O trendwatching acaba de divulgar o ‘free report’ de 6 das 12 tendências de consumo para o próximo ano. É um resumo do material que eles vendem para grandes empresas multinacionais. Claro que o conteúdo on line é bem resumido, já que o negócio deles é vender estes relatórios, mas vale a pena conferir o que esta empresa, que estuda comportamento do consumidor, e tem como seus clientes a Coca Cola, Sony, Unilever e Victoria´s Secret, entre outros, tem a nos dizer.
1 – NICHETRIBUTES
Esta primeira indicação de tendência aponta que as empresas devem desenvolver produtos e serviços que vão de encontro ao desejo dos consumidores, de acordo com seu estilo de vida e situações. Ok, até aqui nada muito novo, premissa existente em todos os manuais de marketing. Porém, para 2009, trata-se de adicionar valores práticos e funcionais a produtos já existentes, atendendo as necessidades específicas de grupos específicos de consumidores, por isso a palavra ‘Nichetribute’ (atributos para um nicho). Agregar valor realmente percebido, útil, funcional e prático.
Exemplo: Dots Gloves – Luvas de lã e acrílico com bolinhas de níquel nas pontas dos dedos, que permitem tocar tela do seu iPhone sem danificar o visor e sem ter que tirar as luvas no inverno.
A história do jornalismo conta que as revistas dedicadas ao público feminino nasceram “sob o signo da literatura”. Nos primeiros tempos de folhetins, quase todas eram gazetas literárias que prescreviam a moda, e entre a moda e literatura, duas faíscas para a fantasia, a imprensa feminina brasileira desfilava.
“Muitas vezes nascidos por causa da moda em vestuário, os veículos femininos impregnaram-se da febre do novo, que é fundamental no sistema da moda e que passou a contaminar todos os outros conteúdos publicitários a seu lado. A moda impulsiona a imprensa feminina e é por ela impulsionada”, diz Dulcília Buitoni no livreto referência Imprensa Feminina (Ática, 1986). Se a revista feminina do século passado priorizou a literatura, o tricô jornalístico de moda contemporâneo mescla o viés do jornalista, a literatura e todas as partículas sócio-culturais em torno do universo da moda.
Entretanto, a espécie “jornalismo de moda” é ainda considerada jovem, pois só recentemente foram criados prêmios, cursos de especialização e seminários de moda – apesar da maturidade na trajetória das bíblias Vogue, Harper’s Bazaar e Elle; é, ainda, recente a especialidade das revistas exclusivas de moda. Presentemente, a moda pode ser reportada em editorial, crônica, entrevista, matérias-perfis ou de desfiles, resenhas de livros e exposições, edições especiais, cadernos culturais. O texto de moda na imprensa contemporânea incorpora novas facetas, apesar de que, “convencionalmente, é um relato sobre roupas e acessórios, e que também mistura em suas páginas conteúdos e editorias com material publicitário. Raramente os textos de moda fazem jus à sua afiliação com ‘jornalismo’”, critica Buitoni.
O centro da preocupação de toda empresa, hoje, é o compromisso com a satisfação do seu cliente. Todos os profissionais e colaboradores de uma marca têm como foco a geração de valor para seus consumidores. É crucial compreender a importância de atender bem e satisfazer as necessidades e, sempre que possível, superar as expectativas de nossos clientes. Firmamos um compromisso com cada cliente, garantindo qualidade superior no atendimento que oferecemos aos nossos consumidores. Mas isso só não basta: precisamos oferecer um serviço de excelência. Nossa liderança em vendas será resultado de nossa paixão, empenho e profissionalismo. Os promotores são um dos principais elos de relacionamento com os clientes. Eles são os porta-vozes da empresa, os promotores da marca, os profissionais de contato e interação constante com aquilo que temos de mais precioso: nosso cliente.
Para melhor atender as expectativas e necessidades dos consumidores no ponto de venda – os shoppers – precisamos conhecê-los um pouco mais; saber quem são e como gostam de ser tratados, como se comportam no ponto de venda, como se informam, avaliam as ofertas e como tomam suas decisões de compra. Para entender as engrenagens do comportamento humano é importante recorrermos a psicologia e as ciências sociais. Elas têm muito que nos ensinar sobre o comportamento dos consumidores.
A Editora Estação das Letras e Cores, responsável pela publicação da revista dObras e de vários títulos ligados à moda e ao design, está lançando “Consumo de moda – a relação pessoa-objeto”. O livro é resultado da investigação científica da consultora Ana Paula Celso de Miranda, que se debruçou sobre as relações entre as mulheres brasileiras e as marcas de moda durante seu doutorado em Administração de Empresas na Universidade de São Paulo.
Ana Paula entrevistou centenas de mulheres de distintas classes sociais e, mediante análises qualitativas e quantitativas, apresenta um cenário inédito para os estudos de consumo focados no fenômeno da adoção de moda. Para tanto, a pesquisadora realizou estudos na prestigiosa Manchester Metropolitan University, na Inglaterra, instituição que é referência para os negócios da moda no mercado internacional. Diretora da Modus Marketing e Semiótica, que atende clientes como Ronaldo Fraga, Plaza Shopping e Santana Textiles, a especialista tem uma larga trajetória ligada à investigação do consumo de moda, incluindo pesquisas publicadas em países como Estados Unidos, Chile e Venezuela. Atualmente, é também professora do mestrado em Administração das Faculdades Boa Viagem, em Recife, e coordenadora do MBA em Negócios da Moda na mesma instituição. “Consumo de moda – a relação pessoa-objeto” é seu terceiro livro.
Nunca falamos tanto de planejamento. Nem mesmo discutimos tanto as demandas dos consumidores. Indiscutivelmente, nunca fomos tão bem informados e exigentes nas nossas expectativas. As necessidades e aspirações dos consumidores modernos mudam constantemente e seus desejos são reativados a todo instante.
Hoje as empresas sabem disso e não dormem mais no ponto. Sabem que seu sucesso depende de noites de vigília, muito foco em pesquisa e projetos inovadores. Sabem que a inteligência de marketing é fundamental para novas proposições e sabem que a ousadia e a vontade de inovar é o espírito da mola concorrencial.
Observar e monitorar a experiência de consumo se tornou essencial. Eles são estratégicos, pois eles são as fontes de inteligência viva do marketing. Antes, as empresas se colocavam como criadoras de valor. Seu papel, hoje, é mais específico; elas entregam valor em forma de conveniência. Os consumidores tomaram as rédeas da criação e design de produtos.
Atualmente se usa novos conceitos para entender e catalogar estes consumidores: trendsetters, cool hunters, early adopters, tryalist transumers, consumidores 2.0, excursionistas camaleônicos, mavens e uma infinidade de termos por vir.
Ilustração de Laura Laine
A última moda é esperada e bem vinda com o entusiasmo de calendários especializados e a catálise proporcionada pelas novas tecnologias. Enquanto um sistema, a moda e suas mudanças orquestram os ditames estéticos do que é belo, apartando o que deveria ser esquecido no armário. Assim, a última moda desfila sempre diante de nossos olhos. Os atos de se vestir e se adornar, sobretudo ao estar na rua, denotam o desejo de se pôr uma etiqueta social no corpo, um sinal contra o anonimato e de declarar que se “é alguém”. Esse “mascarar” do corpo revela que o vestuário adquire, além do valor prático e higiênico, um valor estético, agregando valores que transcendem os do mero prazer, de mero luxo.
E se é nos domínios da moda que se situa mais nitidamente a linha de partilha entre as pessoas sensatas – ou “in” – e as desviantes das sociedades – demodés ou simplesmente “out” – da época, é porque a moda não é um disfarce, mas uma etiqueta distintiva da identidade. Nesta lógica, a moda testemunha o poder do ser humano para mudar e inventar os mil modos de exibir sua personalidade e seu corpo.
Um corpo exposto passa a requerer estudo partindo da idéia de corporeidade do sociólogo francês Michel Maffesoli, de acordo com a qual os corpos são social e culturalmente construídos para serem vistos por outrem – na publicidade, na moda, na mídia e todas as esferas da sociedade – isto é, o corpo é “teatralizado” para ser exibido em espetáculo, engendrando comunicação. Nesse mise en scène, é o padrão identitário valorizado que vai permitir ao indivíduo um optimum de status social.
Cada vez mais os significados do consumo, dentro do imaginário contemporâneo, são inflacionados e se tornam mais complexos. O consumo passou a ocupar um lugar central no mundo em que vivemos e em nossas vidas pessoais. Ele estrutura valores e idéias, constrói identidades, regula relações e define hierarquias, define gostos e estilos de vida. Os produtos e serviços são investidos de significados socialmente compartilhados usados para expressar categorias e princípios, construir e sustentar estilos de vida, enfrentar mudanças e criar padrões de comportamento. O consumo é a arena definidora de questões ligadas à identidade, pertença, poder, status e diferenciação.
As relações dos consumidores com produtos e marcas são impregnadas de significações simbólicas que formam uma complexa teia de sentidos e ‘regras’ que passam a animar, mas também regular o sistema de vida das pessoas. Esta teia de significados simbólicos do consumo cria um padrão de cultura, que constrói e anima as relações entre os homens. As promessas publicitárias se tornaram fonte essencial para a felicidade e realização pessoal, e apoiado pelas seduções publicitárias, os bens associam consumo com sedução, poder e sucesso.
Campanha Burberry
Diante de um mundo cheio de desejos, anseios e impulsos, estabelecemos durante a vida certos padrões inerentes a qualquer pessoa, como os de consumo, de cognição de referências familiares, de amizades, de inimizades, pré-conceitos raciais, sexuais, políticos, assim como assimilamos conceitos universais pré-definidos, como por exemplo, virtudes humanísticas de amor, paz, geralmente relacionadas com as religiões.
Ora, o ser humano é um livro em branco que durante a vida toda se auto-escreve, em alguns momentos, capítulos maravilhosos; em outros, histórias macabras e tenebrosas. Infelizmente, alguns “livros” não possuem finais felizes.
E o que é o mundo se não a exteriorização das idéias humanas? Todas as coisas que existem são criações do intelecto humano, ora racional, ora emotivo. Se partirmos desse pressuposto, de que tudo que existe vem da criação humana, então o ser humano também é uma criatura de querer para si essas ‘idéias’. Ele é um ‘posseiro’ do imaginário coletivo. E isso se repete sempre, geração após geração, como uma ação de “copycat”.
A economia capitalista é cíclica, dinâmica e permite, de tempos em tempos, a mobilidade social, a emergência de novos consumidores e a transformação dos hábitos de consumo e dos estilos de vida de outras parcelas já incorporadas à democracia do consumo e das inovações.
Assistimos atualmente a ampliação da base de consumidores nas sociedades emergentes e novos grupos de classe média e ricos emergentes. Não vou teorizar aqui sobre os diversos perfis que surgem nas mais diferentes regiões do planeta. Isso exige um estudo mais localizado e minucioso. Vou falar de uma macrotendência ou de um novo ethos do consumo em voga: aliar sofisticação material e cultura, conforto e bom gosto, prazer e arte.
Parcelas crescentes das classes médias, se tornam grupos de status mais preocupados com a preservação e intensificação de seu presente estilo de vida, esforçando-se para manter a distância social e encerrar as oportunidades de consumo de certos bens e inovações aos outsiders ou arrivistes – os de fora. As novas classes C emergentes.
Importante retrocedermos um pouco na historia do pensamento filosófico capitalista e extrairmos daí algumas reflexões sobre o tema do consumo utilitário e do consumo do supérfluo e procurar entender como o pensamento mercadológico e a própria sociedade de consumo passou a interpretar o consumismo moderno.
O pensamento filosófico liberal estabelecia as bases para o desenvolvimento de uma sociedade baseada no livre interesse pessoal. O indivíduo é enaltecido e seus desejos, valores pessoais e escolhas refletem sua liberdade. Os indivíduos procuram satisfazer seus interesses privadamente, baseados na ação e escolha racional, agem sabendo o que querem e têm preferências pré-definidas que precisam ser satisfeitas.