Amar a família ou comprar uma família?

000interativa2007-tarcila-familia.jpg

Desde pequenos um hábito se instala em nós: resolver problemas comprando coisas. Você já percebeu como essa situação é bastante comum?
Começa quando as crianças vêem anúncios na TV e pressionam os pais para que lhes comprem brinquedos e doces. 
 
Por sua vez, pais e mães também são levados a acreditar que seus filhos serão mais felizes se tiverem mais e mais coisas materiais.
É o consumismo se instalando. Em vez de enfrentarem essa crise educando a criança, em geral os pais a satisfazem. 
 
É uma atitude que reforça a crença de que se pode ter tudo e que as coisas materiais são a razão da felicidade.
Muitos pais, inclusive, tentam compensar as longas horas ausentes de casa fazendo compras exageradas. 


 Enchem os filhos de objetos e, rapidamente, as crianças aprendem a negociar. Tornam-se cada vez mais exigentes e consumistas.
Na adolescência, as compras continuam: aparelhos eletrônicos substituem os brinquedos. São celulares, computadores e jogos eletrônicos de imediato substituídos, quando surgem novos modelos. 
 
As mesadas se tornam maiores e logo os filhos desaparecem de casa, em companhia de amigos. Vivem em noitadas intermináveis, com fácil acesso ao álcool, fumo e drogadição.
O passo seguinte é comprar-lhes um carro, um apartamento…
E cabe então a pergunta: Nessas quase duas décadas em que vivem com os pais, que aprenderam? Que exemplos receberam? 
 
Será que conhecem verdadeiramente seus pais? Estão preparados para amar ou para comprar?
E o que dizer dos pais? Será que realmente conhecem seus filhos? Sabem de seus sonhos e aspirações? Já ouviram suas frustrações e problemas?
Chega-se então ao mundo adulto. E as situações infelizes continuam a ser resolvidas à base de compras. 
 
Roupas e sapatos, carros, vinhos, jóias. A ostentação esconde a infelicidade.
Falsa é essa felicidade baseada em ter coisas. Ela estimula o materialismo e destrói o que temos de mais belo: a convivência familiar, a construção de lembranças preciosas.
Amar a família inclui sustentá-la em suas necessidades, prover o estudo dos filhos, garantir alimentação e lazer. 
 
Mas, muito diferente é substituir a presença do amor pelo presente - por mais ricamente embalado que seja.
Um filho é uma dádiva Divina. Uma responsabilidade que inclui não apenas dar-lhe coisas materiais, mas dar-lhe suporte emocional, psicológico.
É preciso falar com os filhos, conhecê-los, sondar o que pensam, refletir sobre o que fazem. 
 
O mesmo vale para o casal: depois de alguns anos de convivência, as conversas, antes tão íntimas, costumam ser substituídas por presentes, como flores e jóias.
Aos poucos se esvai a cumplicidade, a parceria e até a atração.
E os pais? Envelhecem sozinhos, cercados de enfermeiras ou de pessoas pagas para tomar conta deles. Velhos pais, isolados, com suas manias e conversas que ninguém quer ouvir. 
 
Quão felizes seriam com visitas e conversas mais longas.
Por tudo isso, reflita hoje: Estou amando ou comprando minha família?

Recebi esse e-mail do nosso amigo Marcos Augusto. Achei  interessante as reflexões que podem ser desencadeadas sobre essa  instituição que é a família e que  muitas vezes foi considerada ameaçada pelos tempos pós- modernos, mas continua mais forte que nunca e ainda mais relevante como base para a vida. Não sei o autor.

Denise Pitta

denise
Denise é estilista, formada em Moda e Artes Plásticas. Atua na área da moda há seis anos com passagens em diversas empresas e em marca própria, a Lility Lingerie. Também desenvolve pesquisas sobre Identidade Brasileira na Moda e hoje é editora-chefe do Fashion Bubbles. E-mail: fashionbubbles@gmail.com

One Response to “Amar a família ou comprar uma família?”

  1. Texto muito esclarecedor e com bastante reflexão.
    Excelente!
    Abraços!

Leave a Reply