mas mantém uma consciência lúcida diante dos turbilhões femininos sem se deixar levar por eles.
Um exemplo simples é saber cortar um momento de tensão (em uma conversa pós-sexo, digamos) que poderia levar a uma briga. Saber agarrá-la, beijá-la, rir dela olhando-a nos olhos e convidando-a a gargalhar também. Ao fazer isso, o homem ganha a confiança de sua mulher, que se sente segura ao saber que quando ela se perder em meio às emoções ele a resgatará com seu amor, com sua sabedoria e sobretudo com sua liberdade.”
Vivemos em uma sociedade de consumo e o apelo para consumir é cada vez maior. Consumimos para ter e para ser, consciente e inconscientemente, o que precisamos e mesmo aquilo que vamos desprezar logo após obter.
As razões são as mais variadas e podem encontrar explicações plausíveis na psicanálise, sociologia, antropologia, psicologia, psiquiatria, marketing e em qualquer outra ciência ou filosofia. A minha questão no momento não é saber o porquê consumimos, mas quanto ao objeto de consumo.