Pirataria Fashion – Entenda a nova subcultura do mundo da moda

Pirataria Fashion   Entenda a nova subcultura do mundo da moda

Pirataria Fashion: o artista Travor “Gucci Ghost” Andrew  transformou o logo da Gucci em Street Art e logo se transformou em um colaborador da grife.

De acordo com a WGSN, a paródia e a apropriação de logos famosos se transformaram na mais nova subcultura do mundo da moda. Essa onda da pirataria fashion é fortemente influenciada pelo ativismo digital, que inspira críticas cada vez mais ferozes ao modelo econômico capitalista e seus desdobramentos.

Há décadas, a cultura de massa vem sendo utilizada pelos artistas, como um ponto de partida para indagar e subverter o senso comum. Agora, os estilistas também entraram no jogo, aliando-se aos seus “falsificadores” para ressignificar antigos objetos de desejo.

Pirataria Fashion   Entenda a nova subcultura do mundo da modaPirataria Fashion: logos e marcas ganham reinterpretações de cunho político. Imagem via WGSN

Conhecida como “Efeito Vetements”, a apropriação artística dos grafismos e logotipos sai do campo da paródia e ganha conotação fortemente política, espalhando-se pela internet e viralizando com a velocidade de um clique. O movimento aparece liderado por uma onda de estilistas e talentos criativos, tais como Demna Gvasalia, da Vetements, Alessandro Michele, da Gucci, e os artistas Heron Preston e Travor “Trouble” Andrew.

Pirataria Fashion: Gucci faz parceria com o seu “falsificador”

O influenciador digital Travor “Trouble” Andrew divide seu tempo entre a música, o skate e a arte de rua. Obcecado pela Gucci desde a adolescência, quando comprou seu primeiro relógio de grife da marca italiana, ele ficou conhecido na internet sob a alcunha de GucciGhost . A ideia veio em uma festa de Halloween, quando Travor fez dois buracos em um lençol Gucci para criar uma gantasia improvisada, que ele chamou de “fantasma da Gucci” e acabou se transformando no seu alter ego virtual. Com essa ideia em mente, ele transformou a fantasia na imagem de um fantasma com o logo da Gucci no lugar dos olhos e passou a grafitá-la em todos os lugares possíveis.

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A fama online fez com que Travor caísse nas graças do diretor criativo da grife, Alessandro Michele, que o convidou para desenvolver uma colaboração para marca. A ideia deu tão certo que a parceria continua até hoje, indo muito além do desenvolvimento de produto. Travor “Trouble” Andrew já foi responsável por duas coleções da marca e também ganhou um espaço na exposição interativa Gucci 4 Rooms, ao lado dos japoneses Chiharu ShiotaDaito Manabe e Mr. Para Alessandro Michele, o trabalho do artista é completamente diferente da cópia:  ”é a ideia de que você pode levar seu trabalho para rua, por meio da pichação como linguagem, usando os símbolos da empresa”, afirmou o estilista em entrevista para a Vogue.

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A Gucci foi uma das marcas pioneiras em aliar-se aos seus “falsificadores”, como o artista Travor “Trouble” Andrew.

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Gucci Secret Room, espaço assinado pelo artista Trouble Andrew

Pirataria Fashion e o Efeito Vetements

The Vetements é um coletivo francês, que surgiu no mundo da moda com o intuito de subverter a ordem e questionar a maneira como consumimos design e informação. Sob comando de Demna Gvasalia, o coletivo atingiu fama astronômica e, em poucos anos, foi responsável por algumas das maiores mudanças que estamos presenciando no cenário fashion. A Vetements, que agora desfila suas roupas na Semana de Alta Costura de Paris, teve forte influência no declínio de vendas do jeans skinny e também é apontada como uma das maiores entusiastas da pirataria fashion.

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Vetements na PFW17 – a marca se destaca pelo seu discurso antimoda e castings inclusivos

Sempre no limite entre a subversão, a paródia e a cópia, a marca foi responsável por algumas das peças mais icônicas das últimas estações. Em 2016, lançou na passarela uma camiseta com uma reinterpretação do logo da DHL (correio expresso da Alemanha), que esgotou em minutos mesmo custando £185 (R$738,15). Para se ter uma ideia do frenesi, uma camiseta quase idêntica poderia ser comprada por cerca de £4.50 (R$17,95) no site da própria DHL.

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Vetements SS 2016, Paris fashion week; um empregado da DHL com a camiseta “original” e o diretor da DHL, Ken Allen, usando a camiseta da Vetements. Imagem via: The Guardian

A razão de tanto sucesso? A Vetements ganhou autoridade o suficiente para transformar o kitsch em hype e consegue transformar o ordinário em extraordinário com maestria. Demna Gvasalia afirma que o foco do coletivo é dar nova vida a peças já existentes. Quando indagado sobre a estética, ele é categórico: “é feio, por isso nós gostamos”.

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Vetements é uma marcas que mais aparece nos cliques de street style

Por incrível que pareça, nem a própria Vetements escapou da pirataria fashion que pratica: graças a ascensão estratosférica da fama da marca, ela acabou se transformando em um novo símbolo mainstream a ser reinterpretado pela arte.  Em março de 2016, foi criado o site Vetememes, que faz uma brincadeira com o nome da grife e os preços astronômicos praticados pela mesma. Criado por um jovem do Brooklyn, o site vende paródias das peças da Vetements, por uma fração do preço original.

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Vetememes: site faz paródia com as peças e os preços astronômicos da Vetements

Para a analista de tendências Aleksandra Szymanska, do Future Lab, há uma nova definição de luxo pairando no ar. Não se trata mais do valor da etiqueta, mas sim do valor agregado à peça: ao contrário da Logomania dos anos 90, quando a marca era um símbolo de poder aquisitivo do usuário, a ideia agora é buscar declarações visuais atraentes e bem humoradas, que deturpem a ideia do luxo ostensivo e nos façam questionar nossos valores, enquanto sociedade.

 

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Publicação: 26 de janeiro de 2017

AUTOR

Francieli é formada em Design de Moda pela UDESC e já estudou Cultura e Progettazione della Moda em Florença. Trabalha como estilista freelancer em Florianópolis e é apaixonada por criação, história, branding e comunicação. Instagram: @fvhess

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