Ilustração de Laura Laine
A última moda é esperada e bem vinda com o entusiasmo de calendários especializados e a catálise proporcionada pelas novas tecnologias. Enquanto um sistema, a moda e suas mudanças orquestram os ditames estéticos do que é belo, apartando o que deveria ser esquecido no armário. Assim, a última moda desfila sempre diante de nossos olhos. Os atos de se vestir e se adornar, sobretudo ao estar na rua, denotam o desejo de se pôr uma etiqueta social no corpo, um sinal contra o anonimato e de declarar que se “é alguém”. Esse “mascarar” do corpo revela que o vestuário adquire, além do valor prático e higiênico, um valor estético, agregando valores que transcendem os do mero prazer, de mero luxo.
E se é nos domínios da moda que se situa mais nitidamente a linha de partilha entre as pessoas sensatas – ou “in” – e as desviantes das sociedades – demodés ou simplesmente “out” – da época, é porque a moda não é um disfarce, mas uma etiqueta distintiva da identidade. Nesta lógica, a moda testemunha o poder do ser humano para mudar e inventar os mil modos de exibir sua personalidade e seu corpo.
Um corpo exposto passa a requerer estudo partindo da idéia de corporeidade do sociólogo francês Michel Maffesoli, de acordo com a qual os corpos são social e culturalmente construídos para serem vistos por outrem – na publicidade, na moda, na mídia e todas as esferas da sociedade – isto é, o corpo é “teatralizado” para ser exibido em espetáculo, engendrando comunicação. Nesse mise en scène, é o padrão identitário valorizado que vai permitir ao indivíduo um optimum de status social.
Em 1967 Roland Barthes, sociólogo e filósofo francês escreveu um artigo intitulado O Duelo Chanel – Courrèges para a revista Marie Claire francesa. Barthes sempre se interessou pela linguagem visual, sua contribuição para a moda foi muito importante, pois elevou o assunto ao interesse acadêmico..
O texto é uma reflexão através do olhar de Barthes, nos anos 60, sobre estes dois estilistas que fizeram história. Segundo ele, Coco Chanel deveria ser encontrada nos livros, entre os autores da literatura clássica. “Chanel não escreve com papel e tinta, mas com tecidos, formas e cores. Chanel acumula todos os valores da ordem clássica como razão, naturalidade, permanência, prazer em agradar em não surpreender”.
Uma referência clara à arte Clássica (civilização grega e romana). Podemos dizer que ele define a marca Chanel como tudo que não sai de moda, que continua sendo de boa qualidade, mantém os seus valores, é tradicional, sóbria e tem tendência em agradar a todos.