O ativismo digital que mudou as campanhas de moda

No início de agosto, foram divulgadas as primeiras imagens da parceria entre as gigantes Kenzo e H&M. As peças chegam às prateleiras em novembro e a coleção, que já vinha causando burburinho no cenário da moda, voltou aos holofotes assim que os primeiros looks foram mostrados no twitter da sueca H&M.

O ativismo digital que mudou as campanhas de modaIsamaya Ffrench e Oko Ebombo

A presença das cores contrastantes e da estampa de tigre, marca registrada da Kenzo, chamou bastante atenção. Mas não foi só na estética das roupas que os designers Carol Lim e Humberto Leon buscaram imprimir a alma de Kenzo Takada, o criador da marca: um dos grandes sucessos da década de 1970, o estilista japonês era especialista em criar desfiles impressionantes que traziam a vida real para dentro das passarelas, tendo  a inclusão e o respeito à individualidade como princípios norteadores do seu trabalho.

Valorizando esse conceito, nada mais natural do que a escolha da direção criativa da casa em convocar jovens artistas e ativistas para fazer parte do lookbook da coleção: “São pessoas que admiramos, ícones nas suas áreas”, explicou Leon, que selecionou um time de deixar qualquer um orgulhoso.

Nas primeiras imagens divulgadas, podemos ver Amy Sall, estudante e ativista que fundou o SUNU, um jornal de temas africanos, pensamento crítico e estética; Juliana Huxtable, poeta, DJ e artista; Isamaya Ffrench, maquiadora e membro do coletivo londrino Theo Adams Company; e ainda Oko Ebombo, músico e artista parisiense.

O ativismo digital que mudou as campanhas de moda

Amy Sall e Juliana Huxtable

Essa não é a primeira vez que grandes grifes trocam modelos profissionais por um casting recheado de personagens da vida real. Em 2014, a grife Marc by Marc Jacobs lançou uma campanha produzida inteiramente com modelos selecionados no instagram, pela hashtag #castmemarc, e a ideia deu tão certo que a marca repetiu a dose no ano seguinte e agora prepara-se para lançar uma terceira edição, ainda em 2016.

O ativismo digital que mudou as campanhas de modaMarc Jacobs-SS15

O ativismo digital que mudou as campanhas de moda
Marc Jacobs – FW14

Ações como essas demonstram que a indústria da moda, antes engessada em padrões inatingíveis, precisou se reinventar rapidamente para continuar lucrativa. Com as novas gerações cada vez mais conectadas, a internet virou palco para o debate e deu espaço para minorias que souberam se fazer ouvir, criando influenciadores poderosos, com ideias transgressoras e milhares de seguidores prontos para questionar padrões e estereótipos que não reflitam sua realidade.

Em entrevista para a NY Magazine, o diretor de casting Noah Shelley explicou que, com a força do Instagram, as marcas começaram a optar por associar-se com pessoas que tragam personalidade para seus produtos. Isso porque muito além de um rostinho bonito, essas pessoas agregam conteúdo aos feeds e construíram autoridade o suficiente para falar de um produto ou serviço.

Foi através desses influenciadores digitais que o ativismo online ganhou força e rosto, trazendo mais diversidade para as mídias tradicionais. Se antes a moda mercantilizava causas, hoje ela vira os holofotes para os seus porta-vozes e busca atingir um novo público, que dificilmente comprará algo pelo qual não se sinta representado.

O ativismo digital que mudou as campanhas de moda

Brendan Jordan ficou famoso na internet após aparecer em um vídeo dançando animadamente atrás de um repórter. Com milhares de fãs no youtube, o adolescente logo faturou um contrato para modelar para a American Apparel.

Cara Delevingne também recorreu ao Instagram para selecionar os modelos que estrelaram a campanha de sua coleção em colaboração com a DKNY.

O ativismo digital que mudou as campanhas de modaCara Delevingne recorreu ao Instagram para selecionar os modelos que estrelaram a campanha de sua coleção em colaboração com a DKNY

O ativismo digital que mudou as campanhas de moda

A Galeries Lafayette também optou por essa estratégia ou selecionar pessoas cheias de personalidade de diferentes áreas que tinham o espírito coleção de lançamento da sua nova identidade visual. Veja mais em Galeries Lafayette apresenta nova identidade visual e redefine seu conceitos de luxo

O ativismo digital que mudou as campanhas de moda

Por Francieli Hess

(Francieli é formada em Design de Moda pela UDESC e já estudou Cultura e Progettazione della Moda em Florença. Trabalha como Coordenadora de Estilo em Florianópolis e é apaixonada por criação, história, branding e comunicação. Instagram: instagram.com/fvhess)

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Publicação: 8 de agosto de 2016

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Francieli Hess é formada em Design de Moda pela UDESC e já estudou Cultura e Progettazione della Moda em Florença. Trabalha como estilista freelancer em Florianópolis e é apaixonada por criação, história, branding e comunicação. Instagram: @fvhess

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