De cor lilás por Vinícius Moura

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Baseado no texto “O Estrangeiro”

Ela desenvolveu em seu casulo não somente seu corpo, mas um ideal: seria ornada. E o que quer que fosse, teria a cor lilás, a cor que mais lhe agradava. Não importava que bicho iria nascer, não tinha preocupação quanto a isso. Próxima de escapar da crisálida imaginava-se calçando suas quatro botinhas lilás, nas patinhas da frente não usaria luvas, pintaria as unhas, usaria braceletes e anéis, tudo lilás. Quando rompeu a casca que a protegia, vibrou de alegria ao ver seu adorno mais imponente, as asas, com vários tons de sua cor predileta. E voou tão feliz que não cabia em si.

Ao encontrar com outros bichos alados, que por falta de criatividade, ou por não terem aproveitado bem o tempo que tiveram, perguntavam “Que bicho és tu?” nenhum deles tinha a mesma cor, nenhum era tão ornado. Um ser tão diferente causa perturbação. Ela não julgava, nem respondia. Na verdade, ela também não sabia o que era. E isso importava? Na primeira chance que teve, pintou em seus cabelos mechas de roxo. Os bichos estranharam ainda mais: “Para onde vai com este visual?” e não foi por arrogância que ela não respondeu. “De onde você veio?” insistiam. Mas, não sabia o que responder, ela mesma não sabia. E o que importava isso? Era feliz. Tantas perguntas só porque se sentia feliz além da conta?

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A suspeita era de que apesar da cor extravagante para aquele bicho, o que mais chamava a atenção era seu sorriso, exagerado de tão feliz, realizado naquilo que era sem nenhum apego e principalmente, sem a dúvida de encontrar, ou não, um destino pela frente. “Que idioma falava?” já que ninguém tinha ouvido sua voz, esta era, portanto, uma pergunta justa. Os outros bichos inconformados com aquele exemplar tão único perderam a paz. Porque só ela era assim? No reino dos bichinhos voadores, a harmonia era baseada na uniformidade e na tradição, e aquele sorriso fora dos padrões, trouxe a discórdia. Alguns tentaram pacificar, porém, ela mesma, sem se importar com a confusão continuava a voar alheia.

Isso lhe tiraria o sorriso? Não, é claro que não. O que lhe importava isso? Era feliz.

Por Vinícius Moura

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