Os objetos de cena sempre foram definidos pelo diretor em união com o trabalho do cenógrafo que então vai definir volumes e cores e, sobretudo locais onde estes deveriam estar.
Foi Antoine no século XIX quem recusou objetos pintados e truques ilusionistas exigindo objetos reais, materiais trazendo sinais de sua existência anterior, de um passado reconhecível e táctil.
Efeitos sim, mas verdadeiros. Antoine nos revelou a teatralidade do real. Entretanto em grandes escalas isso não é possível. Por exemplo, as ondas fictícias do rio Reno em encenação de Bayreuth sob a direção e a cenografia de Wieland Wagner. Foi a luz que fez o rio mover-se. Nem uma gota do próprio entrou no palco, naturalmente.
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Os fogos de artifício na passagem do ano em Copacabana têm um resultado surpreendente quando refletidos nas águas do mar. Os fogos de artifício necessitam de um espelho para multiplicar-se e os rios do mundo têm feito isso, assim como, as praias.
O Rio Tâmisa e o Rio Sena foram palco desse reflexo das luzes mágicas que nos chegaram da China. Eles serviram de cenografia para espetáculos teatrais. Sim, por que era uma encenação teatral o desfile de barcos nesses rios. Ou no mar na frente da Catedral de São Marcos, quando o grande barco do Dodge de Veneza desfilava seguido por dezenas de outros barcos.
As vestes da corte, a decoração riquíssima dos barcos encenava a pompa que aquela cidade merecia, por ser dona de parte do Mar Mediterrâneo. Louis XV não dispensava o trabalho dos químicos de Bologna, os irmão Ruggieri e os fogos de artifício que eles forneciam para as festas de Versalhes. Enquanto os fogos coloridos explodiam estrelas nos céus, atores, dançarinos, músicos e cantores realizavam o espetáculo de regozijo nos palcos dos jardins às margens de rios, lagos, e praias.
Por Cyro del Nero
O teatro é feito de uma pessoa que representa uma segunda pessoa que é olhada da platéia por uma terceira pessoa: essas três pessoas são: o ator, a personagem e o público.
O ator tem a capacidade de imaginar como essa terceira pessoa na platéia, o público, reagiria enquanto ele representasse. Para tanto ele projeta mentalmente sua personagem e com ela, a si mesmo.
Essas introjeções e projeções simultâneas nos lembram Thomas Mann dizendo que existe uma afinidade natural entre arte e a patologia. O próprio Salvador Dali dizia que ele e um louco eram iguais, com a diferença de que ele não era louco…
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Rito pagão – Magick Circle / Sir Waterhouse
A duração da existência foi sempre dividida entre ritos e celebrações. Por exemplo, os ritos que exorcizam a morte, esse acontecimento indesejado, mas compreendido como início de uma nova existência. Ou as quatro estações que são recebidas com rituais de Primavera – nascimento e floração, Verão – alegria, Outono – crepúsculo e Inverno – morte.
Celebrações são criadas pelo homem e há sempre aquela da espera da volta do sol após o Inverno. Em cima da festa pagã milenar do solstício, comemorando a volta do sol no hemisfério norte, em dezembro, a Igreja cristã colocou a celebração do nascimento de Jesus Cristo, substituindo a festa pagã que já existia nessa data.
O ciclo de vida, paixão e morte de Jesus Cristo, resultou na missa católica, sem que hoje nos lembremos de seus primitivos e totêmicos símbolos. Estando eles comendo, tomou Jesus o pão e, tendo dado graças, partiu-o e deu aos seus discípulos, dizendo: Tomai e comei! Este é o meu corpo. Tomando o cálice, rendeu graças e o ofereceu dizendo: Bebei dele todos porque este é o meu sangue.
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Após um nascimento obscuro ou mágico, o jovem desaparece durante seu aprendizado entrando na floresta ou no deserto e em algum momento de sua formação, o xamã vive uma experiência estranha e mórbida ou outra experiência única e volta para devolver a energia ganha através das tentações suplantadas, da contemplação ou da autoflagelação. Tendo ganhado o poder da cura ele organiza um corpo de acólitos.
De alguma maneira ele reconheceu os signos naturais e os dominou e demonstra isso sempre de maneira dramática para impressionar aqueles que ele formou para ele: seu público, seus pacientes, seus crentes, seus fiéis.
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O carro de Thespis, cheio de máscaras, é uma convenção lendária confirmada pela existência de mármores atenienses onde se lê seu nome. E há notícia de que nas suas primeiras apresentações dos concursos dramáticos, onde compunha e cantava ditirambos, ele disfarçou seu rosto com um pó, provavelmente um talco proveniente de chumbo ou gesso, depois pendurou flores nos cabelos e mais tarde passou a usar máscaras de linho que ele criava.
Choirilos, o ator, foi quem agregou algo às máscaras que impressionou o público – não sabemos o que – e Phrinicus criou as máscaras femininas. Após essas alterações, o poeta trágico Ésquilo, usou as primeiras máscaras coloridas e outras aterrorizantes.
A majestade do edifício teatral grego, as obras monumentais que nos restaram dos poetas trágicos, o sofrimento expresso na “máscara de Agamemnom” do Museu do Pirreu, a ferocidade das máscaras da Comédia, as ilustrações gloriosas do Teatro nos vasos durante alguns séculos, são o retrato que ficou de tudo isso que chamamos Teatro Grego.
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Com o tempo, Arlecchino, tornou-se o mais famoso herói da Commedia dell`Arte. Suas qualidades eram facilmente reconhecíveis como as de um parasita, o escravo esperto da comédia romana ou como o descendente direto de Mercúrio, aquele que negocia situações.
Era servil, ingênuo, mas fiel e cheio de soluções e recursos. Sempre metido em trapalhadas, acaba por se sair bem à custa de manobras cômicas incríveis. Respeita e ama as mulheres. Corre perigo às vezes e por isso precisa de um corpo atlético.
Sua roupa confusa cheia de losangos coloridos exprime seu caráter desigual, inconstante, e por ser dissimulado usa sempre uma máscara preta, para bem escondê-lo. Tem uma bolsa para as mensagens e recados, ou para guardar moedas que nunca são suas. E uma pequena espada apenas como definição e não como arma.
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Arte barroca mineira de Ataíde – Igreja de São Francisco de Assis
O Barroco pretende a alma em apoteose. Apesar de ser o Barroco uma idéia pré-concebida em um Concílio da Igreja Romana, ele se conserva como forma ideal para os artistas de sempre, os que acreditam ter a existência humana apenas uma finalidade: glorificar a Deus. Barroco é a forma sujeita às curvas que deformam e exaltam, aspiram e se destinam aos céus.
Ganhamos o barroco no Brasil através de rabiscos e informações de oitiva que chegaram até os nossos gênios plásticos que o instituíram em nossa história da arte. Nosso barroco tem um signo de importação de idéias aclimatadas, mas com o indisfarçável gênio da terra.
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Da Marinha, o teatro romano herdou além do velarium que cobria o público, o siparium, cortina da boca de cena que, ao invés de subir no início do espetáculo, descia, revelando primeiro a cabeça dos atores, indo até abaixo do piso do palco. No final do espetáculo a cortina subia, fazendo desaparecer o ator dos pés para a cabeça. Este siparium era sustentado por dois mastros laterais à boca de cena. Era uma vela marítima, acionada por uma manobra marítima.
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Velarium
Uma das grandes transformações nos edifícios teatrais herdados da Grécia foi criada pelos romanos que resolveram cobrir os teatros com um velarium, para defender o público do sol e da chuva. E convocaram a Marinha, porque somente marinheiros – nos mares ou na terra – conheciam técnicas de cobrir grandes espaços com tecidos e dominar vento e água.
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O Prof. Cyro del Nero vai participar do Fórum Arte Contemporânea e suas Interfaces com o tema História da Antiguidade: 50 Anos de visitas a Grécia.
O fórum se dará nos dias 15, 22 e 29 de Outubro de 2008 das 9h00 às 12h00 na sala Sala 22 – Departamento de Relações Públicas, Turismo e Propaganda – CRP, no campus da ECA USP – Escola de Comunicações e Artes.
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Considerando o aspecto matemático da obra de Johann Sebastian Bach e seu poder lírico e transcendental, a Paixão segundo São Mateus não parece ser a obra que mais facilmente inspiraria uma revolução criativa (cênica, sobretudo) como a que atingiu o encenador Gordon Craig, que foi quem criou os cenários e dirigiu o espetáculo.
Se, por exemplo, pudermos imaginar um trabalho criativo com a Arte da Fuga ou a Oferenda Musical, o que resultaria como conseqüência das informações advindas destas obras tão complexas da teoria musical?…
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Por Cyro del Nero
Peer Gyant 1. Direção de Bob Wilson
Poeta plástico, cenográfico (gráfico – que pratica o teatro com todos os elementos visuais criados por ele mesmo e mais os seus elementos sonoros). É um teatro feito de “visões” que transcorrem lentamente, com propostas insólitas, belas e poéticas. Tais visões desafiam nosso tempo interior e nos conduzem quase por uma hipnose à reflexão conduzida por Bob Wilson em espetáculos de horas.
Filho de uma família conservadora da Igreja Batista americana, a lembrança de sua mãe é a de uma mulher sentada, ereta e de difícil aproximação. Quando a mãe soube que o professor havia perguntado a toda a classe de seu filho o que eles queriam ser quando crescessem, e que Bob havia respondido que seria o rei da Espanha. Então, o professor comentara que esse menino teria problemas. A mãe de Bob Wilson comentou simplesmente sem sair de sua cadeira: “Eu não acho isso”.
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Por Cyro del Nero
Foi Isadora Duncan quem recomendou um homem do teatro que ela amava, a Stanislavsky, Diretor do Teatro de Arte de Moscou. Gordon Craig, o ator inglês, filho de uma atriz, Ellen Terry.
Ele havia representado sete vezes na Inglaterra, o Hamlet de Shakespeare. Com tal recomendação, não pelo que já havia realizado, mas pela credibilidade que gozava Isadora Duncan junto a Stanilavsky, o jovem Craig foi convidado para ir à Rússia, iniciando lá a fundação de uma nova modalidade de teatro através de sua obra plástica.
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Por Cyro del Nero
É sempre Louis Jouvet, diretor teatral mais sábio que erudito e excelente ator do teatro francês, quem nos revela o teatro. São inúmeros seus ditos transformados em citações constantes pelos homens do palco.
É dele a afirmação de que os homens do palco são servos da imaginação do poeta e prestam o serviço mais nobre ao teatro ao qual servem com humildade. E os espectadores seguem com docilidade o poeta dramático ao império desconhecido do teatro que não tem nada de comum com o mundo sensível que nos cerca.
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Uma professora de ensino básico procurou um professor do Departamento de Artes Cênicas da ECA e perguntou se seria possível que este fizesse uma palestra para seus alunos sobre o teatro grego. Ela estava ensaiando alunos para a representação de ALCESTE de Eurípides.
Claro que sim, ele gostaria de fazê-lo. Mas queria saber a idade dos alunos que fariam o espetáculo trágico grego. Quando soube que os atores tinham onze anos de idade não quis acreditar e então muito curioso foi depois de alguns dias até a escola na periferia de São Paulo …
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As transformações na construção de um espetáculo teatral brasileiro foram inúmeras a partir do Teatro do Estudante de Paschoal Carlos Magno e depois do Teatro Brasileiro de Comédia. A seguir vieram o Oficina e o Teatro de Arena.
Para quem participou das reuniões de mesa para definição do espetáculo, foi possível assistir os processos mais díspares. Até que em certo momento da história teatral brasileira, adentrou as reuniões o esquema da criação coletiva.
O Teatro é um mistério e muitos elementos podem determinar seu sucesso ou seu fracasso. Um dos mais ativos agentes dos resultados positivos ou negativos é a família teatral. A composição, a energia, a simbiose criativa, a afetividade e, sobretudo, a ética do elenco que é a família teatral. Mas a grande experiência funcional do teatro é ter-se um diretor com uma idéia clara e bem composta, complexa e com propósito amadurecido e entusiasta.
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Por Cyro Del Nero
Para Stanislavski, Maria Yermolova representava o ápice da arte de representar
Konstantin Stanislavski – é o autor de uma verdadeira gramática da representação numa forma que pretende ajudar o ator iniciante e ser útil ao ator experiente. Considerando o valor da obra desse Diretor do Teatro de Arte de Moscou, a Enciclopédia Britânica procurou o notável ator americano e professor de atores – Lee Strasberg – e pediu a ele que se incumbisse do texto referente ao teatro. E ele o fez em 1959 e intitulou seu texto REPRESENTAÇÃO.
Ele que talvez seja o professor dos sussurros de Marlon Brando e das peraltices da atuação de James Dean, foi um dos professores fundadores do Actor´s Studio de Nova York e o principal divulgador das teorias de Stanislavski.
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Há uma emoção para o figurinista durante a preparação para o ensaio final de um espetáculo teatral. Chegam os costumes depois das provas já havidas e o ator veste-se finalmente diante de um espelho. A emoção e as voltas que o ator dá ao redor de si mesmo para ver-se em seus diversos ângulos e dinâmica, avaliando o uso que seu corpo dará finalmente à sua personagem. Tudo completa naquele momento a realização do trabalho que o ator teve até então. Sua persona está pronta.
Roland Barthes diz que o bom costume teatral deve ter bastante material para significar e suficiente transparência para não constituir seus signos em parasitas.
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Tivemos um final de semana muito reflexivo e filosófico. “Ser ou não ser, eis a questão.” William Shakespeare (1554 – 1616). Não que nós, do Fashion Bubbles, estejamos em um conflito de identidade ou enlouquecidos, mas não poderíamos deixar de prestigiar um dos mais importantes clássicos da literatura ocidental. Me refiro a tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca (interpretado brilhantemente por Wagner Moura), que certamente é uma das mais conhecidas obras de Shakespeare. A primeira versão escrita entre 1587 e 1589 se perdeu e a versão que chegou até nós foi publicada pela primeira vez em 1603.
Hamlet, príncipe da Dinamarca, descobre que seu pai (o velho Hamlet) foi morto pelo próprio irmão (Cláudio, tio de Hamlet) que casou-se com Gertrudes, a Rainha, após dois, somente dois meses do ocorrido. Cláudio visava obter o trono da Dinamarca que estava sendo ameaçado pelo reino da Noruega.
Diante de seu sofrimento, Hamlet tem uma visão de seu pai (o rei morto), que aparece para contar-lhe o segredo de sua morte e pedir vingança ao filho. Este, transtornado diante da possibilidade de um fratricídio, com interesses muitos claros e ambiciosos, se faz de louco para confirmar se o que ouviu do espírito de seu pai era verdade. (“Há algo de podre no Reino da Dinamarca”).
Morreu neste sábado (19/07/2008), de uma forte pneumonia, a atriz Dercy Gonçalves, exemplo de vivacidade, ireverência e alegria de viver.
“Dercy Gonçalves, nome artístico de Dolores Gonçalves Costa (Santa Maria Madalena, 23 de junho de 1907 – Rio de Janeiro, 19 de julho de 2008) foi uma atriz brasileira, oriunda do teatro de revista e notória por suas participações na produção cinematográfica brasileira das décadas de 1950 e 60.
Dercy era famosa por suas entrevistas irreverentes, pelo seu bom humor e pelo uso constante de palavras de baixo calão. É a maior expoente do teatro de improviso no Brasil.”
Leia biografia da atriz na Wikipédia.
“Quem me criou foi o tempo, foi o ar. Ninguém me criou. Aprendi como as galinhas, ciscando, o que não me fazia sofrer eu achava bom.” Dercy Gonçalves