A história de cinco mil anos da maquiagem

A história de cinco mil anos da maquiagem

A maquiagem glamourosa de hoje nasceu das cinzas (literalmente!). Veja sua história.

A maquiagem é sem dúvida o truque embelezador mais usado no mundo, seja por mulheres ou homens e isso não é coisa “da nova geração”. A história da maquiagem é bem antiga. Tudo começa no Egito por volta do ano 3000 antes de Cristo, mas com um propósito bem diferente do de hoje:

Tanto homens como mulheres no antigo Egito usavam maquiagem, eles preenchiam as pálpebras com uma pasta chama Kohl, feita do mineral malaquita, misturada a carvão e cinzas, com o intuito de proteger os olhos de “espíritos malignos”, pois se acreditava que os olhos eram o espelho da alma.

Com o Kohl em circulação no Egito, alguns comerciantes levaram o produto para Grécia e Roma e, com costumes diferentes, podemos dizer que foi lá que a maquiagem começou a ser usada com mais vaidade. Nessa época o Kohl já estava sendo comercializado em bastões parecidos com os lápis de hoje, pasmem! O produto foi tão difundido que existe até hoje e é usado principalmente por indianos e árabes e é chamado de Kajal – sim, o famoso Kajal que vemos em tantas marcas pops, como Maybelline, Natura e Givenchy, nasceu do carvão e cinzas!

A história de cinco mil anos da maquiagem

A história da maquiagem começou a a criação do Kohl, nosso atual Kajal.

Muitos ingredientes “não-convencionais” eram usados antigamente como maquiagem e são inspiração para os produtos que usamos hoje. Carvão, cinzas, amoras, algas marinhas, beterraba, giz, cera de abelha, azeite de oliva, pó de arroz, vaselina, iodo, clara de ovo, gordura, chifre de veado… Cada cor precisava de uma matéria prima diferente e por isso cada produto foi criado em locais diferentes (de onde provinham os ingredientes).

A maquiagem vermelha, por exemplo, veio da Grécia antiga e era feita com algas e frutas vermelhas. Homens e mulheres esfregavam o produto no rosto, a cor avermelhada na face significava boa circulação sanguínea e saúde. Lembra um pouco a função do blush dos dias de hoje, mas ele recebeu um upgrade muitos anos depois. Foi só no século VXIII que o francês Alexander Bourjois criou o blush em pó, extraído de beterraba e frutas. Na época, o nome dado ao blush era “rouge” (vermelho em francês).

Se você também está na luta pela pele perfeita, saiba que isso vem dos nossos ancestrais! Os romanos usavam giz para parecerem mais brancos e ocultar pequenas manchas na pele. Já na Grécia, a mistura era feita com cera de abelha e azeite de oliva, para deixar a pele bem lisinha. Mas foram os japoneses, no século XVII, que fizeram a maquiagem que perdurou por mais tempo, o “Oshiroi”, que consistia em uma massa feita com pó de arroz. E esse produto rendeu e até nossas avós chegaram a usar!

A história de cinco mil anos da maquiagem

A busca pela pele perfeita, maças coradas e olhos marcados deram início a história da vaidade e maquiagem, mas não demorou muito para batom e esmalte surgirem. Na imagem, a rainha Elizabeth I, responsável por popularizar o batom vermelho no século XVI.

O batom e o esmalte são os de histórias mais intrigantes entre os produtos de maquiagem. O avô do batom era feito na Roma antiga, com uma pasta a base de cevada, chifre de veado, mel e salitre. No Egito a fórmula do produto para colorir os lábios era ainda pior, pois se usava iodo, bromo de manitol e outros produtos extremamente tóxicos. A ideia de maquiar e cuidar dos lábios com um produto só se tornou viável no século XVII, com a criação de pomadas coloridas, que passaram por muitas mutações até chegarem no formato atual do batom, que só ocorreu há pouco mais de cem anos.

O esmalte também surgiu no Egito, mas foi no século XIV na China que ganhou popularidade. Era uma mistura de goma-arábica, clara de ovo, gelatina e cera de abelha. O curioso é que o esmalte era de acesso comum, desde que os tons escuros fossem usados apenas pela classe alta e os claros pela população mais pobre.

A maquiagem evoluiu muito durante a história da humanidade, mas há de convir que os produtos que usamos hoje ainda são bem parecidos (ou pelo menos profundamente inspirados) com os de antigamente. A tecnologia cosmética inova a cada segundo, mas a cultura da vaidade continua a mesma há 5 mil anos.

Fotos: Manoela Jácome, Boudoir da Maquiagem e Studio W. Por Carol Carneiro

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Publicação: 14 de abril de 2014

AUTOR

Jornalista e Consultora de Imagem, Carol é graduada em Negócios da Moda, com especialização em Jornalismo de Moda e formada em Consultoria de Estilo. Apaixonada por moda, beleza, cinema, música; acredita que tendência vai muito além de “modismo”, é cultura, comportamento.

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